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domingo, 15 de novembro de 2020

Livro Sol da Meia Noite: a percepção de que a geração de hoje é bem distinta da anterior.

Depois de uma lacuna temporal, Stephanie Meyer finalmente lança o livro Sol da Meia Noite: a visão do vampiro Edward narrando os mesmos eventos do livro Crepúsculo, com suas emoções, motivações e pensamentos dando maior compreensão à série escrita 10 anos atrás.

Lembro como se fosse ontem: na minha plenitude dos 15 anos, estava eu, lendo vorazmente todos os livros da instigante saga Crepúsculo e sonhando com a história apaixonada e repleta de riscos de Bella e  Edward. Uma década após todo esse frenesi, Sol da Meia Noite é lançado e é impressionante como outro ponto de vista muda a interpretação que possuímos da mesma história. Além disso, a geração das garotas de 15 anos de hoje não lê com os mesmos olhos... Nessa era de "cancelamentos", emponderamento feminino e consciência do relacionamento abusivo, a história de uma jovem determinada em abandonar família e amigos por um rapaz está longe de ser idílica.

Nos livros a história é contada a partir da perspectiva de Bella, que passa uma imagem frágil e dependente. Em um momento da história, Edward vai embora e é perceptível como sua vida perde quase todo o sentido, entregando-se a uma tristeza profunda. No lançamento, Edward a enxerga como uma pessoa forte, que sempre teve que se cuidar sozinha e que na realidade, não gostava de depender da ajuda das outras pessoas e que se sentia útil cuidando dos outros ao seu redor. 

Além disso, a visão dele mesmo sobre seu passado de matar pessoas para se alimentar é amenizado por ele ter caçado apenas pervertidos e fora da lei, uma realidade menos chocante de aceitar, já que Bella, mesmo sabendo que ele era um assassino, decide ficar com ele perpetuamente. Além do fato de ele a visitar à noite, durante o momento que ela dorme, vem carregado de uma interpretação um pouco mais positiva. Pense bem, um homem vir a noite e observar a amada dormindo sem que ela saiba pode taxá-lo como maníaco, mas o livro traz uma versão romantizada de que ele estava ciente que poderia parecer isso e até mesmo se sente culpado por ter tido essa atitude, porém ele estava tão apaixonado que só tinha intenção de  realmente protegê-la.

Apesar de todos esses questionamentos, não podemos deixar de lembrar que é uma ficção fantasiosa , voltado para o público jovem, com uma linguagem adolescente. De fato, os últimos dez anos trouxeram grandes mudanças na sociedade e a nova geração pode até mesmo ter convicções diferentes da anterior... Mas não se pode negar a magia dessa história que particularmente, me fez relembrar a adolescência, em que eu era bem diferente. Sol da Meia Noite foi um grande presente que Stephanie Meyer deu para os fãs e os não fãs. Vale a pena ler, tanto para relembrar o tempo em que tudo era mais simples, quanto para poder defender o romance adolescente que nos fez avidamente virar a noite, para  podermos concluir a leitura.

Por Erika Oliveira

Onde comprar: https://www.saraiva.com.br/sol-da-meia-noite-midnight-sun-serie-crepusculo-10670701/p

domingo, 19 de janeiro de 2020

Você vai se surpreender com a linda mensagem que o filme Toy Story 4 tem para nos contar [ leia agora]

Neste sábado, 18/01,tive a oportunidade de assitir ao filme Toy Story 4 no Cine São Luiz e venho aqui contar minhas impressões sobre esse filme. Toy Story 4 é uma linda produção voltada para o público infantil e é claro, por ser um filme da Pixar, não deixa de encantar crianças de todas as idades.

Aliás, o Cine São Luiz está com uma programação de férias muito bacana para se acompanhar, ideal para a família toda. Já faz alguns anos que este cinema, financiado pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará,realiza esta atividade e acho uma iniciativa ma-ra-vi-lho-sa. Um cinema deslumbrante, com uma programação gratuita e de qualidade? Quem não amaria?

Fonte: Adoro Cinema

Woody, Buzz, Jesse e toda a turma vivem felizes, agora como brinquedos da pequena Bonnie. Assim como os anteriores, esse filme passa lindas mensagens sobre amizade e sobre como é importante a lealdade e a generosidade com seus amigos. Logo no início do filme, quando Bonnie começa a ter idade para frequentar o jardim de infância e é proibida de levar quaisquer brinquedos, Woody se preocupa e procura ajudá-la a passar por esse momento, tão marcante para uma criança pequena.

Woody entra em sua mochila e observa com cuidado o que a sua criança faz. Ele a vê sozinha, sem conseguir fazer amizades com seus coleguinhas e tem a ideia de pegar os lapis de cor que um menino da turma joga no lixo. Junto com esses lápis, Woody acaba pegando também do lixo um garfo, um arame vermelho, palitos e massinha de modelar. É assim, com essas matérias primas, que Bonnie constrói seu amigo inseparável - o Garfinho.

Mas o garfinho, como foi feito de lixo, não compreende porque ela o ama tanto. Ele tenta desesperadamente voltar para o lixo, pois lá ele se sente confortável e assume definitivamente como seu lar e sua natureza. " Eu sou um lixo", é o que o garfinho afirma frequentemente.Woody tenta explicar o tempo todo que ele não é um lixo, que ele é o brinquedo preferido da Bonnie e que precisa parar de se considerar assim.

É tão emblemático esse ponto do filme que chega a ser quase desnecessário explicar. Quantas vezes acreditamos que somos incapazes, sem qualidades, que não temos condições de ser aquilo que queremos... Quando muitas vezes já somos o que gostaríamos de ser, mas não conseguimos enxergar!

Muitos talentos, muitos projetos significativos e muitos sonhos são guardados na gaveta por não acreditarmos que temos condições de realizá-los. Desistimos muitas vezes diante da primeira dificuldade por não confiarmos no nosso potencial. Só no final do filme o Garfinho consegue compreender isso, já que os brinquedos da Bonnie fazem de tudo para recuperá-lo e ele vê a tristeza de alguns brinquedos abandonados de não terem uma criança. Só depois, com muito esforço do

Woody, que ele finalmente acredita que é um brinquedo, especial e único.

O filme é cheio de ação, humor e lindos cenários. Da mesma forma que o primeiro filme foi lançado, 24 anos atrás, continua emocionando a família toda. Vale muito a pena assistir.

Assista aqui ao trailer do filme:



Confira aqui a programação especial do Cine São Luiz.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A lição mais incrível que o livro O Mágico de Oz pode nos ensinar!

Depois de um bom tempo sem postar sobre os livros que ando lendo, trouxe um clássico para vocês: O Mágico de Oz- um livro infanto-juvenil incrível com uma bela tématica para se discutir. Livros como este são de fato, clássicos : nunca envelhecem e podem ser lidos e relidos por diversas gerações sem envelhecer!Descubra agora neste artigo qual o maior e mais profundo ensinamento que o livro incrível, O Mágico de Oz, traz para nossas vidas!!!

A história é um conto fantástico, no qual a personagem principal, Dorothy é levada por um ciclone, junto com a casa inteira e seu cachorro, para uma terra muito, mas muito distante. Ela é órfã e é cuidada pelos seus dois tios. Por conta deste ciclone, ela vai para um país encantado em que há quatro bruxas: duas boas e duas más. E a casa de Dorothy cai justamente em cima da bruxa má do norte, que escravizava a todos os seres do norte e que por conta deste incidente, tornaram-se livres. Por matar essa bruxa, ela pôde ficar com os seus sapatos vermelhos encantados e ganha um beijo enfeitiçado de proteção da bruxa boa do leste. Mas o que Dorothy quer mesmo é voltar para casa,para junto de seus tios e voltar a viver sua vida novamente.normalmente. 



A boa bruxa informa-a que para voltar para casa, somente o mágico de Oz poderá ajuda-lá e para encontrá-lo, ela deve seguir pela estrada de tijolos amarelos e chegar à Cidade das Esmeraldas. No caminho, encontra o espantalho, que faria de tudo para ter um cérebro, já que fora confeccionado para ficar apenas no meio do milharal,espantando os corvos. Depois, encontra um homem de lata que desejava recuperar seu coração, que fora retirado por uma feiticeira e finalmente ela encontra um leão medroso, que precisava desesperadamente de coragem, pois tinha medo até de pequenos animaizinhos, mesmo sendo sempre visto como o invencível rei da selva.

O ápice da história é que cada um acaba desenvolvendo isso durante o caminho.Cada situação que acontece, cada infortúnio, cada desafio vão moldando e permitindo que a inteligência, o amor, a compaixão e a coragem possam florescer. Eles passam por diversos desafios em cada cidade pelas quais passaram e para poderem continuar a caminhada é bem claro o que se quer dizer: é a soma dos dias que traz experiência, vivência e aprendizado. No fundo cada um tinha dentro de si a semente apropriada para germinar tudo aquilo que tanto queriam. 

Cada um tem que conhecer em si mesmo o que incomoda e procurar melhorar o que já é bom. Todos temos boas sementes, algumas mais escondidas, que precisarão de um trabalho mais árduo para se desenvolver. Outras que precisam apenas algumas gotas de paciência e determinação. A estrada de tijolos amarela assemelha-se à jornada da vida: a direção que se toma em busca de um objetivo, vem com desafios e percalços, mas sempre traz diversos ensinamentos, que vão muito além do que inicialmente se buscava.

Aproveite sempre a caminhada, olhe para os lados só de mansinho e siga sempre em direção aos seus objetivos.

Espero que tenha gostado. Beijinhos!

sexta-feira, 15 de março de 2019

Sociologia: uma introdução crítica. - um breve resumo

Recentemente estudei um livro do autor Pedro Demo, em que se discute uma introdução alternativa em relação as outras introduções à sociologia.

Obs: este post é puramente científico, não estou me posicionando de forma política, a favor ou contra partidos políticos ou organizações. Comentários desrespeitosos/agressivos serão excluídos.

De acordo com Pedro Demo, as introduções ao estudo da sociologia em geral fundamentam-se em diversas estruturas e organizações sistemáticas e dessa forma, a sociologia não consegue ser definida simples e convencionalmente. Cada autor, cada escritor escreve teses que abrem inúmeros questionamentos e acabam por se envolver em discussões inevitáveis e infinitas. A sociologia tem uma eterna juventude crítica e irreverente, como reflexo de sua crise diária de autodefinição. Ele propõe que seu livro portanto, seja uma alternativa às diversas outras introduções metódicas e sistemáticas.

O autor conceitua que a sociologia não pode ser conceituada como a ciência que estuda a sociedade, devido diversas outras ciências como história, antropologia, psicologia e economia também estudarem a sociedade a partir de ângulos diferentes.

Qualquer ciência necessita de um objeto de estudo, algo suficientemente delineável e de método adequado, como por exemplo a química, que estuda a matéria e suas transformações, ou seja estuda características e propriedades da matéria e a forma como a matéria relaciona-se com a energia.Da mesma forma, Pedro Demo destaca que a sociologia refere-se ao tratamento teórico e prático da desigualdade social.

Portanto, de acordo com Pedro Demo, pode-se definir a sociologia como a ciência que estuda os fenômenos da sociais da desigualdade, procurando explicar porque o privilégio e sucesso são a realidade de poucos e da mesma forma que a miséria e esquecimento são para a maioria, baseando-se em teorias explicativas e combatendo de forma concreta, indo a campo, solucionar os problemas sociais, por meio de partidos políticos e organizações públicas.

Toda sociedade é desigual, tanto as matriarcais quanto as patriarcais, ocidentais ou orientais. Sempre haverá desigualdade porque existem homens e mulheres, brancos e negros, pobres e ricos. Sempre que houver pessoas diferentes haverá domínio e subordinação de alguma dessas partes e a desigualdade existirá, é algo inerente à humanidade, independente de quaisquer épocas estivermos falando.

Além disso o autor fala sobre a regularidade do fenômeno social, ou seja, explica que os fenômenos sociais não podem ser definidos por leis. As leis da relatividade ou as leis da termodinâmica são descrevem o fenômeno observado como lei da natureza, sem questionamento e indubitável. Ele pontua que existem certos acontecimentos sociais que, depois terem sido investigados sobre sua ocorrência, nota-se que são prováveis de serem reincidentes, sendo denominados como regulares.

Este foi um curto resumo de um livro que li e espero que possamos discutir nos comentários aspectos importantes.


REFERÊNCIA:  DEMO. Pedro. Sociologia: uma introdução crítica. 2 ed. São Paulo: Atlas, 19

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Livro: Memorial de Maria Moura

Mais um livro incrível lido, escrito pela autora Raquel de Queiroz em 1992 . Esse livro  conta a história de Maria Moura, moça de 17 anos, sozinha e desamparada que é levada pelas circunstâncias a se tornar líder de um grupo de aventureiros, que praticam roubos e vivem de forma desregrada.  É um livro que embora tenha 500 páginas, possui capítulos de tamanho intermediário e possui uma leitura acessível e de linguagem simples, assim como todos os outros livros da Rachel de Queiroz que eu já li. A narrativa é em primeira pessoa mas é contada do posnto de vista de cada um dos personagens de maior destaque. Além disso, o enredo não é linear, entrelaça as ações dos diversos personagens e possui vários flashbacks.


Fonte: Google.

Algo bem interessante me marcou: o livro é dedicado à Elisabeth I, rainha da inglaterra no século XVI, que serviu de inspiração para compor o caráter de Maria Moura, forte, determinado e naturalmente líder. Veja só esse trecho:

" Nunca se viu mulher resistindo à força contra soldado. Mulher, pra homem,[ ...] só serve para dar faniquito. Pois, comigo eles vão ver. E, se eu sinto que perco a parada, vou-me embora com os meus homens, mas me retiro atirando. E deixo um estrago feio atrás de mim.[...] Pra ninguém mais querer botar o pé no meu pescoço; ou me enforcar num armador de rede. Quem pensou nisso já morreu.".

Esse livro foi adaptado para uma minissérie de 24 capítulos em 1994, sendo o papel de Maria Moura estrelado pela atriz Gloria Pires.


Cartaz da minissérie com a foto de Glória Pires. Fonte: google.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Livro: Vidas Secas

Hoje venho com mais uma resenha de um livro inesquecível: Vidas Secas, do autor Graciliano Ramos. A obra retrata o drama vivido por uma família de imigrantes, que necessita se mudar constantemente por causa da seca e é explorada por um rico fazendeiro. O texto é narrado de forma a economizar adjetivos, com o objetivo de transmitir a aridez e escassez do ambiente vivido naquele momento.


Graciliano Ramos consegue mostrar a desumanização causada pela seca ao nomear os filhos do casal de Menino mais velho e Menino mais novo, sem agregar nomes próprios, realçando a falta de individualidade e ainda mais por fazer com o que os personagens se expressem verbalmente apenas com monólogos, palavras soltas. O nome do casal é Fabiano, que significa, de acordo com o dicionário "indivíduo inofensivo" e "pobre diabo" e Sinhá Vitória, que tem um pouco mais de conhecimentos e consegue até mesmo fazer contas. Além disso também está presente a cachorrinha baleia, o personagem que mais emociona pois possui um comportamento humano, sendo humanizada de propósito pelo autor,  ao contrário dos seres humanos integrantes da família, que são desumanizados.

Recomendo a leitura, que envolve e faz o leitor imergir na situação vivida.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Livro: A hora da Estrela

Na resenha de hoje venho comentar o livro A hora da Estrela, um livro que gostei muito e que foi o último livro publicado em vida por Clarice Lispector. O narrador do romance é Rodrigo S.M., escritor que ironiza, por meio de contínuas intrusões no texto, o estilo de narrativa que ele próprio utiliza, estabelecendo um diálogo com o autor.

Sua personagem-protagonista é Macabéa, reduzida ao apelido Maca, imagem irônica dos sete macabeus, personagens bíblicas. Maca foi criada pela sua tia beata, após a morte dos pais, quando tinha dois anos de idade. Representa  uma figura desprezada na sociedade brasileira: a imigrante nordestina em estado de miséria, tornando-se alheia de si e da sociedade.


Capa do livro A hora da estrela, fonte: google. 


Dessa forma, ela nunca se deu " conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável."

Igonorava até mesmo porque se deslocou de Alagoas para o Rio de Janeiro, onde vivia com mais quatro colegas na rua do Acre, e porque trabalhava como datilógrafa, de forma milagrosa, já que executava seu trabalho com muitos erros de ortografia imperdoáveis. Mantinha uma dieta de um cachorro-quente por dia com Coca-cola e nada mais. À noite, mastigava pedacinhos de papel para enganar o terrível vazio do estômago. Suas pequenas alegrias eram pintar os toquinhos de unhas " roídas até o sabugo" de escarlate, ir ao cinema uma vez ao mês e colar anúncios em um caderno.

Cartaz do filme inspirado no livro, muito bom, recomendo que assistam. Fonte da imagem: google.
Clarice Lispector consegue dar uma identidade à Macabéa, apesar de que saibamos que inumeras pessoas vivam como ela  faz com que a solidariedade para com ela seja inevitável. A personagem é marcada com as epifanias características da escrita de Clarice, fazendo com que nos envolvamos com a leitura.

Trechos marcantes:

" Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham"
" .... Ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando inspirando e expirando. [...] seu viver é ralo."
".... a moça não tinha. Não tinha o quê? É penas isso mesmo: não tinha"
"Não fazia perguntas. Advinhava que não tinha respostas"

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O Afeganistão e A Cidade do Sol

Oi pessoal, trago mais uma resenha para vocês de um livro incrível chamado A Cidade do Sol.

Este livro é uma narrativa contada nas perspectivas das duas personagens principais, Laila e Mariam e se passa durante a invasão soviética e também durante o domínio do Talibã. É bem emocionante e li o livro em poucos dias, é bem encadeado e não é a tôa que foi um best-seller.

Mariam é excluída da sociedade por ser uma harami, ou seja, uma filha ilegítima , gerada fora do casamento. Ela mora com sua mãe, propositadamente escondida, em uma cabana no alto de uma colina. Seu pai a visita semanalmente e sempre conta histórias sobre a vida que ele tem, sobre suas três esposas, sobre seus outros filhos...  Ela nunca fora à cidade e pede como presente de aniversário  um simples passeio com seu pai e pede também para conhecer suas meio-irmãs. No dia combinado,  ele não apareceu ( obviamente com muita vergonha e convencido pelas esposas legítimas) e ela se muniu de coragem e foi à sua casa. Porém depois desse dia, sua vida muda para sempre.

Laila é uma garota que nasce bem no período da ocupação soviética e vê seus dois irmãos saindo de casa para irem para o front, para lutar e tentar livrar o Afeganistão da ocupação. Em meio a tudo isso, ela é uma aluna destaque de sua escola e seu pai, que é um professor universitário e um intelectual, a encoraja e diz que ela pode ser o que quiser, inclusive ele se dedica a ensiná-la assuntos que ainda não foram vistos em sala de aula para que ela seja sempre uma aluna adiantada. Por conta dos bombardeios e devido à insegurança de viver em Cabul , eles decidem emigrar para o Paquistão, para refazer a vida e se livrar de todo aquele sofrimento, porém, no dia que estão organizando as coisas para ir embora, sua vida muda completamente.

É uma história incrível, escrita por um afegão que reside nos Estados Unidos, e que te prende com toda a emoção. Foi a partir desse livro que me interessei pela história desse povo, que teve uma invasão da União Soviética e conseguiu se livrar dessa ocupação devido o apoio estadounidense, que armou até os dentes os afegãos para vencerem o combate. Várias milícias foram formadas e um desses grupos, os Talibãs, que é um grupo radical e fundamentalista, tomou o poder.  Depois do ataque às Torres Gêmeas, os Estados Unidos declararam guerra e conseguiram tirar os talibãs do poder.


É difícil aceitar que no final do séc. XX e no começo do sec. XXI, algum país  pudesse viver como se estivesse na idade média. Não estou julgando nem criticando o islamismo nem tudo o que levou a acontecer esse tipo de coisa, porém, é uma realidade bem distinta da qual eu vivo e nem imagino como viveria nessa sociedade. As pessoas sofreram muito, acabou água, comida, não tinha mais escola muito menos hospitais.Bombardeios, campos minados... Por conta disso, inúmeras pessoas emigraram para o Paquistão, para tentar fugir de tanta tristeza e sofrimento.

Para quem quiser saber mais sobre o que aconteceu nesse país, há um documentário incrível, muito bem feito, sem sensacionalismo que recomendo a todos. Coloquei o link aqui embaixo.



Espero que gostem do documentário e que leiam o livro. Beijinhos e uma ótima semana!

sábado, 13 de janeiro de 2018

Resenha - O Jogo da Imitação

Uma amiga minha veio ontem aqui em casa e assistimos ao filme O Jogo da Imitação. Eu nem imaginava do que se tratava a história e me surpreendi. É um filme sensível, baseado em fatos reais, talvez biográfico, pois narra a história do inglês Alan Turing. Ele foi considerado o matemático responsável por criar a primeira máquina inteligente, se é que posso dizer assim, e a partir desse projeto, depois de estudos e pesquisas, houve a evolução para o computador que temos hoje.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a comunicação era feita basicamente via rádio e era muito fácil interceptar as mensagens que eram trocadas. Portanto, toda a comunicação deveria ser criptografada. Muitas táticas eram pensadas para que os alemães pudessem se comunicar em códigos, e criaram então a máquina enigma, que criptografava vários códigos e mudava o modo como criptografava todos os dias à meia noite. Alan Turing e outros vários matemáticos e linguistas foram contratados pra descodificar as mensagens e saber quais seriam os planos dos alemães, dessa forma, combatendo o inimigo de acordo com seus passos.

A criação dessa máquina foi segredo de Estado até cinquenta anos depois da guerra e a esta máquina é atribuída a vitória dos aliados sobre a Alemanha.

Turing, além de possuir algum espectro de autismo, é homossexual. Naquela epoca, ser homossexual era crime perante a lei e punido severamente com castração química. Eu nunca imaginei que essa punição absurda já tivesse existido e o pior foi saber que a Rainha perdoou o crime dos que foram condenados, como se eles realmentr tivessem errado! E sim, eu pesquisei, realmente isso é verdade.

Este é Turing. Achei o ator que fez o longa incrivelmente parecido.

Não é daqueles filmes que nos dão alegria no final, mas é comovente e nos mostra como a sociedade ainda tem que muito o que mudar. Acho que primeiro temos que reformar a nós mesmos e a partir daí podemos mudar todo o resto, pois sociedade nenhuma muda sem que mudemos primeiro.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Resenha- A Terceira Moça

Mais um livro concluído neste recesso de fim de ano/férias. Êeeeh! Gosto muito das férias para poder colocar minhas leituras em dia.

Agatha Christie, neste livro, conta um estranho caso, que no início, para o detetive Hercule Poirot e para a escritora Ariadne Oliver não faz nenhum sentido! 

Em um dia comum, uma jovem, bem moderna para a época, ao estilo transviado, chega repentinamente à casa do detetive Poirot e revela " acho que cometi um crime". Mas não consegue explicar muito bem o que aconteceu e deixa muitas dúvidas a serem esclarecidas. Para um crime assim, não se pode ter muita dúvida, " Quem será que ela matou, ou pensa que matou?" (... ) "a não ser que tenha atropelado alguém e seguido em frente, pode ter colocado algum remédio errado para alguém, pode ser que ela seja enfermeira e tenha errado a anestesia no meio de uma operação...". Fiquei encucada com a situação e esperava que cada descoberta me desse uma pista do que aconteceu, mas só no final é que tudo se encaixa. Sabe aquele livro que tem vários fatos que parecem não importar muito e só no final você entende o que aconteceu? Então, este é o caso deste livro.

Recomendo a leitura deste  livro. Muito instigante, faz você refletir e imaginar bastante. Por conta dele pesquisei sobre as outras obras de Agatha Christie e decidi que vou ler mais um livro dela, mas não decidi qual rs.

Vocês já leram este livro ou algum outro livro de Agatha Christe? 


Beijinhos.

Esta é a capa da versão do livro que li.




segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Resenha- Passarinha

Passarinha é um livro muito sensível. É um livro em primeira pessoa e por conta disso, conseguiu tornar os sentimentos da personagem mais palpável, mais próximo.A personagem principal chama-se Caitlin, que tem 10 anos e é portadora da síndrome de asperger. 


Ela passa por situações que são difíceis bem complicadas para lidar: sua mãe faleceu anos antes e seu irmão foi vítima de um bruto massacre. O livro consegue transmitir como ela se sente em meio a todos esses desafios, aos desafios de lidar com a escola, com o sofrimento do seu pai, com seu próprio sofrimento e com o desafio de ficar sem a companhia do seu irmão mais velho, Devon. Devon era quem mais a compreendia e tentava explicar com simplicidade as dificuldades básicas que ela tinha dificuldade de entender. Ele era um grande companheiro para ela.

O livro tenta passar as dificuldades, desafios e preconceitos que as pessoas com síndrome de Asperger têm de enfrentar. O pai de Caitlhin não a compreende bem, assim como professores e colegas. Acho que ler este livro faz você mudar em relação a diversas coisas, como a ter mais compreensão em relação ao próximo, não somente em relação a pessoas com deficiência.

Mergulhe na história de Passarinha, de Katherin Erskin. Mergulhe na história e se emocione!




segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Resenha - A Costureira de Dachau

Olá pessoal! Este é o primeiro post de 2018! Êeeeeeh

Terminei este livro ontem mesmo e fiquei com vontade de compartilhar mais esta leitura com vocês. É um livro que li em apenas 3 dias porque fiquei muito envolvida com a personagem, com suas perdas e vitórias (ainda que poucas) e muita luta. A leitura não é leve, muitos momentos são bem ruins e não é daqueles livros que te fazem sorrir no final.

Este livro fala de Ada Vaughn, uma londrina que é uma das costureiras de um ateliê de moda e costura que atende mulheres elegantes, talvez um ateliê de alta costura. Ambiciosa e talentosa, aos 18 anos seu sonho era ser uma famosa modista. Porém, em um belo dia, conheceu um nobre chamado Stanilau  e a partir daí, sua vida muda drasticamente.

Em meio a jantares e passeios, ele a tratava como uma verdadeira princesa.  Lugares caros, comidas refinadas e muito carinho. Ela, em sua ingenuidade (e sim, essa ingenuidade me incomodou muito) fazia sonhos e planos com ele.

Com a segunda guerra a se iniciar, ele a convida para ir a Paris, um verdadeiro sonho ... Ada já imaginava quais tecidos comprar e onde visitar! Ela mal imaginava que, a partir  dessa viagem, sua vida mudaria inteira e completamente. 

O livro te faz se envolver com Ada; o enredo é muito instigante. Para quem, assim como eu, gosta de filmes e livros que retratam esse período da Segunda Guerra Mundial, é uma boa opção, pois apesar de ser uma obra de ficção, os lugares, os personagens e os acontecimentos são fatos baseados na realidade. 



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Leitura recente - O Profeta, de Kalil Gilbran.


O Profeta é um livro escrito em 1923 por Kalil Gilbran. 

Este livro narra a história de um sábio chamado Al Mustafá, que passou 10 anos morando na Ilha de Orphalese.  Durante o período que ele passou nessa ilha, ninguém parece se importar muito com o que ele tem a dizer.
 Somente quando um navio vem buscá-lo de volta à sua terra natal é que as pessoas pedem que ele ensine algo de valioso, que ele deixe algo de sábio em suas vidas.
E que sabedoria ele nos traz!  Cada capítulo fala de algum tema sobre o qual ele é questionado.
 Os temas são os mais variados: amor,  trabalho, casamento, beleza, religião, liberdade .... 
Super recomendo a leitura, me encantei quando assisti a uma palestra sobre um capítulo deste livro no canal da Nova Acrópole, no Youtube. Fica mais outra dica também, rs.





 Presente de um amigo, o compramos quando fomos à Bienal do Livro. 
Coloquei até uma capinha de plástico pra não amassar.
Já está bem marcadinho, quem nunca escreveu quase um segundo livro de anotações nas beiras?? Quem nunca? kkk



Um trechinho aqui:

Então, Almitra disse:
‘Fala-nos do amor’
E ele ergueu a fronte e olhou para multidão, e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:
'Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no
meu coração’, mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.’
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.


Khalil Gibran

quinta-feira, 24 de março de 2016

Como aprender qualquer coisa em 20 horas

Estamos sempre nos esforçando para aprender mais. Precisamos aprender mais. Seja na escola, faculdade, pós-graduação e até mesmo em projetos pessoais. Sempre estou buscando formas de aprender mais e melhor e hoje trouxe algumas ideias interessantes para compartilhar com vocês. 

Há alguns anos li um livro chamado Outliers - Fora de série, escrito por Michael Gladwell. Neste livro o autor diz que precisamos de 10.000 para aprendermos alguma coisa. 10 mil horas são muuitas horas. Seriam oito horas por dia durante 5 anos! O autor explica que esse processo foi observado em grandes musicistas (Mozart, Beatles), grandes gênios da informática ( Bill Gates e Steve Jobs) entre outros grandes atletas de alta categoria. É um livro que já li mais de duas vezes e eu sempre o recomendo.



Alguns dias atrás assisti a um vídeo sensacional. O vídeo é uma palestra de Josh Kaufman, autor do best-seller “The Personal MBA: Master the Art of Business” e especialista mundial em como dominar conhecimento prático e habilidades. Nesse vídeo, o escritor diz que é preciso apenas 20h para você aprender qualquer coisa. Josh cita o livro de Michael Gladwell, mas não discorda do que Gladwell diz sobre as 10 mil horas.  Josh Kaufman complementa que 20 horas são suficientes para, por exemplo, aprender uma música em um instrumento de corda, aprender programação ou até mesmo aprender yoga.

Para isso, Josh Kaufman enumera 4 passos:

1- Defina exatamente o que quer aprender
2- Aprenda o suficiente para se auto corrigir
3- Elimine as distrações
4- Pratique por pelo menos 20 horas

Posso dizer que eu testei essas dicas e realmente valeu muito a pena.

Sem mais delongas, o vídeo é este aqui: 


Depois comente aqui embaixo sua opinião, tá? Não deixe de compartilhar comigo suas ideias.

Érika Oliveira.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Possibilidades, chances e decisões

Ontem assisiti a um filme muito bom, daqueles que à primeira vista não prendem a atenção mas se tornam surpreendentes. Não sei qual é o nome em português, mas em inglês é 3 Times A Charm. Fiquei muito pensativa e quero compartilhar aqui com vocês minhas ideias.


Bem, o filme fala de Emma, ​​a editora estudiosa do jornal da escola, que é tentada pelo garoto mais popular da escola e por quem é apaixonada, Chris Duval, a enganar a sua professora/orientadora , pondo em xeque seus valores pessoais. Ela conhece uma moradora de rua estranha que lhe presenteia com um colar mágico. Esse colar tem o poder de  dar três chances à Emma de ter a mesma experiência, para ela poder fazer o que considera ser a melhor atitude. Cada chance desenvolve diversas experiências, com consequências boas e ruins.



Durante o curso de nossas vidas, tomamos milhões de decisões que criam uma cadeia de eventos. Alguns terminam bem e outros nem tanto. Esses eventos são experiências, que coletamos e tiramos alguma lição delas. Isso é amadurecimento. Se deixarmos essas experiências acontecerem e não analisá-las, estamos fadados a repetí-las e o crescimento fica estagnado. O filme até cita a frase " Quem não recorda o passado está condenado a repetí-lo", de Jorge Santayana.

Não é raro nos arrependermos de atitudes, de palavras ditas ou não ditas, e de ações impensadas. Às vezes não raciocinamos e ignoramos a voz da nossa consciência, que nos alerta para o que pode acontecer.Somos responsáveis pelas consequências, quer aceitemos ou não. Lembre que nem sempre a vida nos concede três chances.


Érika Oliveira.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Olá visitantes!


Neste fim de semana, li um livro fascinante. Tão interessante que o devorei em dois dias. A Revolução dos Bichos, escrito por George Orwell é pauta para discussão.

Pode até ser lido por uma criança como uma fábula, de tão simples e claro o conteúdo. Para compreender a sátira, basta ter uma visão sobre totalitarismo, comunismo e socialismo.

Em síntese, o livro conta a história do sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, concretizando-se com uma revolução. Como acontecem com as revoluções, a dos bichos também está acometida pela tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Qualquer semelhança entre o enredo de "A Revolução dos Bichos" e os acontecimentos da Revolução Russa e do período Stalinista na União Soviética não são mera coincidência. O autor, socialista, era crítico de Stálin e das falsidades proferidas em favor de um sistema que considerava muito distante do verdadeiro socialismo. O Senhor Jones poderia se identificar com o czar Nicolau II, que ao que comentam – tinha aversão ao povo e era um beberrão. O Major pode ser comparado a Lênin e Marx, que faleceram sem ver os frutos da Revolução; as brigas entre Bola de Neve e Napoleão são referências à rixa entre Trotski e Stálin, em que o primeiro acabou sendo perseguido e morto a mando da sanguinária ditadura stalinista. A corja de cães poderia perfeitamente ser vista como uma espécie de KGB, que fora a perseguição de Bola de Neve, ainda fez vários animais ficarem contrários ao governo como aconteceu com Stálin.O porco Garganta refere-se a transmissão da propaganda do governo sempre por meio da retórica e da eloqüência, suporte para a manutenção de qualquer ditadura. Os outros animais podem ser classificados como proletariado russo, à massa das sociedades, iludida e enganada.

Analisando mais a fundo algumas passagens do livro, ainda é possível dizer que a obsessão pelo trabalho disciplinado e dirigido pelos porcos, que controlam o Estado, na expansão da Granja e na construção do moinho relaciona-se com os Planos Qüinqüenais de Stálin.

Pode-se compreender então como a maioria dos líderes de regimes totalitários ascende-se com uma falsa publicidade e controle social, sendo no fundo mentirosos e gananciosos, corrompendo-se com o poder ilimitado.

O livro também nos mostra que podemos até tentar mudar o modo de sociedade, mas o ser humano não muda, tanto é que os porcos que viviam em luta com os homens, seus eternos inimigos, tornam-se iguais no caráter humano.

Pois é, vocês estão vendo como eu estudei não é mesmo? Esse assunto é bem subjetivo e eu sou leiga no assunto, minhas fontes são livros de história e internet. Se alguém quiser debater sobre o livro, fique à vontade.

    Por: Érika Oliveira

terça-feira, 21 de julho de 2015

O PODER DO AGORA


O PODER DO AGORA

Eckhart Tolle

A iluminação é o fim não só do sofrimento e dos conflitos internos e externos permanentes, mas também da aterrorizante escravidão do pensamento. Que maravilhosa libertação!

Todas as coisas realmente importantes, como a beleza, o amor, a alegria e a paz interior, surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar.



Na vida diária, preste total atenção a qualquer atividade rotineira, normalmente considerada como apenas um meio para atingir um objetivo, de modo a transformá-la em um fim em si mesma.

Sempre que houver um espaço no fluxo dos pensamentos, podem ocorrer lampejos de amor e alegria, ou breves instantes de uma paz profunda. O amor, a alegria e a paz não conseguem florescer, a menos que tenhamos nos livrado do domínio da mente.

Para ter certeza de que permanece no controle, a mente trabalha o tempo todo para esconder o momento presente com o passado e o futuro. Assim, a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, ficam encobertos pelo tempo e a nossa verdadeira natureza é obscurecida pela mente.



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Faça do Agora o foco principal da sua vida. Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo rápidas visitas ao passado e ao futuro, quando precisar lidar com os aspectos práticos da vida.

O que quer que o momento atual contenha, aceite-o como uma escolha sua, trabalhe sempre com ele, não contra. Torne-o um amigo e aliado, não seu inimigo. Isso transformará toda a sua vida, como por milagre.

Uma vez entendido o princípio básico do que significa estar presente observando o que acontece dentro de nós, temos à nossa disposição a mais poderosa ferramenta de transformação.

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O medo psicológico é sempre de alguma coisa que poderá acontecer, não de alguma coisa que está acontecendo neste momento. Você está aqui e agora, ao passo que a sua mente está no futuro. Essa situação cria um espaço de angústia. Podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro.

O medo será uma companhia constante para qualquer pessoa identificada com a mente e, por conseguinte, desconectada do seu verdadeiro poder, o eu profundo enraizado no Ser. O número de pessoas que conseguiram alcançar o ponto além da mente ainda é extremamente pequeno, o que nos leva a presumir que, virtualmente, todas as pessoas que você encontra vivem em estado permanente de medo.

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Os problemas da mente não podem ser solucionados no nível da mente. Uma vez compreendido que não somos a nossa mente, não existe muito mais a aprender.

Quando nos identificamos com a mente, geramos um falso eu interior, o ego, que é um substituto do nosso verdadeiro eu interior enraizado no Ser. Passamos a ser “um ramo cortado da videira”, como disse Jesus.

Identificar-se com a mente dá a ela mais energia, enquanto observar a mente retira a sua energia. A energia retirada da mente se transforma em presença.

Se todos os nossos problemas fossem milagrosamente solucionados no dia de hoje, sem que nos tornássemos mais presentes e mais conscientes, logo nos veríamos com um outro conjunto de problemas semelhantes. Você não pode se libertar no futuro. A presença é a chave para a liberdade. Portanto, você só pode ser livre agora.

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Encontre o “portão estreito que conduz à vida”. Ele é chamado de Agora. Restrinja a sua vida a este exato momento. Sua vida pode estar cheia de problemas, mas verifique se você tem algum problema neste exato momento. Não amanhã ou dentro de dez minutos, mas já. Você tem algum problema agora?

Se você alguma vez esteve numa situação de emergência, de vida ou morte, saberá que isso não foi um problema. A mente não teve tempo para se distrair e transformar a situação em problema. Numa emergência de verdade, a mente pára. Ficamos absolutamente presentes no Agora, e algo infinitamente maior e mais poderoso passa a dominar.

No momento em que você aceitar completamente a sua intranqüilidade, ela se transformará em paz. Qualquer coisa que você aceite completamente vai levar você até a paz. Esse é o milagre da entrega.

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De acordo com São Paulo, toda a criação está à espera de que os homens obtenham a iluminação. É assim que interpreto suas palavras: “A criação aguarda, com impaciência, a revelação dos filhos de Deus”.

Quando nos rendemos àquilo que é e ficamos inteiramente presentes, o passado deixa de ter qualquer força. Não precisamos mais dele. A presença é a chave.

O estado identificado com a mente é uma forma de insanidade e quase todas as pessoas estão sofrendo dessa doença em vários graus.

A mente sempre se apega ao que lhe é familiar. O desconhecido é perigoso porque ela não tem controle sobre ele. É por isso que a mente não gosta do momento presente e prefere ignorá-lo.

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Existe um número crescente de seres humanos cuja conscientização está suficientemente desenvolvida para não precisar de nenhum sofrimento adicional antes de alcançar a iluminação. A iluminação escolhida conscientemente significa abandonar nosso apego ao passado e ao futuro e fazer do Agora o ponto principal da nossa vida. Significa escolher permanecer no estado de presença e não no tempo. A presença remove o tempo e sem o tempo, nenhum sofrimento e nenhuma negatividade conseguem sobreviver.

Você quer ter uma morte fácil, sem sofrimento ou agonia? Então morra para o passado a cada instante e permita que a luz da sua presença apague o limitado “eu” que você pensou que era “você”.

Sempre que acontecer uma desgraça ou alguma coisa ruim em sua vida, saiba que existe um outro lado e que você está a apenas um passo de distância de algo inacreditável: uma completa transformação alquímica da base de metal da dor e do sofrimento em ouro. Esse passo simples é chamado de entrega.

Se você tem uma doença grave, use-a para alcançar a iluminação. Use qualquer coisa ruim que acontecer em sua vida para alcançar a iluminação. Retire o tempo da doença. Não dê a ela nenhum passado ou futuro. Deixe-a forçar você para a percepção intensa do momento presente. E veja o que acontece. Torne-se um alquimista. Transforme o metal em ouro, o sofrimento em consciência, a felicidade em iluminação.

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A entrega não transforma aquilo que é; a entrega transforma você. Quando você estiver transformado, todo o seu mundo fica transformado, porque o mundo é somente um reflexo.

Dê atenção ao seu comportamento, seu humor, seus pensamentos, suas emoções, medos e desejos, da forma como eles acontecem no presente. Ali está o seu passado. Se você consegue estar presente o bastante para observar todas essas coisas, sem julgamento, significa que você está lidando com o passado e dissolvendo-o através do poder de sua presença. Não é procurando no passado que você vai se encontrar. Você vai se encontrar estando presente. O passado não consegue sobreviver diante da sua presença, só na sua ausência.

“Seja como um servo esperando pelo retorno do seu senhor”, diz Jesus. O servo desconhece a que horas o senhor vai chegar. Então fica acordado, vigilante, para não perder a chegada do patrão. Em outra parábola, Jesus fala das cinco mulheres descuidadas (inconscientes) que não tinham levado azeite suficiente (consciência) para manter as lâmpadas acesas (ficar presente) e, assim, perderam a chegada do esposo (o Agora) e não participaram das bodas (iluminação). Essas parábolas não são sobre o fim do mundo, mas sobre o fim do tempo psicológico. Elas apontam para a possibilidade de se viver num estado inteiramente novo de consciência.

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Por mais de trinta anos, um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida.

– Tem um trocadinho aí pra mim, moço? – murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.

– Não, não tenho – disse o estranho. – O que tem nesse baú debaixo de você?

– Nada, isso aqui é só uma caixa velha. Já nem sei há quanto tempo sento em cima dela.

– Nunca olhou o que tem dentro? – perguntou o estranho.

– Não – respondeu. – Para quê? Não tem nada aqui, não!

– Dá uma olhada dentro – insistiu o estranho, antes de ir embora.

O mendigo resolveu abrir a caixa . Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.

Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas, sim, de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: “Mas eu não sou um mendigo!”

Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza – a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável – são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.