As artes da Grécia e da Roma antigas caracterizam-se por um senso de proporção, harmonia e equilíbrio. Desde o Renascimento, a decoração clássica tem muitas vezes servido como proveitosa fonte de ideias para os arquitetos e as figuras clássicas têm enriquecido a obra de poetas, pintores e escultores. De maneira geral, a forma clássica tem exercido uma ampla influência sobre todas as artes nos últimos 2.500 anos.
Essa influência vem em parte da arquitetura, escultura e cerâmica remanescentes (que tem sido pesquisadas, coletadas e catalogadas com relativo sucesso desde o século XVIII) e, em parte, de textos dos antigos sábios romanos. Entre estes sábios estava Vitrúvio, séc I a.C, cujos textos sobre arquitetura inspiraram Paládio no séc. XVI e Filostrato, séc. II/III, ambos estudados por Mantegna e Rubens em busca do conhecimento das obras desaparecidas dos pintores gregos Apeles e Zêuxis.
Embora atualmente até mesmo fragmentos de potes gregos sejam valorizados, os próprios gregos e romanos eram mais materialistas e preferiam peças elaboradas em ouro e prata. Os artigos em metais preciosos eram os primeiros a ser saqueados ou fundidos em tempos de guerra ou escassez- assim, a maioria dessas obras desapareceram. Restaram, no entanto, as descrições de enormes quantidades de esculturas e vasos feitos em ouro e prata, materiais preferidos pelos melhores artesãos, em relicários, templos e nas casas dos ricos.
O Período Arcaico
O remanescente da arte grega arcaica ( séc. VI e início do séc. V a.C.) consiste principalmente em mármore, cerâmica e algumas peças de bronze. Os artigos de luxo são representados por brasões esculpidos em pedras semipreciosas, jóias e moedas. Além do bezerro de prata em Delfos, talvez o mais impressionante objeto do período ainda existente seja o gigantesco Vaso de Vix, com um metro e sessenta e quatro de altura, utilizado para misturar vinho. A estatueta de uma mulher na tampa e os guerreiros na frias do pescoço do vaso mostram o famoso sorriso enigmático conhecido como " sorriso arcaico", característico de boa parte da escultura ainda no séc. V a.C - costumamos vê-lo nos kouroi (rapazes) e korai (virgens) em mármore de autoria desconhecida, ou na decoração pintada da cerâmica grega arcaica.
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| Kouros em mármore da Grécia Arcaica. Inspirados em exemplares egípicios, os jovens nus eram caracteristicamente esculpidos na posição de caminhada, tendo os punhos cerrados. |
O Período Clássico
No período clássico ( séc. V e IV a.C. ) há também marcada discrepância entre o que existe e o que sabemos que existiu. A escultura em mármore que um dia adornou o Paternon de Atenas é considerada um exemplo do ideal clássico; em geral, nos esquecemos que seu custo representa cerca de 4% do custo total do edifício e que 50 % foram destinados à estátua cultuada de Atenas Partenos, feita por Fídias em ouro e marfim. Com vinte e seis metros de altura e um total em ouro avaliado atualmente em vinte milhões de dólares, esta e a outra grande obra-prima de Fídias, o Zeus de Olímpia, foram considerados pelos gregos as maiores obras em seu tempo, sendo este útlimo o mantido pelos descendentes de Fídias ainda no século II. Contudo, o metal precioso de que era composto foi retirado por Constantino, o primeiro imperador cristão, e o restante levado para Constantinopla, onde foi destrído pelo fogo no século V. Entretanto, resta ainda a imagem de uma majestosa divindade na posição sentada e com barbas, adotada pelos artistas bizantinos gregos como modelo para o Cristo Pantocrador ( até então o Cristo era imberbe ) e base da poderosa imagem que perdura inda hoje.
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| Cerâmica vermelha e negra da Grécia Clássica, pintada por Exekias, 550-525 a.C. um dos melhores pintores da Grécia. |
A cerâmica pintada predomina no quadro atual da Grécia clássica, embora seu papel na Antiguidade esteja sendo reavaliado. A maioria das peças é proveniente dos túmulos etruscos ricos, que possivelmente a utilizavam em substituição a vasilhames de prata de mesa. A cerâmica vermelha e negra lembra o surgimento do vasilhame de pátina ("oxidada") de prata, ornamentada com estatuetas de ouro. Um pouco do imaginário foi preservado nas poucas peças da prataria clássica que escaparam do cadinho. O que restou das grandes pinturas clássicas foram descrições contemporâneas impressionantes sobre a habilidade dos grandes pintores na representação da natureza. As pinturas clássicas apresentaram uma visão idealizada do passado, contada à luz das recentes vitórias dos gregos sobre os persas; a arte alegórica foi outra importante contribuição da Grécia.
O Período Helenístico
As conquistas de Alexandre, o Grande (entre elas, a apreensão de 4680 t de ouro e prata dos persas) o engrandeceram mais do que sua contribuiçõ pra as cidades-estados gregas. Houve até um plano de esculpir a penísula de Atos (32 km de comprimento) na forma de um Alexandre reclinado. As cidades de Alexandria, no Egito, Antióquia, na Síria, e Pérgamo, na Ásia Menos (atual Turquia), foram importantes centros artísticos. O grande altar de Zeus de Pérgamo (hoje em Berlim) nos dá uma ideia do esplendor helênico. A "Taça Farnese", atualmente em Nápoles, é uma das poucas peças restantes da arte palaciana do período. A cerâmica vermelha de molde reflete o uso de vasilhames de ouro na mesa dos ricos.
A Arte Romana
Roma foi a sucessora de toda essa arte. A simplicidade da república deu lugar ao luxo extravagante dos Césares. Mais uma vez, temos apenas remanescências de poucas das grandes edificações, outrora cobertas de mármores exóticos e ricos mosaicos. Os afrescos e mosaicos de Pompeia e Herculano representam uma pequena amostra do que existiu. Os escultores recebiam encomendas de retratos do imperador para serem expostos em todo o Império e para decorar monumentos públicos, como a Coluna de Trajano ou o Arco de Constantino, com versões idealizadas dos triunfos imperiais e expressão da propaganda oficial. Descobertas fortuitas, como o Tesouro de Hildeshein, nos dão uma ideia da grande habilidade empregada na produção de baixelas de ouro e prata. Existe uma certa quantidade de artefatos em vidro remanescentes, mas raramente eram considerados artigos de luxo,assim como a cerâmica. Entretanto, a cerâmica de Arretino preserva algo da aparência das obras em ouro que foram perdidas.
Fonte: Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais, Istoé Guiness, Editora Três, 1995.
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| Sete Atores nos Bastidores, mosaico Romano de Pompéia. |


