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domingo, 3 de maio de 2020

A arte - a expressão do sublime e a necessidade de transcedência

O homem primitivo não se via distinto da natureza, tinha uma integração cósmica com o universo. Ele o concebia uno, inteiro, algo do qual, de algum modo, fazia parte. Mas, desde que tomou consciência de si, teve necessidade de transcendência, ou seja, de ultrapassar os limites da matéria, do mundo físico, de buscar um elo entre a fugacidade aparente da vida e a eternidade. O ser humano vem tentando desvendar os mistérios da origem e de além-morte.

Quando seus questionamentos se perderam entre esses extremos pontos-de-interrogação, surgiu o primeiro deus. A esse deus seguiram-se outros para os quais erigiu altares, procurando materializa-los em carvão, pigmentos e pedras, numa tentativa, não só de responder a suas dúvidas, mas também de apaziguar as forças selvagens da natureza, de enfrentar as batalhas a serem travadas com o mundo hostil que provocava insegurança e medo. Criou mitos, rituais e pintou e desenhou tudo isso, além da morte em transparências metafísicas para poder enfrentá-la. 

O homem primitivo registrou imagens plenas de significado nas paredes das cavernas. Essas cenas, mais do que instantâneos extraídos de seu cotidiano, procuravam representar sua percepção cada vez mais acurada do meio em que vivia, suas descobertas, bem como suas tentativas de contatos mágicos.

Num sentido mais amplo, o homem  observava os ciclos da vida e das coisas que desafiavam sua curiosidade infinita. Ele fez associações, verificou certas constâncias que pareciam apontar para regras e sistemas, e, embriagado de razão, tem caminhado no eterno desvendar do cada vez mais amplo mundo da matéria.

Mas há uma parte da natureza humana que não se alimenta apenas da interação com o mundo concreto. Há caminhos mais abstratos a percorrer, sentimentos e necessidades que nem sempre são objetivos ou equacionáveis. A arte procura expressar essas necessidades e sentimentos. 


Adaptado e inspirado de trecho do livro A arte literária brasileira - Editora Moderna.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Religiões Antigas

Os primeiros indícios de atividade religiosa datam de 30 000 a 10 000 a.C. Pinturas rupestres encontradas na França, datadas de 20 000 a 11 000 a.C. mostram rituais aparentemente ligados à caça, e estatuetas que remontam 25 000 a. C. sugerem uma deusa mãe ou figura ligada à fertilidade. O desenvolvimento da escrita no Oriente Médio antigo, por volta de 3000 a.C., revela a existência de grande variedade de crenças e práticas religiosas.

Os cultos da antiguidade, com exceção do zoroatrismo e do judaísmo, eram politeístas e os deuses, organizados em grupos hierárquicos ou familiares.

O Oriente Médio  

Os povo do Levante glorificavam vários deuses sob o comando de El, "Criador das Coisas Criadas", e seu complemento, Asherah (deusa-mãe).Baal (deus da tempestade) é auxiliado pela sua irmã e defensora Anat ( deusa da feritilidade e da guerra) em sua luta como Yam (senhor dos mares) e com Mot ( morte e esterilidade). Uma terceira deusa associada à fertilidade é Astarte, a versão cananeia de Ishtar, deusa-mãe semítica. As práticas religiosas parecem ter consistido, em grande parte, de sacrifícios animais e ocasionalmente humanos, encenaçao de mitos e decretação de casamentos sagrados. Os reais eram considerados seres divinos.

Na Mesopotâmia, cada cidade suméria tinha suas próprias divindadaes, embora muitas tenham sido incorporadsa aos tipos dominantes.( Nanna- Lua, Utu- Sol, Anu-céu, Ea-tempestade, Enki - Terra, Inanna- a deusa-mãe, equivalente à Ishtar semítica). As religiões dos acadianos, babilônios e assírios conservaram muitas das características sumérias, adaptadas às suas culturas. Ligados à natureza, os deuses da Mesopotâmia também simbolizavam valores morais e sociais. Os cultos consistiam em oferendas de sacrifícios a imagens divinas. Nos templos ( blocos empilhados, conhecidos como zigurates) era narrado o mito da criação, proclamando a vitória de Marduk ( Babilônia) ou Assur (Assíria) sobre Tiamat (águas primordiais).

Cornunnos, o "senhor dos animais" dos celtos. Este relevo é um detalhe do Gundestrup Cauldron,
uma obra-prima do trabalho em metal da Idade do Fero, que data de aproximadamente 100 a.C
Na Anatólia (atual Turquia), o império hitita do segundo milênio antes de Cristo deixou poucas informações sobre assuntos religiosos. Muitos de seus mitos eram traduzidos de textos semíticos ou outros. O reinado frígio, que sucedeu os hititas, era o centro do culto a Cibele - deusa da Terra, cujos sacerdotes eram eunucos. Mais tarde,  este culto se disseminou pela Grécia e por Roma. No segundo milênio antes de Cristo, formou-se o grande império mitânico na Síria e no norte da Mesopotâmia, cuja religião incorporava diversas características encontradas nos vedas da Índia. Uma religião semelhante à dos vedas era praticada na antiga Pérsia.

Egito

Os faraós do Egito antigo eram vistos como seres divinos e chamados de "Horus" e "Filho de Ra". Ra era o deus Sol e senhor dos deuses. Como "Filho de Ra", o faraó incorporava o poder solar de dar a vida. Horus era filho de Ísis, a Mãe Divina, e Osíris, o deus da inundação, vegetação e dos mortos. Como Horus, o faraó personificava a renovação da vida e da fertilidade trazidas pela inundação anual da terra pelo Nilo. Para aumentar seus poderes, as divindades locais eram frequentemente unidas às oficiais; a mais importante era Amon, deus da invisibilidade que, por volta de 2000 a.C., foi associado a Ra e tornou-se Amon-Ra, cujo templo em Tebas tornou-se o mais rico do Egito. A efêmera "Revolução de Amarna" ( c. 1350 a. C) sob o reinado de Akhenaton promoveu o culto de Aton ( a divindade única representada pelo disco solar) em oposição a Amon-Ra.

Como os egípcios não conseguiam imaginar que a morte fosse diferente da vida no Egito, a preservação do corpo era essencial para a sobrevivência na vida após a morte. Alimentos, roupas e artigos de luxo acompanhavam  o corpo ao túmulo. Os mortos eram julgados pelos deuses do mundo subterrâneo, mas, munidos da Confissão Negativa, a negação de 49 possíveis ofensas contidas no livro dos Mortos - uma coleção de palavras mágicas e orações - garantiam uma vida após a morte segura e próspera.

Zoroatrismo

No Nordeste da Pérsia, no final do segundo milênio( por volta de 1200 a.C), um reformador religioso chamado Zaratustra (Zoroastro) pregava uma simplificação da antiga cosmologia politeísta. A vida pressupunha uma escolha entre Aura Masda ("espírito sábio") e Angra Mainyu (" espírito destruidor"), personificando o bem e o mal. Aura Masda era assistido por anjos, os amesha spentas ("espíritos bons"). O destino da pessoa após sua morte ( céu ou inferno) era determinado por sua própria escolha. O zoroatrismo, aparentemente a mais antiga " religião da salvação", tornou-se a religião nacional do império aquemênida. O dualísmo masdeísta (visão do mundo como uma luta entre o bem e o mal) pode ter influenciado o pensamento  grego e judaico antigo e ainda sobrevive na religião dos parses da Índia.



Grécia

Os textos na escrita Linear B da civilização micênica, primeiros escritos religiosos na Europa, mostram a importância de  Poseidon, deus dos mares, e da "Senhora" (presumidamente uma deusa-mãe ). Outras divindades, como Zeus e Hera, são citadas. Na poesia épica de Homero, os deuses eram imortais e imutáveis e viviam no Monte Olimpo, embora se portasseim como seres humanos, nem sempre bem-comportados. Podiam mudar de forma, intervir na vida dos homens e até alterar o destino destes (mas não sua natureza) em troca de presentes e orações. Os deuses do Olimpo foram imcorporados ao trabalho das sociedades secretas e aos cultos de cura e advinhação ( por exemplo, o
 oráculo de Delfos). Por volta do séc. VI a.C., faziam parte dos cultos oficiais das cidades-estados gregas. No entanto, a religião da Grécia antiga tinha pouca relação com a moralidade, e as considerações morais, metafísicas e científicas dos filósofos de Atenas dos séculos V e IV a.C. desafiavam a religião popular com ideias diferentes sobre Deus. As conquistsa de Alexandre, o Grande disseminaram o idioma e as ideias dos gregos por todo o Oriente Médio. A civilização helenística realizou uma fusão entre as culturas gregas e oriental. O culto aos deuses do Olimpo se disseminou, assim como a adoração de Ísis, do Egito, e de Cibele, da Frígia.

Templo de Atena na ilha de Lindos, Mar Egeu. O templo grego era basicamente uma casa para a divindade, representada por uma estátua. O foco da adoração era um altar, geralmente localizado na parte leste do edifício. A planta alongada do templo e a colunata externa sustentada por pilares eram características que distinguiam as residências divinas das seculares.

Roma



A religião romana baseuou-se provavelmente na etrusca e se relacionava ao calendário agrícola, dando origam a duas formas de manifestação religiosa: a devoção doméstica reconhecia os deuses do lar (lares e penates), enquanto o culto do Estado, comandado pelo sumo- sacerdote ( o pontifex maximus) e outras autoridades, assegurava o bem-estar da coletividade. Quando Roma se deparou co a cultura grega, as divindade do Estado foram identificadas com seus equivalentes do Olimpo. À medida que o império se expandia, seus exércitos traziam religiões estrangeiras para Roma. A mais importante, até a adoção do cristianismo no séc. IV. foi o mitraísmo, baseado na adoração de Mitra ou Mitras (o deus persa da luz, verdade e justiça), cujo sacrifício de um touro cósmico era aclamado por seus devotos em sacrifícios ritualísticos. Um culto de mistérios exclusivamente masculinos, o mitraísmo chegou a Roma no século I a.C. se tornou muit popular no exército.



A religião oficial resistia às inovações ou admitia sua existência apenas quando comprovadamente importantes. Homenagens divinas póstumas foram prestadas a Júlio César, a Augusto, a muitos de seus sucessores e a vários membros de família imperial. Nas províncias orientais do Império Romano, os imperadores vivos eram saudados como deuses.


Fonte: Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais, Istoé Guiness, Editora Três, 1995.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

O que é Religião?

A religião é uma das atividades mais universais conhecidas pela humanidade, sendo praticada por todas as culturas desde o início dos tempos. Contudo, não há uma definição de religião universalmente aceita. A religião parece ter surgido do desejo de encontrar um significado e proprósito definitivos para a vida, geralmente centrado na crença em um ser (ou seres) sobrenatural. Na maioria das religiões, os devotos tentam honrar e/ou influenciar seu deus ou deuses através de preces, sacrifício ou comportamente correto.

Atenção: não venho aqui com esse texto criticar ou expor minha opinião sobre religião, é um texto científico, isento de achismos. Gosto desse tema por ísso coloquei aqui para mais pessoas poderem ler e quero deixar claro que respeito todas as crenças. Comentários desrespeitosos serão apagados.

Surge a pergunta a respeito do que pode ser incluído no que chamamos de  de religião. Podemos, por exemplo, chamar o marxismo-lenismo de religião, ou humanismo ( a crença na humanidade e na razão no lugar de um deus)? Algumas pessoas poderia incluir tais crenças em uma definição moderna de religião como "qualquer coisa à qual oferecemos devoção absoluta"; contudo, tais crenças normalmente não incluem qualquer referência a um ser ( ou deus ) sobrenatural ou máximo. Portanto, é melhor descrevê-las como ideologias e não religiões, embora possam compartilhar muitas das características da religião.

Máscara da África Ocidental usada por curandeiros. Entre muitos povos há uma crença generalizada na magia, a habilidade de mudar o mundo físico atravpes de atos rituais. 


Crenças e práticas

A religião é feita tanto de crenças quanto de práticas. A teologia acadêmica ( especialmente no Ocidente e em relação ao cristianismo) tende a se concentrar na crença. Todavia é importante observar que em algumas sociedades não há uma palavra para religião. Não se trata de um compartimento separado da vida-é um modeo de compreender e viver a própria vida. Mesmo assim, é possível distinguir vários aspectos diferentes em quase toads as religiões. Uma classificação amplamente aceita identifica cinco aspectos: fé, culto, comunidade, credo e código.  A fé é a parte interna da religão; o que as pessoas acreditam, seus sentimentos, de temos e reverência, prece individual, etc. O culto é tudo o que está envolvido na devoção - construções, imagens, altares, rituais, canções sagradas, reuniões de comunidades e assim por diante. A comunidade é o aspecto social da religião- os devotos em um igreja ou templo específicos, a denominação ou seita mais ampla, monfes e freiras, etc. O credo envolve todas as crenças e deias mantidas pela religião como um todo, incluindo escrituras e dideis sobre Deus, anjos, o céu, o inferno e a salvação. O código envolve o modo que as pesoas se comportam devido a suas crenças religiosas e inlui éticas, tabus e ideias sobre o pecado e a santidade.

Famílias e religião

As religiões do mundo podem ser divididas em dois grupos principais - primitivas e universais. As primitivas incluem as religiões tradicionais da África, Australásia, Oceania, algumas regiões da Ásia e os povos primitivos das Américas, além das religiões pré-cristãs da Europa e religões de outros povos antigos. Essas religiões, embora diferentes em detalhes, possuem várias características em comum. Todas elas tendem a ser locais- são específicas para a tribo ou povo que as praticam - e seus praticantes geralmente não as consideram relevantes para outros povos. Dessa maneira, muitos dos mitos e histórias desse tipo de religião lidam com a origem de uma tribo específica. As religiões primitivas remanescentes (  animistas ) tendem a depender em grande parte da tradição oral em ve de escrituras e são geralmente não-missionárias.

O Festival do Ser Supremo na França Revolucionária em 1794. No início, da Revolução Francesa havia um sentimento anticristão considerável. Contudo, em poucos anos, a liderança revolucionária passou a acreditar que a religião era necessária para a estabilidade social e insutroduziu um culto do Ser Supremo.

As religiões universais acreditam ter importância para todo o mundo e tentam, com maior ou menos intensidade, converter pessoas. Além disso, em sua maioria, desenvolveram escrituras que desempenhas um papel central na religião. O islamismo e o cristianismo são exemplos característicos desse tipo de religião universal. Dentro do grupo universal, alguma famílias principais podem ser identificadas A família semítica inclui o judaísmo, o cristianismo  o islamismo, os quais compartilham de uma base comum histórica e geográfica. A família indiana é composta do hinduísmo, do budismo antigo, do jainismo e da doutrina dos sikhs. A família do Extremo Oriente inclui o confucionismo,  o taoísmo e o xintoísmo. Embora qualquer religião normalmente afirme ter sido inspirada por Deus, é importante lembrar que todas elas começam e se desenvolvem em situações históricas, geográficas e culturais específicas que influenciam e moldam a forma tomada pela religião.

Outra forma de classificar grupos de religiões é a distinção entre aquelas com um único deus ( monoteístas) e aquelas com vários deuses( politeístas ). As religiões monoteístas incluem o judaísmo, o cristianismo, e o islamismo. As religiões politeístas incluem as religiões antigas gregas e germânicas e várias religiões primitivas remanescentes.

Religião e secularismo

No século atual, particularmente no Ocidente, algumas pessoas têm notado sinais de declínio na religião e sua substituiçao pelo secularismo (uma crença de que o mundo físico é auto-suficiente e pode ser perfeitamente compreendido pelo discernimento da ciência moderna, sem consultas a explicações sobrenaturais). Embora seja evidente que em algumas sociedades haja um declínio na religião organizada, há poucas provas de que o mesmo ocorra em relação à religiosidade( sentimentos religiosos). Apesar de em muitos países do ocidente um número cada vez menor de pessoasestar frequentando regularmente a igereja, a maioria afirma acreditar em Deus. Tal comportamento podeindicar uma mudança nos padrões de religiosidade, e não necessariamente declínio. Um exemplo disso é o aumento de novos movimentos religiosos em sociedades ocidentais, oferecendo religiões alternativas não-disponíveis no passado. Desse modo, grupos como a meditação transcedental, a Igreja da Unificação  ( seita do reverendo Moon), a Self-Realization Fellowship( cuja organização faço parte), o movimento Hare Krishna e outros atraem seguidores porque, em uma época e mudanças rápidas, muitas pessoas estão desapontadas com religiões tracicionais, embora ainda conservem uma religiosidade básica.

Deve-se lembrar também que enquanto a religião organizada parece estar declinando no Ocidente, na maioria das regiões do mundo as principais religiões universais  especialmente o crisitianismo e o islamismo) estão aumentando a uma velocidade considerável. Desse modo, a religião- sempre presente e em constante mutação - continua sendo um fenômeno quase universal.

 Fonte: Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais, Istoé Guiness, Editora Três, 1995.