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domingo, 28 de julho de 2019

Notícia - novidade cultural!!

O Planetário Rubens de Azevedo (no centro Dragão do Mar, em Fortaleza) reabre ao público com novidades na programação e modernização tecnológica. Nele, foi instalado equipamento de última geração: o Zeiss modelo Skymaster ZKP4 LED com projetores digitais VELVET DUO de alta resolução, o mais moderno planetário da América Latina.

                            

Novas Sessões a partir de 11 de julho de 2019

Veja a programação, como ficou:

Às Quintas e Sextas: 18h, 19h e 20h.

18h - ABC do Sistema Solar ( sessão infantil )
19h - A Conquista do Espaço ( sessão juvenil - adulto )
20h - A Lenda da Princesa Acorrentada ( sessão infanto - juvenil - adulto )

Sábados e Domingos: 17h, 18h, 19h e 20h.

17h - Viagem no Foguete de Papel ( sessão infantil )
18h - A Conquista do Espaço ( sessão juvenil - adulto )
19h - A Terra as Galáxias ( sessão juvenil-adulto )
20h - Astronomia Asteca: entre o tempo e o espaço ( juvenil-adulto )


Sinopses:

ABC do Sistema Solar : Três crianças estão observando as estrelas quando percebem uma "estrela cadente" e logo uma delas faz um pedido: o desejo de fazer uma viagem até a Lua.De repente, as crianças são teletransportadas para uma nave espacial chamada "Observador". Após superar o medo inicial, elas fazem uma rica viagem pelo Sistema Solar visitando os planetas. Tudo em projeção Full Dome (em toda a cúplua - 360º x 180º).Durante a viagem, elas são teletransportadas para Marte e também Vênus, e passam por dentro dos anéis de Saturno. No final, fazem uma perigosa aproximação do Sol. Fantásticos efeitos especiais!

A Lenda da Princesa Acorrentada: Fascinante sessão programada para o público Infanto Juvenil, aborda a história mitológica das constelações.
Com imagens de altíssima resolução, a sessão apresenta objetos astronômicos como Nebulosas, Galáxias e Buracos Negros localizados nas constelações abordadas. Todas as projeções são Full Dome (em toda a cúpula 360º x 180º).

A Conquista do Espaço: A sessão "A Conquista do Espaço " resgata a história de 50 anos de viagens espaciais. Apresenta o desenvolvimento tecnológico desde o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial que orbitou a Terra, passando pelos os desembarques na Lua, até as modernas tecnologias desenvolvidas para a Estação Espacial Internacional e pousos de sondas em Marte. Mostra a história da competição dos sistemas políticos pela supremacia no espaço, a colaboração pacífica entre as nações nos dias atuais e os homens e mulheres que enfrentaram os riscos da viagem espacial. As projeções são Full Dome (em toda a cúplua - 360º x 180º). Sessões de quinta a domingo.

Viagem no Foguete de Papel: Crianças fazem uma viagem imaginária em um "Foguete de Papel" pelo nosso Sistema Solar. Com uma linguagem adaptada para o público infantil, a sessão apresenta informações atualizadas do Sistema Solar através de imagens com alta resolução em projeção Full Dome (em toda a cúplua - 360º x 180º). Sessões aos sábados e domingos as 17h.

A Terra as Galáxias: Com uma linguagem adaptada para o público Juvenil- Adulto, "Da Terra as Galáxias" faz uma viagem desde as primeiras concepções do Universo pelos povos antigos até aos confins do Universo, apresentando imagens impressionantes de objetos celestes discorrendo sobre as características físicas desses objetos. Todas imagens de alta
resolução em projeção Full Dome (em toda a cúpula - 360º
x 180º).

Astronomia Asteca: Através de imagens impressionantes e cenários imersivos, "Astronomia Asteca: Entre o Espaço e o Tempo", foi desenvolvida para o público Juvenil - Adulto e destaca a importância da observação astronômica para a evolução das culturas pré-hispânicas no centro do México. Os Mexicanas usaram o conhecimento calendárico e astronômico herdado das culturas anteriores para fundar a capital de seu império: Tenochtitlan. Com imagens em 4K, a sessão transporta o espectador para uma das culturas mais importantes que ainda vive no coração do povo mexicano.

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Devem ser adquiridos antes da sessão, na bilheteria do Planetário

Agendamento de escolas

No site: https://www.planetariorubensdeazevedo.com.br/ , no link “Agendamentos”.

Mais informações 85 3488.8639

Muito bacana, vale a pena conferir!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Exposição na Seara da Ciência retrata biodiversidade da caatinga

As belezas e curiosidades da fauna e flora da caatinga podem ser descobertas na exposição Caatinga um novo olhar – entre nesse clima, em cartaz até novembro na Seara da Ciência, equipamento de divulgação científica e tecnológica da Universidade Federal do Ceará. A visitação é gratuita e aberta ao público.

A mostra tem o objetivo de valorizar a biodiversidade regional e estimular a educação ambiental. Nela, os visitantes têm a oportunidade de ver imagens da fauna e flora do bioma, percorrer circuitos informativos sobre tecnologias sustentáveis, participar de jogos com dicas para preservação e conservação locais e ouvir o canto de 10 aves da região.

A mostra está aberta à visitação na sala 1 da Seara da Ciência (Rua Abdenago Rocha Lima, s/n, Campus do Pici), de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 12h e das 14h às 17h.




sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Feira da Escola de Artes e Ofícios

Quais seus planos para o fim de semana? Neste final de semana, a Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho (EAOTPS) realiza mais uma edição de sua feira de produtos criativos, desta vez no Parque do Cocó. A feira acontecerá nos dias 29 e 30 de setembro, das 16 às 20h, por ocasião do 3ª Ecléticos Livre Festival. Reunindo artesãos, alunos e ex-alunos da Escola, a feira traz produções artesanais em couro, bijuteria, cerâmica, renda e tecido, além de pinturas, esculturas e espaços de gastronomia. O acesso é gratuito e livre. As fotos abaixo são de uma outra edição desta feira.




Este festival traz ainda, além da feira de economia criativa, ações formativas e feira gastronômica, performances e shows musicais. No sábado (29), sobem ao palco a Banda 4 ventos (CE), Liga dos Ritmistas (CE), Estrela Leminski e Téo Ruiz (PR), NoPorn (SP) e Priscila Tossan (RJ). Já no domingo é vez de GhettoRoots (CE), Lia Paris (SP), Tuyo (PR) e Curumin (SP). Os shows, nos dois dias do festival, têm início às 16h e vai até 22h.

Que tal conferir? 

Resuminho: 
Serviço: 3º Fuxico da Escola – Feira de Produtos Criativos da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho
Dias: 29 e 30 de setembro
Local: Parque do Cocó (Av. Padre Antônio Tomás, próximo ao Anfiteatro do Parque)
Horário: das 16h às 20h
Mais informações: (85) 3238.1244

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Bairro Vila união

Vila União: comunidade se inspirou no Universo para batizar o local


Dizem que o planeta Terra é apenas um grão de poeira, quando comparado à imensidão do universo. Talvez essa afirmação seja colocada em xeque, já que existe um lugar em Fortaleza onde cabe toda a nossa galáxia em uma área de, aproximadamente, 38 mil metros quadrados. É o Planalto Universo, um conjunto habitacional criado no bairro Vila União para receber famílias que viviam em áreas de risco, em especial as das comunidades da Maravilha e da lagoa do Opaia.

O local é um convite ao estudo da astronomia. Via Láctea - o “Caminho do Leite” - é a galáxia onde se encontra o nosso Sistema Solar. Ela possui um formato espiral e tem um diâmetro calculado em cem mil anos-luz. Já a “Via Láctea fortalezense” é reta, possui 500 metros de comprimento e, nela, habitam moradores um tanto quanto desconfiados, reticentes ao primeiro contato. Dava até a sensação de que éramos “alienígenas”.

O jeito foi seguir pela rua do Sol, um local mais familiar a nós, terráqueos. Como no nosso Sistema Solar, a rua liga todos os planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Neturno (sic). Até Plutão, que não é mais considerado planeta, tem seu quinhão no Planalto Universo.



A presidente da Associação de Moradores do Planalto Universo, Maria Alvanir da Silva, 62 - mais conhecida como Catarina - diz que o nome da comunidade foi escolhido em eleição com os moradores. “Foi uma votação com vários nomes, para saber qual era o mais bonito. E a gente escolheu esse: Planalto Universo”, explica.

Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar (atrás somente de Júpiter) e tem como principal característica a existência de anéis girando em sua órbita. É onde mora a aposentada Socorro Ribeiro, 66, que está no residencial há oito anos e faz parte de uma das famílias retiradas da lagoa do Opaia. “Lá, enchia tudo d’água quando chovia. Hoje, a morada está ótima”, afirma.

“Quando cheguei, senti um alívio grande em saber que não ia morar mais em área de risco. Gosto daqui porque é um lugar calmo, sem violência nenhuma. Gosto muito da minha moradia”, diz a dona de casa Nelice Ferreira, 53.

“Carandiru” não!

Quer ver os moradores ficarem “tiririca da vida”? Basta chamar o conjunto pelo nome informal: Carandiru. “Aqui é o Planalto Universo. Não é Carandiru. Não moro em presídio. Isso é coisa de gente que não valoriza o local onde mora”, reclama a catadora Maria de Fátima Albuquerque, 58, conhecida como Ronaldinha. O nome teria surgido pela fama de violência do lugar. Algo que não é confirmado nas rodas de conversas “interplanetárias” nas ruas e os habitantes de “todos os planetas” exercitando-se tranquilamente, ao fim do dia, no calçadão da rua do Sol. 

Pracinha de Nossa Senhora

A praça foi batizada pelos moradores do Planalto Universo e é cuidada pelos próprios moradores. “Nela, são realizadas missas e terços. Sou eu que cuido e a gente (moradores) pinta os bancos”, afirma Maria Alvanir da Silva (Catarina).

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Raridade!


 Olha a raridade - um filme (O homem de papel) de 1976 filmado totalmente em Fortaleza. Várias imagens da capital cearense à época. (via Angelique Abreu)

Assita em : https://www.youtube.com/watch?v=qq--uTtnBD0&feature=share




Fonte: https://www.facebook.com/airton.defarias.7/posts/873993419342111


terça-feira, 7 de junho de 2016

Bairro José Walter

Não é novidade para ninguém que o Conjunto Prefeito José Walter é conhecido como o “bairro dos cornos”. Mas os moradores fazem questão de desmentir essa fama.

Nada melhor do que um bar para debater essa questão. No bar do Paçoca, um dos mais badalados do Zé Walter, o montador eletricista Francisco Viana, 52 anos, garante que o bairro não tem mais tantos cornos assim. “Os primeiros que chegaram aqui eram ‘tudo’ corno. Mas, hoje, a maioria foi embora. O bairro não é de ‘cornagem’”, garante Viana, que já fez até cálculos e chegou à conclusão de que o número de galhudos “caiu uns 93%”, o que deixaria o lugar na média do restante da cidade.


Não faltam hipóteses para a origem da fama. O dono do bar, Carlos Augusto (Paçoca), 50, lembra que, por ser um conjunto habitacional, no início, as casas eram iguais. E acontecia, uma vez ou outra, de o cidadão entrar no domicílio alheio. “Inclusive, teve um lance desse com o meu pai. Ele entrou na casa do vizinho e, quando notou a mulher diferente, disse: ‘Valha aqui não é minha casa, não’”. O povo maldoso é que via coisa onde não existia.

Outra causa apontada é o fato de o Zé Walter ser um bairro com muita mulher bonita. “Daqui já saíram três miss Ceará. Que outro bairro teve isso? Nenhum!”, conta orgulhoso Haroldo Torres, 50.

O aposentado João Pedro Vilarreal, 71, sentado em outro bar, narra história totalmente diferente: “A gente tinha um problema de transporte. O bairro era distante demais e tinha apenas uma linha da empresa Nossa Senhora de Fátima. E as pessoas diziam: ‘Isso aqui é lugar pra corno’”.

Há quem reclame que a fama foi espalhada pelo humorista Falcão, o que é negado categoricamente por ele: “O José Walter foi o primeiro conjunto habitacional (de Fortaleza) e ficava no meio do mato. Como era um bairro dormitório, os maridos iam trabalhar e as mulheres ficavam em casa. Daí vem a fama de bairro dos cornos, que é antiga, do final da década de 70. Eu ‘apenasmente’ comento o fato”.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Seminário da Prainha

O Seminário da Prainha situa-se na confluência das avenidas D. Manuel e Monsenhor Tabosa, junto à Praça do Cristo Redentor, próximo ao Centro da Cidade, no antigo bairro Outeiro da Prainha. O prédio é contíguo à Igreja de N. Sra. Da Conceição da Prainha e os dois edifícios compõem um conjunto arquitetônico de interesse histórico e artístico na cidade.

Seminário da Prainha

O terreno onde se localiza o conjunto situa-se em cota elevada, próximo ao mar, de onde anteriormente, descortinavam-se visuais panorâmicas do litoral fortalezense.

Data de tombamento: Decreto nº 29.487, de 14 de outubro de 2008.

domingo, 22 de maio de 2016

Bairro Jóquei Clube

O bairro Jóquei Clube é um sexagenário que ainda está em fase crescimento. A região passa por um verdadeiro boom imobiliário, devido a construção de grandes empreendimentos, como hospital, shopping e edifícios residenciais.
Situação bem diferente da vivenciada na infância por Wagner Fraga, 45, diretor da escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. “Aqui era só areia e barro. Hoje, temos uma evolução boa, com uma infraestrutura forte. O que falta mesmo é só a rede bancária”, comenta.



No último dia 5 de outubro, o Jóquei Clube completou 63 anos de criação. O embrião do bairro foi o hipódromo Jockey Club Cearense. Aos poucos, ele foi atraindo moradores para a região.

O primeiro imóvel foi construído onde hoje localiza-se o parque “Ecopoint”. Porém, antes o local era chamado de sítio Gluck-auf e foi adquirido pelo alemão Franz Wirtzbiki, em 1932, segundo informações do site do parque.

Uma das características mais marcantes do bairro é o clima de amizade entre as pessoas. Ao cair da noite, ao invés de se trancafiarem em casa, os adultos botam a cadeira na calçada, os coopistas lotam o canteiro central da avenida Lineu Machado, um grupo bate-papo no barzinho e as crianças brincam nas ruas ou pracinhas.

O desafio, agora, é crescer sem abandonar as raízes. “Esse é um povo bairrista, moleque e, aqui, todo mundo se conhece. Com o aumento do valor imobiliário, muitas pessoas começaram a vender as casas porque não podiam mais se manter no bairro. O lado ruim, também, é que o trânsito e os assaltos devem aumentar”, avalia Ednaldo Duarte, 41, mais conhecido como Dady.

Ele faz questão de ressaltar os momentos de integração da comunidade, como a realização, há 23 anos, da festa junina nas ruas do bairro. Além disso, Dady também organiza a festa do Dia das Crianças e uma homenagem aos idosos no Natal. 

O sapateiro João Bosco, 69, é um dos maiores contadores de histórias do bairro. Morador do bairro desde 1964, ele relembra que o hipódromo Jockey Club era um local movimentado no início da década de 90. Segundo ele, o famoso palhaço Tiririca montou o primeiro circo na rua onde mora. “Isso foi na década de 80. Depois ele cresceu e hoje é deputado”, diz.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Bairro Conjunto Ceará

Construído para que as famílias pudessem morar “muito melhor”, como convidava um anúncio no O POVO de 1977 - ano de inauguração do que hoje é bairro, o Conjunto Ceará cresceu, mas não deixou de lado seu espírito de conjunto - no melhor sentido que a expressão pode ter. Por ali há serviços que dispensam viagens ao distante Centro da cidade, há convivência nas calçadas, há comunidades.
Mas, talvez pela lonjura da região mais visada de Fortaleza, os moradores reclamem de certo descuido do poder público com a região - especialmente quando o assunto é segurança pública. “O clima por aqui não tá muito bom não por causa da questão da segurança. Na minha rua, à tarde, o pessoal não sai nem pra fazer compra com medo”, lamenta a professora Antônia Pereira de Sales, de 60 anos. Antônia mora na terceira etapa do bairro desde 1979. “Fui assaltada em frente à delegacia”, comentou a gerente financeira Cecília Matias, 19.

Apesar dos percalços e da insegurança “que tem em toda etapa”, a professora aposentada Vilani Vasconcelos, 59, diz que os avanços não afastaram as pessoas do convívio. “Aqui o clima é maravilhoso. Continua quase todo mundo na rua, no campo tem atividades, torneio”, conta, mostrando o campo de futebol na frente de casa. Moradora do Conjunto Ceará há 30 anos, Vilani lembra que foram muitas as transformações do bairro. “Era bem mais precário. Tinha dificuldade de ônibus, poucas farmácias. Mas antes a gente ia dormir às 2h da manhã. Agora dá 11h (da noite) e tem que entrar”, diz.

Moradora da segunda etapa, a dona de casa Branca da Costa Leite, 67, também se recorda dos percalços vividos pelos primeiros moradores. “Era um deserto, sem conforto. A gente sofreu muito no início”. O tempo passou e dona Branca avalia que as promessas nos tempos da construção do conjunto ainda não foram totalmente cumpridas. “Não tá bom ainda. Tem muito a crescer. E tá demorando, viu”. Mesmo assim, a tranquilidade é apontada como ponto muito positivo do Conjunto Ceará.

O radialista comunitário Valdeci Martins, 54, morador do bairro há 33 anos, lamenta a infraestrutura atual e define o Conjunto Ceará: “somos uma cidade dentro da cidade”.



terça-feira, 10 de maio de 2016

Bairro Passaré

Passaré: o bairro com "cheiro" de verde e brisa no meio da tarde



O frescor da brisa no meio da tarde é um alento para a quentura cada vez mais insuportável de Fortaleza. O “cheiro” de verde toma conta das ruas mais próximas. Os privilegiados pela natureza são os moradores do Conjunto Sumaré, localizado no bairro Passaré. Eles contam com uma grande área verde, próximo à praça do bairro, que margeia o trecho do rio Cocó que passa pela região.

Além disso, a existência do Horto Municipal Falconete Fialho e do Zoológico Sargento Prata também contribui para a qualidade de vida e climática do Passaré. Segundo dados da Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), dos 7,16 km² do bairro, 2,81 km² são compostos de áreas verdes (39%).

O contato estreito com o meio ambiente está no embrião do bairro, que nasceu do antigo Sítio Passaré, pertencente ao ex-prefeito de Fortaleza e historiador Raimundo Girão. Em 1965, O POVO noticiava a desapropriação de parte das terras para a construção do Horto Florestal. Em 1978, foi a vez da transferência do Zoológico Municipal para o horto. Antes, ele era localizado no Parque da Liberdade (Cidade da Criança), no Centro.

Os primeiros moradores lembram que poucas residências existiam no Passaré há algumas décadas. “Só tinham três famílias quando a gente chegou. Não existia banco nem supermercado. A gente precisava trazer tudo no Centro. Até o pão do café da manhã”, relembra a funcionária pública Janeide do Nascimento, 55.

Situação bem diferente dos dias atuais. O bairro passa por um “boom” imobiliário. Por onde se olha, há casas ou apartamentos sendo construídos. Serviços e infraestrutura também melhoraram, comentam os moradores. Para o ambulante Francisco Martins, 65, a localização privilegiada é a justificativa para o crescimento da região. Devido à grande extensão territorial, o Passaré é dividido em conjuntos, como: Sumaré, Residencial Passaré, Jardim União, Jardim Castelão, Barroso II, Novo Barroso e os loteamentos Santiago de Compostella e Novo Passaré.

Mesmo com o crescimento, os moradores não abrem mão dos espaços verdes. “A gente preserva essa área verde aqui (nas margens do rio Cocó) porque já tentaram invadir muitas vezes”, afirma o comerciante Antônio Alberto Uchoa Monteiro, 64, que integra o Conselho Comunitário do Conjunto Sumaré.

Na praça do conjunto (ainda não batizada), muitas pessoas aproveitam o espaço livre para fazer atividades físicas, como caminhadas, jogos de futebol e passeios de bicicleta.

A praça foi construída pelo cunhado de dona Janeide, o militar Lourival Soares de Aquino, já falecido. Segundo ela, primeiro foi construída uma capela no local, em 1983. Antes, não havia local adequado para celebração de missas. “Ele (Lourival) fez uma proposta a mamãe. Pediu que ela assumisse as despesas da casa porque ele ia usar todo o dinheiro dele para construção da capela”, relembra Janeide.

Em seguida, Lourival passou a plantar árvores nos arredores da capela, com o intuito de que, futuramente, o local fosse transformado numa praça. Foi o que aconteceu. Recém-reformada, hoje ela é zelada por toda a comunidade. Hoje, os moradores discutem qual nome colocar nela. Seu Antônio Alberto defende que seja o de Lourival Soares, numa homenagem ao fundador. Seria mais do que justo. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Rodolfo Teofilo

No final do século XIX e começo do século XX, o Ceará conheceu um importante farmacêutico e escritor: Rodolfo Teófilo. O importante legado na literatura, na saúde pública e como político rendeu-lhe uma homenagem em forma de bairro.

“Faz uns 40 anos que passou a ser Rodolfo Teófilo”, afirma a aposentada Maria José Acário, 76. A mãe dela, dona Nazira, é que não aprovava a mudança. “Não conheço este homem. Aqui é Porangabuçu”, dizia ela inconformada. Até hoje, o antigo nome é lembrado através da lagoa, que preserva o nome Porangabuçu.

A história do bairro está muito ligada ao da sua igreja, a paróquia São Raimundo Nonato. Segundo o padre Brendan Callanan (batizado de padre Brandão pelo povo do bairro), a primeira capela foi construída nos anos 40. ”Foi feita quando eu era pequenininha”, relembra dona Maria José.

Paróquia São Raimundo Nonato

Em 1962, os padres redentoristas vindos da Irlanda chegaram ao Brasil. Alguns foram para o bairro e o local passou a ser uma paróquia. Entre os redentoristas que desembarcaram no País, estava padre Brendan, que também já trabalhou em outros estados nordestinos.

“Os redentoristas tiveram um papel importantíssimo para o crescimento deste bairro”, avalia Maria José. Eles fundaram três escolas na região: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (hoje um Centro de Formação localizado em frente a igreja), São Raimundo e Colégio dos Redentoristas (atual sede da Guarda Municipal). “Meu filho e meus sobrinhos estudaram lá (no Redentorista)”, afirma dona Maria José, o que garantiu uma formação sólida aos meninos, já que eles “eram duros na educação”.

A aposentada Rosenira de Oliveira, 61, lembra com saudades dos tempos em que trabalhou na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. “Trabalhei aqui por quase 20 anos. Era muito bom. Numa época dessa (final de ano), estaria muito animado”, conta. Dos quatro filhos dela, três filhas estudaram na escola.

Uma característica ressaltada pelos moradores é a preservação do hábito de sentar na calçada para conversar. “Para nós, (o Rodolfo Teófilo) está entranhado no espírito. É um bairro bom de se morar e relativamente calmo, face a outros bairros”, comenta Maria José.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Bairro Parangaba

Dia 31 de outubro de 1921. Há quase 91 anos, o então distrito da Porangaba tornava-se bairro de Fortaleza. Beirar o centenário já seria motivo suficiente para fazer da Parangaba um dos mais importantes bairros da Capital. Só que o bairro também preserva um importante legado histórico e cultural. 
Uma das mais antigas manifestações culturais do Ceará é realizada na Parangaba. Não se sabe ao certo quando a famosa Festa dos Caboclos começou, mas vem desde quando a Porangaba (nome original da área) era um aldeamento indígena.


Segundo o historiador e mestre em preservação do patrimônio cultural, João Paulo Vieira, a celebração consistia na peregrinação de uma coroa de espinhos – feita de ferro -, doada pelo padre Francisco Pinto, um dos primeiros jesuítas a chegar ao Ceará. 
“É algo muito antigo e começou porque essa região era povoada por diferentes tribos indígenas. A festa foi criada para unir, era um sinônimo de paz”, informa o padre Jovanês Vitoriano, há um ano à frente da paróquia Bom Jesus dos Aflitos.


Segundo o padre, a peregrinação envolvia outras cidades, como Maranguape e Viçosa do Ceará. Como era feita a cavalo ou a pé, a manifestação durava meses. Durante o percurso, donativos eram recolhidos para a Igreja.

Atualmente, a Festa dos Caboclos é chamada de Festa da Coroa de Bom Jesus dos Aflitos. Ela acontece, anualmente, entre os meses de setembro e janeiro. A coroa de ferro passa por diferentes capelas da região e volta à igreja matriz no dia 23 de dezembro, quando sobe de volta ao altar e é postada acima da imagem de Jesus Cristo.
  
A região onde hoje fica o bairro da Parangaba começou a ser habitada no século XVI. Segundo João Paulo, que também é morador do bairro, o local serviu de refúgio para os índios potiguaras. Eles viviam no atual território do Rio Grande do Norte e fugiam dos primeiros contatos com os colonizadores, ocupando também outras áreas do litoral cearense. 
Em 1656, é fundado o primeiro aldeamento jesuítico na área, com o objetivo de catequizar os índios. “Eram três aldeamentos ao redor de Fortaleza: Porangaba, Messejana e Caucaia”, explica o historiador.

No ano de 1759, a aldeia passa a se chamar Vila de Arronches. Ela fica nesta condição até 1835, quando é transformada em distrito de Fortaleza, permanecendo nesta condição até 1921.

No século XVIII, o antigo Arronches destaca-se como ponto de intermediário no transporte de gado, com a estrada doBarro Vermelho-Parangaba, estrada que ligava o Barro Vermelho (Antônio Bezerra) - Parangaba; e a Estrada da Paranjana, estrada que ligava Messejana a Paragaba.

Com a construção da Estrada de Ferro de Baturité, uma estação de trem é instalada em 1873, a Estação de Arronches, e Parangaba estava ligada com a Capital. Em 1941, a malha ferroviária de Parangaba é expandida com direção ao Mucuripe e em 1944 o nome da estação é alterada para Parangaba. Esta estação é nos dias de hoje parte do metrô de Fortaleza.
A Igreja de Bom Jesus dos Aflitos é um dos bens históricos mais importantes da Parangaba. Ela, inclusive, é tombada pela Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor).

Segundo os registros da igreja, a primeira capela da região data de 1609. Depois, é fundada a primeira igreja, com o nome de Nossa Senhora das Maravilhas.
A paróquia é impedida de funcionar entre 1835 e 1875, até que novamente é recriada com o nome de Bom Jesus dos Aflitos. Segundo a Secultfor, é neste momento que é edificada a atual estrutura da igreja.

O padre Jovanês Vitoriano explica que a igreja matriz compõe uma das chamadas “quatro igrejas irmãs”. “As igrejas de Messejana, Parangaba, Caucaia e Viçosa foram iniciadas no mesmo período e possuem estruturas semelhantes”, explica.


Jovanês conta que os moradores do bairro são “muito tradicionalista”. Ele também diz que a maioria dos frequentadores da paróquia não mora mais no bairro. “Acho que moravam aqui, saíram, mas se afeiçoaram a igreja e continuam vindo”, diz.

A lagoa da Parangaba já secou

O taxista Valdir de Oliveira Sarmento, 80, afirma ser um dos mais antigos moradores da Parangaba. E foi testemunha de um fenômeo inusitado: o dia em que a lagoa da Parangaba - a que possui o maior volume de água em Fortaleza - secou.
Apesar de seu Valdir não lembrar do ano do acontecido com exatidão, ele explica que foi “na época da guerra dos americanos”, referindo-se a II Guerra Mundial. “Na época, eles (soldados) ficavam no Pici e houve um período de seca. E eles vinham com aqueles caminhões e tiravam muita água da lagoa para usar na base. Até que secou total”, relembra Valdir.

O historiador João Paulo Vieira conta que, segundo os antigos moradores, existia apenas um riacho onde, hoje, existe a lagoa.  “Ele teria sido construída num período posterior ao aldeamento”, comenta João Paulo. Isso teria ocorrido porque a areia foi retirada do local para a construção das casas.

Valdir Sarmento lembra que, ao chegar no bairro, “era tudo areira. Não tinha nada de calçamento”. Ir ao Centro de Fortaleza era como viajar a outra cidade. “O pessoal só andava de jipe e boi. Era muito complicado, porque tinham poucos carros na época”, diz.

Bairro está em fase de forte crescimento

O bairro da Parangaba passa por um período de forte desenvolvimento. Uma sério de investimentos públicos e privados são realizados no bairro. Por exemplo, a Parangaba promete ser um diferencial em relação ao transporte público, reunindo um terminal de ônibus, o metrô e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).


Segundo ele, havia um apego muito forte a história dos imóveis. O mais estranho é que Tatu (como é mais conhecido no bairro) preserve, na barbearia onde trabalha, um mobiliário antigo e cadeiras que já contam com mais de 150 anos.

A diretora da holding do Grupo Marquise - responsável pelas obras do shopping Parangaba -, Carla pontes, destaca que a Parangaba tem uma posição geográfica bastante estratégica na Cidade, localizando-se numa região central de Fortaleza. “É um bairro que cresceu muito nos últimos anos”, afirma. Ela também destaca a importância cultural da Parangaba. “O shopping pretende promover eventos de resgate da cultura do bairro”, adianta.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Bairro de Fátima

Sem dúvida, Fátima é um dos bairros mais queridos de Fortaleza. Há algo nele que desperta a simpatia dos fortalezenses. Com ótima localização e sem (ainda!) o excesso de agitação de outros bairros nobres - como a Aldeota -, o Bairro de Fátima assume um perfil mais discreto. Familiar. E um tanto enigmático, com muitas ruas descontínuas, que se interrompem e entrecortam o tempo todo.

Há alguns anos, o bairro passa por uma “transformação de personalidade”. De um local majoritariamente formado por residências, aos poucos, Fátima cresce para o alto. Por onde se olha, há novos edifícios em construção. A valorização é tão grande que o Bairro de Fátima já é um dos metros quadrados mais caros da Cidade.


A aposentada Marlene de Medeiros, 73, mora na travessa Escolar há 35 anos. Numa residência! “(Quando cheguei) eram poucos os edifícios. Existia um prédio em frente à Igreja de Fátima que tinha só três andares”, conta.

Ela encara a expansão imobiliária como algo natural. “É como se fosse o progresso. Hoje em dia, o povo está querendo muito morar em apartamento. É mais seguro, né?”, comenta. Dona Marlene afirma ser comum o assédio das construtoras pelas casas da região. Inclusive, as da travessa onde mora. Ela titubeia ao ser questionada se venderia a casa. “Se os vizinhos venderem também...”, dando a entender que seguiria uma decisão coletiva de retirada.

Só que, no fundo, a aposentada quer mesmo é permanecer no bairro. “Eu peço a Nossa Senhora de Fátima todo dia que arranje um jeito de eu ficar. Aqui é tão bom. Você tem tudo que precisar”, diz ela, acrescentando: “Só precisa ter dinheiro”, já que o custo de vida no bairro está cada vez mais alto.

Igreja de Fátima



Talvez nenhum outro bairro em Fortaleza tenha uma ligação tão forte com uma igreja como o Bairro de Fátima. A igreja homônima é a principal referência do bairro. A ideia de construção do santuário começou em 1952, quando a imagem de Nossa Senhora de Fátima (localizada em Portugal) chegou a Fortaleza, durante uma peregrinação feita com a imagem pelo mundo.

Antes, a área era formado por sítios pertencentes a coronéis, “como Pergentino Ferreira e José Euclides”, conta Rodrigo da Silva, 63. Ele chegou ao bairro em 1958, quando o pai arrendou um desses sítios para criar gado e plantar frutas e verduras. 

O terreno onde hoje fica a igreja, inclusive, foi doado pelo coronel Pergentino Ferreira. No fim de 1952, foi dado início às obras do santuário. “Quando foi lançada a ‘pedra fundamental’ eu vim com a minha avó. Ela era devota de tudo que era santo”, relembra dona Marlene. O templo foi concluído em 1955. “É a mesma estrutura até hoje. O nome do bairro veio depois da (construção da) igreja”, informa padre Ivan de Souza, pároco da Igreja de Fátima.

Seu Rodrigo conta que a construção da avenida Aguanambi - segundo ele, no fim da década de 60 - representou uma grande mudança para o bairro. A fazenda do pai dele, por exemplo, não pôde mais funcionar, já que a avenida ocupou boa parte do terreno. “Depois que fez a Aguanambi, aí voou (expandiu)”, diz ele, referindo-se ao crescimento na construção de casas no bairro.

“Não troco Fátima por bairro nenhum. É um dos melhores bairros para se viver, onde todo mundo se conhece, mas cada qual no seu cada qual. Ninguém se mete na vida particular de ninguém”, garante seu Rodrigo.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bairro Montese

Ano: 1944. A Segunda Guerra Mundial chega ao momento decisivo. Tendo declarado guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 1942, só quase dois anos depois o Brasil enviava as primeiras tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Europa.

Aos 21 anos de idade, o então agricultor Raimundo Nonato Ximenes teve de deixar o município de Groaíras, após ser recrutado para a guerra. Na terra natal, ficaram a família e a noiva Lili - com quem é casado até hoje. Incorporado à FEB em 1945, Raimundo Ximenes ficou sediado em Fortaleza, na expectativa de embarcar para o continente europeu.

                             

Combatendo no norte da Itália, as tropas brasileiras e os aliados conseguiram importantes vitórias. As mais conhecidas foram as batalhas de monte Castello, Castelnuevo e Montese. “No 14 de abril de 1945, houve a batalha do Montese. (Depois dela) a Alemanha começou a enfraquecer e, 26 dias depois, soube que não ia mais para a guerra. Eu fiquei livre”, relembra seu Ximenes, como é mais conhecido.

O primeiro ímpeto foi o de retornar para Groaíras. Porém, logo em seguida, um conterrâneo ofereceu um terreno no antigo bairro Pirocaia, nas margens da antiga estrada do Gado (hoje avenida Gomes de Matos). O nome remetia ao fato dos rebanhos seguirem pela via rumo ao abatedouro localizado no bairro Jardim América..

Pois bem. Aos poucos, Ximenes e Lili estabeleceram-se no bairro, mas a memória da guerra não se esvaecia. “Pensei nos companheiros que morreram em batalha”, relembra Ximenes. Por isso, ele sugeriu a mudança do nome de Pirocaia para Montese. “Foi um ato de gratidão aos companheiros da FEB”, diz ele. A data convencionada para o nascimento do Montese é 14 de abril de 1946. Raimundo Ximenes, hoje com 90 anos, passou a ser considerado o fundador do bairro.

Nascido no Montese, o comerciante Caubi Rodrigues, 43, guarda na lembrança um bairro ocupado por sítios. “Tinham muitas árvores. Era o bairro mais arborizado de Fortaleza”, diz ele. Com a instalação dos calçamentos nas avenidas e do saneamento básico, o bairro foi sendo povoado aos poucos, principalmente na década de 70. “Aqui era bom aos domingos. A gente tinha nossas tradições populares - como quermesses, reisados, festas”, conta Raimundo Ximenes, destacando a intensa vida social que existia no bairro.

Só que isso foi perdendo espaço com a chegada do comércio nos anos de 1980. “Foi quando descobriram o mapa da mina”, salienta o aposentado. De acordo com Ximenes, o Montese chegou a ter 60 mil habitantes. Hoje, só possui quase 26 mil moradores. “Em dia de feriado, quando não abre as lojas, é um deserto danado”, lamenta.

domingo, 3 de abril de 2016

Bairro Praia de Iracema

Bairro que nasce na beira da praia, quase sempre, tem vocação para “sobreviver” do mar. Com a Praia de Iracema não foi diferente. Isso fica explícito pelo nome como o bairro era conhecido anteriormente: Praia do Peixe. Na recordação da aposentada Nadja Albuquerque, 67, está a imagem de um lugar habitado, principalmente, por pescadores. “Antes, tinham muitas jangadas. Hoje, não tem mais nada”, comenta.

O início do bairro foi bem simples. A aposentada Lourdes Nepomuceno, 77, relembra que “era tudo casinha de taipa”. A rua onde mora, atualmente chamada de Tomás Lopes, “era só o areal”.

Há 62 anos, ela deixou a família em Mombaça e veio para Fortaleza com uma parente distante. Fugia de uma decepção amorosa. Na Praia de Iracema, encontrou um novo amor, com quem foi casada por 39 anos. Também foi onde deu à luz e criou os seis filhos.

                           


Segundo o turismólogo Gerson Linhares, a mudança do nome para Praia de Iracema ocorre na década de 1930, após um concurso realizado em Fortaleza. A escolha teria uma forte relação com a obra Iracema, do escritor cearense José de Alencar. Inclusive, a maioria das ruas do bairro homenageia tribos indígenas, como os Tabajaras, Cariris e Potiguaras.

No início do século XX, o bairro começou a ser utilizado para a construção de casas de veraneio pelos fortalezenses. De acordo com Gérson, esse perfil foi alterado pela chegada da família pernambucana Magalhães Porto, pois ela decidiu construir a residência familiar no bairro. Hoje, o prédio abriga o famoso Estoril. “Houve uma quebra de paradigma, pois foram morar ao lado da praia e começaram a ser benfeitores do lugar”, explica Linhares.

Com a chegada da década de 1940, a Praia de Iracema passa a ser frequentada pela boemia fortalezense e esta se torna a “impressão digital” do lugar. Tudo começou pelo atual Estoril, que era utilizado como cassino pelas tropas americanas sediadas em Fortaleza durante a Segunda Guerra Mundial.

Cantada por Luiz Assunção como “a praia dos amores que o mar carregou”, a Praia de Iracema sofreu com o avanço do mar, após a construção do porto do Mucuripe na década de 1950. “Eles falam sobre o mar, mas também da mudança de costumes. Os intelectuais e músicos começaram a perceber as mudanças que aconteciam nos bairros”, pontua Gerson.

A Praia de Iracema é, junto com a Jacarecanga, considerada um “Bem de Relevante Interesse Cultural” para Fortaleza. Segundo o coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Alênio Carlos Noronha Alencar, isso se deve à existência de “uma memória coletiva muito forte” em relação ao bairro. “Temos as edificações históricas e também as vivências que perpassaram a cidade. Era o local onde, muitas vezes, reuniam-se os intelectuais, jornalistas, músicos e profissionais liberais”, afirma.

Na avaliação do turismólogo Gerson Linhares, o modelo de turismo adotado no local fez com que se perdesse o foco na preservação patrimonial e cultural do lugar. “A Praia de Iracema foi vítima de um turismo mal planejado. Isso fez com que as casas antigas fossem sendo transformadas em bares, por exemplo”, critica o turismólogo.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Bairro Antônio Bezerra

O prédio é antigo. Bicentenário. Construído em 1802, tem paredes grossas, que resistem bravamente ao tempo. O telhado é feito com caibros e ripas de carnaúba. Seis cômodos estão distribuídos em 400 metros quadrados. Um espaçoso alpendre cerca toda a edificação. A única alteração foi em parte do piso, que recebeu novo azulejo. Dezenas de árvores de muitas as espécies cercam a casa.
A descrição acima é da Chácara Salubre, uma das mais antigas lembranças do Barro Vermelho (como era chamado o bairro Antônio Bezerra). Defronte à movimentada BR-020 ou avenida Mister Hull, o tempo lá passa de maneira diferente, mais lento, e o frescor da brisa na varanda nem de longe lembra a calorenta Fortaleza.

A chácara que lembra os tempos do Barro Vermelho

Proprietária do imóvel, a professora aposentada Juraci da Silva Gomes, 92 anos, é uma das mais antigas do bairro. Lecionou por mais de 30 anos na escola Joaquim Nogueira. Conhecida e respeitada por formar gerações de alunos, confidencia que até já enterrou alguns deles. “Muitos já se foram e eu fiquei”, diz.

Sentada na cadeira de rodas, vestida com uma camisola azul e cheia de pequenos corações brancos, dona Juraci vai desfiando histórias sobre o bairro onde nasceu e morou a vida toda. “Nasci aqui em 15 de dezembro de 1920”, informa. Apesar do AVC aos 86 anos, que chegou a paralisar parte do corpo, a memória e a lucidez mantêm-se impressionantes.

A chácara foi adquirida pela mãe dela, Alexandrina de Sousa e Silva, em 1917. Naquela época, passava em frente ao imóvel uma estreita e poeirenta estradinha de terra, que ligava Fortaleza ao Soure (hoje Caucaia). Daí o nome Barro Vermelho. O ônibus, só duas vezes ao dia. Para pegar o bonde, era preciso caminhar até onde, hoje, é o início da avenida Bezerra de Menezes.

Próximo, só existiam três outras residências. O resto era só vegetação nativa. Onde tinha até onça! O motorista José Levi, 66, lembra que, ao longo da via, depois, foram surgindo algumas bodeguinhas.

“A chácara tinha um cacimbão que abastecia todo mundo”, comenta a professora Francisca Pereira, 61. O poço ainda existe e dona Juraci garante que ele nunca secou. O local, inclusive, era paragem dos antigos retirantes da seca.

O terreno da chácara era bem maior do que o de hoje. Aos poucos, foi sendo vendido para a construção de moradias. E a proprietária já recebeu boas ofertas para se desfazer dele de uma vez por todas. Mas foram recusadas. “Aqui eu me criei e criei meus filhos”, diz a aposentada, para quem os laços afetivos não podem ter um valor financeiro.

Hoje, a casa é ponto de encontro da família, que se reúne aos domingos “para tomar uma cervejinha”. “Sou farrista. Gostava muito de dançar”, relembra dona Juraci, enfatizando que gosta de conversar mesmo é com gente mais jovem.

Na década de 1960, o bairro mudou de nome, passando a se chamar Antônio Bezerra. Não mudou só a denominação, mas também o perfil. De chácaras e sítios ao predomínio de casas e pontos comerciais. “Foi mudando devagarinho”, explica.

Já a antiga estrada de terra deu lugar a uma das avenidas mais movimentadas de Fortaleza, a Mister Hull. Porém, a chácara Salubre permanece lá, firme, teimando em manter viva a história do bairro. 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Bairro Jardim América


Em meados da década de 1940, o mundo acompanhava os últimos horrores da Segunda Guerra Mundial. Quem comandou os Estados Unidos durante quase todo o conflito foi o presidente Franklin Delano Roosevelt. Em Fortaleza, uma praça em homenagem a ele foi oficialmente inaugurada em maio de 1945, segundo o livro “Cronologia ilustrada de Fortaleza”, do memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez.

Essa praça tem importância vital para os moradores do Jardim América, já que é considerada o “marco zero” do bairro, de acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim América e Bairros Vizinhos (Aaja), Márcio Martins.

Ainda segundo o livro de Nirez, o bairro já teve como nomes Dom Bosco, Barro Preto, Barreiras e Tauape. Márcio complementa e diz que a região também já foi conhecida por Laguna. De início, aquela era uma conhecida região pantanosa da Capital, pouco habitada, onde prevaleciam os sítios.

Márcio Martins destaca que o nome Jardim América faz, sim, uma referência aos Estados Unidos da América. “O governador do Estado, na época, conseguiu uma verba, ajudada pelos americanos, para fazer a terraplanagem dessa área toda, que era muito alagada. E (o governador) fez uma referência: ‘aqui vai nascer um pedaço da América. Ao redor de tanto verde, aqui vai ser o Jardim das Américas’”, narra Márcio que, atualmente, produz o livro “American Garden: um pedacinho dos Estados Unidos no Ceará”, sobre o bairro.

A realidade daquela época, porém, já não é mais tão condizente com a situação atual do bairro. Segundo o Mapeamento das Áreas Verdes de Fortaleza, realizado pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), o Jardim América é o que menos possui cobertura vegetal na Cidade, com 0,008 quilômetros quadrados. Neste sábado, dia 21, será realizado o “Dia D do Jardim América”, que vai distribuir mudas de plantas para tentar reverter esse quadro. Também serão apresentados os projetos esportivos, sociais e culturais existente no bairro.

Outra preocupação da associação de moradores é com a identidade dos habitantes do Jardim América. “Começamos a sofrer certa influência do crescimento do Montese. Hoje, somos um dos poucos bairros que luta, de maneira aguerrida, para não ser confundido com o Montese. Isso é crucial para a história cultural do povo. Somos muito bairristas”, orgulha-se Márcio Martins.

Uma característica interessante que pode ser notada ao circular pelas ruas do Jardim América é a presença de moradores antigos. Uma delas é a pensionista Germana Coelho de Sousa, 87, provavelmente a última “rezadeira” do bairro. Ela mora há 37 anos no Jardim América. A conversa corre na calçada, onde a senhora fica sentada quase o dia todo. Ela garante que não há perigo. “Pode ficar na calçada até umas 22 horas”, afirma. “Tem mais de 40 anos que eu rezo. Aprendi com uma tia minha”, conta. Dona Germana diz que chega a atender mais de 40 pessoas em um dia. 
Outra característica marcante do Jardim América é a presença dos canais da rua Waldery Uchoa e da avenida Eduardo Girão. Segundo matérias publicadas pelo O POVO, a construção deles remete à década de 1950. “É a nossa maior referência. Ele corta o bairro todo, passa na praça e vai para as laterais (do bairro). Pega praticamente o bairro todo. Já virou até marchinha de Carnaval”, conta Márcio Martins.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Bairro São João do Tauape

O São João do Tauape é um daqueles bairros que, mesmo com o crescimento da violência em Fortaleza, conseguem manter uma vida pulsante nas ruas e calçadas. O vai e vem dos moradores é intenso. Seja para ir ao trabalho, fazer uma pequena compra ou, simplesmente, trocar um dedinho de prosa com os conhecidos. “E aqui todo mundo se conhece. É como se fosse uma cidade do interior”, diz o comerciante Cid Targino, 39.

Muito da vida social do bairro gira em torno da Igreja São João Batista. Um dos frequentadores assíduos do lugar é o aposentado Francisco Augusto de Vasconcelos, 78. Todas as tardes, ele coloca a cadeira ao lado da entrada do templo e conversa com quem estiver de passagem.


As casas da vila Vidal, em frente a igreja São João Batista, estão entre as mais antigas do bairro.

Morador do bairro desde os oito anos, seu Chico (como é mais conhecido) lembra de um Tauape com poucas casas e ruas tomadas de areia. Ele conta que, para pôr o calçamento nas ruas, eram utilizados “uma ruma de jumentos” para transportar o material.

A atual igreja matriz teve a pedra fundamental lançada em outubro de 1957. Fato acompanhado pela aposentada Edméa Saraiva Menezes, até hoje frequentadora do lugar. “Ela foi construída aos poucos. Passou bem dez anos (para ser concluída)”, afirma. Em 1981, O POVO registrou o momento em que Dom Aloisio Lorscheider “sagra a igreja do São João do Tauape”. Segundo a matéria, o templo foi construído “com o esforço dos padres e o povo”. A antiga igrejinha hoje abriga o salão paroquial.

domingo, 6 de março de 2016

Aerolandia

Aerolândia preserva a tradição de distribuir água em carroças

O cearense, principalmente em tempos de seca, já está acostumado com a figura do caminhão-pipa, responsável por transportar água para as localidades sem abastecimento. Porém, só nas ruas da Aerolândia você vai encontrar a “carroça-pipa”, um método tradicional de distribuição de água no bairro.

Seu Luís da Costa, 59, está no ramo desde 1974. Em uma manhã de trabalho, ele estima vender “uns 50 garrafões (de 20 litros)”. E não tem tempo para muita conversa. Ele segue com o passo apressado, para dar conta do máximo de ruas possível.

O vigia Adriano Mota, 42, utiliza a água para abastecer a casa onde mora. “Ela é muito boa”, comenta. Para ele, a tradição das carroças se mantém devido ao baixo preço cobrado: em média, R$ 2 por galão de 20 litros. “É a metade do preço da que você compra no supermercado”, diz. Porém, ele confessa sentir “pena dos animais” utilizados no serviço. Já a aposentada Adelaide Rodrigues, 79, deixou de comprar a água das carroças já há um bom tempo. “Uns dizem que é mineral, mas eu acho que é do Lagamar”, brinca.

                         

A água é retirada de poços artesanais existentes do bairro. Um deles foi perfurado pela família do comerciante Henrique Lima, 20, há mais de 25 anos. Mesmo em tempos de seca, ele garante que o poço nunca secou. “Só falta água quando o motor pifa”.

Campo de Aviação

A relação da Aerolândia com a Base Aérea de Fortaleza é quase umbilical. Inclusive, antigamente, o bairro atendia pelo nome de Campo de Aviação. Muitas ruas no bairro levam o nome de militares. “Os reformados moravam aqui e, por tradição, colocaram o nome (nas ruas). É rua Tenente Wilson, Tenente Roma... Tudo é assim”, explica o aposentado Cristovão Gomes, 70.

A proximidade com a base da Aeronáutica também rendeu muitos sustos, registrados pelo O POVO. Em 3 de abril de 1973, um avião “paulistinha” precisou fazer um pouso forçado na rua São Borges, próximo ao Lagamar.

Em dezembro de 1975, outro avião, com três passageiros e dois tripulantes, caiu sobre uma casa do bairro. Situação semelhante aconteceu mais recentemente, em 2002, quando um bimotor caiu sobre residências da Aerolândia. “Caiu muito avião aqui no bairro. Normalmente, eles iam pousar num descampado perto do (rio) Cocó (quando a aeronave sofria pane)”, relembra o aposentado Evilázio Bezerra, 70.

Mercado da Aerolândia

Certamente, nenhum outro equipamento marca tanto o bairro como o Mercado da Aerolândia, inaugurado em março de 1968. Nos tempos áureos, era onde os moradores compravam carnes, frutas e verduras. “Em 70 e 80, funcionava tudo direitinho. Hoje, não tem mais nada”, lamenta seu Cristovão.

Porém, a história do mercado é bem mais antiga. Segundo o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, a estrutura original foi instalada em 1896 na antiga praça Carolina - localizada próximo ao atual Museu do Ceará. “Quando foi inaugurado, ficou conhecido como ’Mercado de Ferro’”, explica Nirez. Isso se deve à arquitetura do mercado, formada, predominantemente, por peças de ferro importadas da Inglaterra. Em 1937, o mercado foi desmontado. Parte da estrutura deu origem ao atual Mercado dos Pinhões, no Centro. O restante do material foi levado para onde hoje funciona o Mercado São Sebastião. Em 1968, uma reforma no local desmontou a estrutura, que foi usada para construir o Mercado da Aerolândia.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Bairro Pici



Há pouco mais de duas décadas, um grupo de mulheres se organizava para invadir um terreno na região do Pici. Entre elas, estava Zelma Venâncio da Silva, hoje conselheira fiscal da Associação dos Moradores do bairro. Ela recorda que, no início, existia um grupo pequeno de moradores de diferentes bairros de Fortaleza que faziam reuniões para discutir como seria concretizada a ação. “Aqui não tinha nada, só uns campos de futebol”, recorda. Apesar de não lembrar precisamente a data, ela diz que a invasão aconteceu durante a noite.

Outra participante do grupo era a professora Joana Rocha, 51. Ela comenta que a notícia se espalhou rápido e, quando menos se esperou, o número de barracos havia crescido assustadoramente. Segundo matéria do jornal O POVO, na época, a ocupação, de início, contava com cerca de 500 pessoas. “Começou com barracos de lona e taipa. E faziam muito medo pra gente, dizendo que ia sair na peia”, relata Joana.



Os próprios ocupantes começaram a se organizar para evitar que a situação fugisse ao controle. “O (nosso) medo era de se tornar uma favela grande”, diz Zelma. Assim, eles começaram a se organizar. O grupo planejava, por exemplo, o desenho e o nome das ruas do futuro bairro que, nos dois primeiros anos, ficou conhecido como Riacho Doce.

O improviso no planejamento explica a formação das ruas estreitas e sinuosas existentes hoje no Pici. Depois de garantir a posse das casas, os moradores tiveram que lutar muito para conseguir água, saneamento, pavimentação e transporte. “Aqui os moradores são muito conscientes”, garante Zelma.

De acordo com os moradores, o terreno invadido era utilizado como base aérea americana na década de 1940, durante a 2ª Guerra Mundial. Período que os moradores costumam se referir como “nos tempos dos americanos”.

Inclusive, a presença estrangeira gera uma contradição em relação a origem do nome do bairro. De acordo com Zelma, a base era chamada de Post Command (PC). A sigla tem a sonoridade “pi” e “ci”. Porém, o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo (Nirez) esclarece que as origens do nome são bem mais antigas. Por volta de 1870, havia um sítio na região pertencente a família Braga. Segundo Nirez, o proprietário leu o romance Iracema, de José de Alencar, e fez uma homenagem aos protagonistas Peri e Ceci. Assim, decidiu chamar o sítio de Peci. “Depois, com a mudanças de ortografia, ficou (conhecido como) Pici”, explica.

A presença militar norte-americana fez com que surgisse até uma lenda do bairro. A dona de casa Maria Martene, 59, diz que há o boato de que “aviões estão enterrados no bairro”. Outro causo do Pici ganhou as páginas do O POVO em 1954. A matéria de Edmundo de Castro relatava a possível existência de um tesouro escondido no Pici. “Presume-se que naquele bairro encontre-se um subterrâneo abarrotado de ouro e outros metais deixados pelos holandêses”, começava o texto.

Segundo a matéria, as primeiras escavações foram feitas em 1918, quando o então proprietário Pedro Filgueiras Lima teve um sonho com o tesouro. Porém, só foram encontrados mármores com escritos estrangeiros e outros objetos. A notícia, na época, provocou uma verdadeira “romaria ao Pici”. Porém, nada foi encontrado e a escavação foi proibida pelo então presidente João Thomé, após uma tentativa frustrada do governo em comprar o terreno. Hoje, pode-se dizer que o tesouro do Pici é o próprio povo.