domingo, 27 de março de 2011

O Tatu e o Tamanduá

Já é noite
e o tatu sai da toca.
Faminto que está,
quer chegar ao cupinzeiro
antes do tamanduá.
Com tanta pressa
vai pela trilha o tatu, 
mas logo à frente tropeça
numa vara de bambu.
O tatu então supõe
ter caído na armadilha
do rival tamanduá...
Será que ele teve a mesma ideia
de papar todo o alimento
que no cupinzeiro há?
Quando do chão se levanta,
o tatuzinho se espanta
diante do tamanduá.
- Boa noite, amigo tatu!
Venho aqui te convidar
Para ir ao cupinzeiro...
Lá não há muitos cupins,
mas pra dois acho que dá.
O tatu, meio sem graça, 
quase esconde a cara
debaixo da carapaça...
E lhe serviu a lição
pra aprender a divisão.  
Dorival Coutinho da Silva.Disponivel em: http//recantodasletras.uol.com.br

sábado, 26 de março de 2011

Vinhetas

1. NASCEU EM SINOPE (413-327 a. C) e era chamado de “o Cínico,” devido ao seu desprezo pelas riquezas e convenções sociais. Trajava mal e andava descalço. Obedecia apenas às leis da Natureza. Dormia debaixo dos pórticos, aquecendo-se somente com a sua ordinária capa. Tinha por domicílio um tonel. Tornou-se popular em toda a Grécia. Um dia, viu um jovem bebendo água numa fonte, usando as próprias mãos postas em forma de concha. Achou então supérflua a tigela na qual bebia água. Quebrou-a e seguiu o exemplo do mancebo. Doutra feita, passeava pelas ruas de Atenas com uma lanterna acesa na mão, apesar de ser pleno dia. Um amigo perguntou-lhe a razão de assim proceder. E ele respondeu: “Ando à procura de um homem.”                                                                                                           
Já àquela época havia carência de varões íntegros, confiáveis, probos. Esta a lição deixada pelo famoso filósofo Diógenes, de quem fala esta vinheta.
2. MUITO BOA esta lição de O. S. Mardem: “Quando na vida uma porta se fecha para nós, há sempre outra aberta em nossa direção. Geralmente, porém, olhamos com muito pesar e ressentimento para a porta fechada, e assim não percebemos a outra aberta.”                                                                         
                  Publicado em: 21 de janeiro de 1984        
                  Jornal O POVO                    
                                                     Itamar Espíndola

sexta-feira, 25 de março de 2011

Metáfora ambiental

James Lovelok é um cientista que sugeriu que a nossa Terra é um organismo vivo, como a vaca da parábola.

Sobre vacas, bernes e política

Era uma vez uma vaca feliz, saudável e bonita. Mas nem tudo é perfeito. A vaca tinha hóspedes. Alguns bernes se hospedaram nela e alimentavam-se da sua carne. Mas os bernes eram poucos e pequenos. A vaca e bernes viviam em paz. Aconteceu, entretanto, que os bernes começaram a se multiplicar. Os bernes aumentavan, mas a vaca não aumentava, confirmado a lei de Malthus, que disse que "os alimentos crescem em razão aritmética, enquanto as bocas crescem em razão geométrica."

O corpo da vaca se encheu de calombos, que indicavam a presença dos bernes. Mesmo assim, a vaca continuava saudável. Ela tinha muita carne de sobra. Foi então que uma coisa inesperada aconteceu: alguns bernes sofreram uma mutação genética e passaram a crescer em tamanho... foram crescendo, ficando cada vez maiores, e com uma voracidade também cada vez maior. Os vermes magrelos ficaram com inveja dos vermes grandes e trataram de tomar providências para crescerem também.

O corpo da pobre vaca passou a ser uma orgia de crescimento. Os bernes só falavam numa coisa: "É preciso crescer!". Mas a vaca não crescia, ficava do mesmo tamanho. De tanto ser comida pelos bernes, a vaca ficou doente. Emagreceu. Mas os bernes nada sabiam sobre a vaca em que moravam. Para perceberem, seria preciso que eles estivessem do lado de fora.

Os bernes estavam dentro da vaca. Assim, não percebiam que sua voracidade estava matando-a. A vaca morreu!...E, com ela, morreram os bernes...! Fizeram autópsia da vaca. O relatório do legista observou que os bernes mortos eram excepcionalmente grandes, bem nutridos, muitos deles chegando à obesidade.

             ALVES, Rubem. Folha de S. Paulo, Caderno Mais!,  
                                                 30 maio 2006. (Adaptação).

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Acreditar e agir

Um viajante ia caminhando em solo distante, as margens de um grande lago de águas cristalinas. Seu destino era a outra margem.

Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem coberto de idade,  um barqueiro,quebrou o silêncio monetâneo, oferecendo-se para transportá-lo.

O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo.

Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pôde observar que se tratava de duas palavras, num deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.

Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda a força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo o vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante. 

Finalmente o velho barqueiro segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionando por ambos os lados navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, a outra margem.

Então o barqueiro disse ao viajante: 
- Esse porto se chama autoconfiança. Simultaneamente, é preciso ACREDITAR e também AGIR para que possamos alcançá-lo. 

                                   Autor desconhecido

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia da Poesia 14 de março

                 Poesia é uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos.
            Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga.Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.
           Hoje é considerado o Dia Nacional da Poesia, pois foi nesta data que nasceu o grande poeta brasileiro Castro Alves.
           Poeta do romantismo, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana Salvador em 06 de julho de 1871, com apenas 24 anos.
           Castro Alves escreveu obras clássicas como "Navio negreiro" e "Espumas flutuantes".  
          O estilo poético nordestino é rico em folclores, lendas e valores regionais. Encontra-se principalmente associado à música, com destaque para os violeiros.           Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, do Ceará, é emblema da poesia popular nordestina. Seu estilo possui um acento social e muitas vezes satírico. Assim falava Patativa, criticando o aparelho de televisão:
    Presente Disagradável 
    Toda vez que eu ligo ele 
    No chafurdo das novela 
    Vejo logo os papo é feio 
    Vejo o maior tumaré 
    Com a briga das mulhé 
    Querendo os marido alheio 
    Do que adianta ter fama? 
    Ter curso de Faculdade? 
    Mode apresentar programa 
    Com tanta imoralidade !

   
      Para saber um pouco mais sobre Patativa, clique aqui   Patativa do Assaré- Homenagem ao poeta.
            

sábado, 12 de março de 2011

Vinhetas


         1. É ATO de deseducação o costume de dizer ao interlocutor:                      
          -Você está magro! Está doente?                                                               
           Na verdade, o mal educado pensa mesmo em doença, e fica frustrado quando se responde negativamente. Porque seu desejo é obter resposta confirmatória do mau estado d saúde do companheiro. Se você lhe disser achar-se doente do fígado, ele dá o maior dez. Salta logo, contente: “É mesmo? Eu também! Você conhece um bom remédio?”                                                                                                     
            É a busca de colega da mesma enfermidade. O doente nunca olha com simpatia para o detentor de saúde. Inveja-o, chega a irritar quando o vê comendo tudo, alegre, sorridente, passeando. São os frutos de Caim, invejoso da felicidade do irmão Abel.                                                                       
             Quando alguém lhe perguntar a causa de estar magro, não responda. Mude de assunto. Você elidirá a curiosidade e verá a frustração do interpelante.                                                                                               
             2. UMA LEITORA diz ter lido a notícia segundo a qual a mãe matou o filho de 19 dias, com o fito exclusivo de vingar-se do amante. E pergunta: existe o termo filicida? Sim. 
            Aplica-se à mãe assassina do próprio filho. O matricida mata a mãe; o fraticida, o irmão.
            O ato delituoso chama-se filicídio.                                                                      
             3. – Quando eu digo uma tolice, rio muito. - Então você é permanentemente feliz.                                       
             
                
                 Publicado em: 17 de setembro de 1983
                 Jornal O POVO
                      Itamar Espíndola

quinta-feira, 10 de março de 2011

A ciência universal da religião



Trecho do livro "El Amante Cósmico", 
de Paramahansa Yogananda
Traduzido por Érika Oliveira


            Os rishis da Índia-seus grandes sábios-consideravam que a religião uma ciência cuja prática rompe a prisão do sofrimento humano e funde a consciência com o gozo cósmico de Deus, que nos fez a sua imagem. Todavia, muita gente duvida: Oh! Ainda não estou pronto para a espriritualidade. Esta é a maior falsidade que pode existir. Por quê? Porque a alma é como uma pedra redonda que jamais poderá ajustar no buraco negro da ilusão. O que todo ser humano busca- a pura felicidade- é algo que o mundo não pode oferecer. Em conseqüência, existem milhões de pessoas infelizes em todo o mundo. Algumas pessoas que conheceram possuem todo quanto alguma vez desejava; todavia, o haver satisfez seus desejos mas não o aportaram para a felicidade. Eu busquei a Deus em primeiro lugar e me dei conta que seu gozo é plenamente satisfatório, sempre novo e mais tentador que qualquer tentação.
            
             Dado que o desejo máximo de toda pessoa é ser feliz e experimentar o gozo de fazer felizes os demais e dado que Deus é a fonte de toda felicidade, não há forma de podermos evitar o Senhor.E porque deveríamos de fazê-lo? Todo o demais te trairá com enganos  e falsas promessas, porque somente Deus pode brindar um gozo verdadeiro e durável.
            
              Busque a felicidade de Deus, tanto no começo quanto na metade e no final da vida, porque só Ele te livrará de todo o sofrimento. Se pensas que o dinheiro te proporcionará a felicidade, estás perdendo o tempo, pois jamais será assim. Se buscas o amor humano,em Deus encontrará um amor que é infinitamente superior.Encontrar Deus equivale a receber tudo o que o coração anseia: qual seja tua necessidade, encontrarás satisfação em Deus. Ser espiritual significa abrir as portas à saúde,à felicidade e ao êxito. Portanto, é realmente importante estudar o modo científico de comportar-se na vida. Aprender como eliminar o sofrimento e obter um gozo que não pode ser arrancado são questões práticas. Se não houvesse estudado esses assuntos desde a minha infância, haveria transformado minha vida em um terrível fracasso. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

Estamos na idade da lógica


             O homem vive paralizado pela limitação. Como sabes que dentro de um instante não será  magoado, ou que alguém não romperá o coração? A única segurança verdadeira é aquela que os grandes mestres como Jesus encontraram. Contar com essa segurança e ser capaz de presenteá-la a todos os demais constitui a única liberdade verdadeira e máxima sabedoria.


            A idade da obediência cega passou. Agora  estamos na idade da lógica. Deves indagar cada experiência com discernimento inteligente até que a compreendas, desse modo, jamais voltará a ser presa do engano. Existe uma razão para tudo. E nesta era de análises, deves buscar esse entendimento. A criança a qual se obriga a assistir a aula da escola dominical não se beneficia com essa disciplina, porque não foi adequadamente instruída para compreender porque essa atividade lhe será útil. Lembro haver observado as escolas dominicais de uma comunidade cristã na Índia. No lugar de uma atmosfera de estudo devocional, podia peceber-se muito ruído e inquietude. As crianças não tinham idéia de quanto poderiam ter se beneficiado com aquelas aulas.
            
         A religião moderna se separou da vida e se transformou num hábito que se executa no domingo pela manhã e inclui umas poucas orações, uns cantos e um sermão; logo, tudo termina quando se inicia a semana. Nos demais dias,  pode-se brigar com o esposo ou a esposa, abusar dos sentidos ou aniquilar os inimigos. A verdadeira base da religião foi esquecida.
            
         A religião deve ser sentida como uma necessidade prática e pessoal. Sempre que as escrituras ou os Santos te aconselhem não fazer algo, use a lógica e poderás comprovar que seguir aquele conselho redundará em benefícios  em teu próprio proveito. Por exemplo: “Não cometerás adultério”. Por quê? Porque o mal uso da poderosa força criativa gera um sem número de problemas. O abuso deste sagrado poder é destrutivo para o sistema nervoso e para a saúde em geral. Em segundo lugar, as complicações emocionais perturbam o coração, que é o centro que rege os sentimentos. Jamais deves brincar com o coração de outra pessoa.



Traduzido por Érika Oliveira

Trecho do livro  "El Amante Cósmico", de Paramahansa Yogananda

Cachaça e yoga dão no mesmo.

Na Índia: 20 anos de muito exercício mental, jejum, abstinência, mantras, concentração, meditação… para total domínio do corpo, como mostra o grande YOGACHARIA IVENGAR.


No Brasil: 1 hora num boteco bebendo pinga, relaxamento ao ar livre, alimentação frugal (só tira-gosto) … como demonstrado pelo grande Mano Coquinho.



COMENTÁRIOS:

A comparação acima, encontrada em diversos sites, nada mais é que uma brincadeira do espírito gracejador brasileiro, claro. Sabemos, porém, que muitas ideias passadas assim é que criam aqueles preconceitos que nem compreendemos porque estão na nossa cabeça.

Brincadeiras à parte …

A ioga, no Brasil, faz tempo deixou de ser novidade. Em todas as médias e grandes cidades há um ou mais espaços e academias oferecendo sua prática. Por aqui, o termo pode ser aportuguesado para "ioga". Alguns se referem ao ioga como um termo masculino, designando "o caminho" ou "o conjunto de práticas". Outros se referem a ela como um termo feminino, relacionando-a com “a ciência” ou “a disciplina”. Quanto à pronúncia, não faz diferença dizer "iôga" ou "ióga" embora, para alguns, essa indistinção soe como heresia. Prefiro tratá-la como uma ciência, escrever "a ioga" e pronunciar o termo com som aberto, “ióga”. Que diferença faz? Escrever "ioga" ou "yoga"; dizer "o iôga" ou "a ióga" não produz qualquer interferência na sua prática. Se os resultados de uma ciência tão profunda estivessem condicionados a um termo, seria o caso de questionarmos sua eficiência.

Apesar do número crescente de praticantes, não há muita clareza sobre o significado da ioga, sendo ela confundida com religião, terapia ou ginástica. Mas o que popularmente é conhecido como ioga é, na verdade, apenas uma parte dela. A prática das posturas físicas (asanas) oferecidas nas academias faz parte da “hatha yoga”, um dos ramos da ioga integral, composta de oito etapas. A ioga que a maioria das pessoas busca nas academias abrange um conjunto de práticas capaz de proporcionar consciência corporal e, por conseguinte, saúde e equilíbrio mental.

Mas o que a consciência corporal tem a ver com uma ciência tão abrangente? Sabe-se que o fluxo de pensamentos produz efeitos sobre o corpo, pois o resultado de uma mente estressada e ansiosa é a tensão muscular, a respiração ofegante e o sistema cardiovascular alterado. O corpo é assim influenciado de forma direta pela mente, algo que todas as pessoas experimentam no seu dia-a-dia. E quanto à mente, sendo ela tão abstrata e intangível, como pode ser possível alcançá-la?

Os cientistas indianos de tempos antigos encontraram uma solução simples e genial. Se o caminho for invertido, trabalhando-se diretamente sobre sistemas do corpo que podem ser diretamente estimulados, tal como a respiração, os benefícios serão refletidos reversamente sobre o equilíbrio mental, com efeitos sobre diversos sistemas estimulados apenas de forma indireta, como o cardiovascular, o fluxo dos pensamentos, o estresse e a ansiedade.

Isso explica os rostos felizes e sorridentes dos milhares de praticantes que percebem numa única sessão os efeitos positivos das asanas (posturas físicas) e dos exercícios de consciência da respiração (pranayama). Uma mente equilibrada, além de um corpo relaxado, produz também um raciocínio brilhante e ajuda a enxergar com clareza e criatividade as soluções para os desafios do dia-a-dia.

As ciências médicas já reconhecem, em muitos estudos sérios, os benefícios da Ioga e da meditação para a saúde, como se vê no livro “A arte da meditação”, de Daniel Goleman, de Harvard. Após exercícios de pranayama (respiração) o sistema cardiovascular responde maravilhosamente, com efeitos sobre a estabilização dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, como bem demonstrou Daniel Goleman, sem falar nos benefícios para a capacidade de discernimento e julgamento. A popular fórmula de respirar profundamente enquanto conta até dez para enfrentar uma situação nervosa, encontra-se justificada pela ciência da ioga.

O Dr. Carl Jung, conhecido psicólogo suíço, participante do Congresso Indiano de Ciências em 1937, escreveu: “[A ioga] oferece a possibilidade da experiência controlável e assim satisfaz a necessidade científica de ‘fatos’. Em virtude de sua amplitude, profundidade, de sua idade venerável, de sua doutrina e método que abrangem todos os aspectos da vida, promete possibilidades jamais sonhadas (...)

“Os múltiplos processos puramente corporais da Ioga compreendem também uma higiene fisiológica superior aos exercícios de ginástica e respiração comuns, pois não é apenas algo mecânico e científico, mas é também filosófico. Ao treinar as partes do corpo, unifica-os com a totalidade do espírito, como se torna bem claro, por exemplo, nos exercícios de Pranayama, onde o prana tanto é o alento quanto a dinâmica universal do cosmos (...)

“A Ioga combina o físico e o espiritual de maneira extraordinariamente completa. No Oriente, onde estas idéias e práticas se desenvolveram, e onde, durante milhares de anos, uma tradição ininterrupta criou as necessárias bases espirituais, a Ioga é, em minha opinião, o método apropriado e perfeito para fundir corpo e mente, de modo a formarem uma unidade inquestionável. Esta unidade cria uma disposição psicológica que possibilita intuições que transcendem a consciência.”

Ioga, portanto, vai além de posturas físicas e pranayama. Segundo Patânjali, o cientista espiritual que sistematizou o processo em oito etapas, ioga é "a cessação dos turbilhões da mente". O significado disso está para além de busca de saúde e bem-estar. O professor Hermógenes, um dos mais antigos especialistas no Brasil, dá uma noção da amplitude da ioga: "equanimidade na ação; o supremo segredo da vida; aquilo que gera felicidade; serenidade; e o que extingue a dor".

Esses poderes, vamos assim dizer, encontram-se na essência de todo ser humano, sendo a ioga um instrumento para reconectar ou religar essa natureza superior oculta. A palavra “ioga” tem como raiz o termo sânscrito “yuj”, que produziu “jungir” ou “unir”. O conceito de "união" do termo está relacionado à conexão com a essência, o sopro divino da vida presente no ser humano, tendo o mesmo significado de religião, "re-ligare", isto é, reconexão com a Essência ou Deus.

Ao acalmar a turbulência natural dos pensamentos e a inquietude do corpo por meio do processo científico da ioga, pode o ser humano conhecer uma realidade de indizível alegria e paz, além da percepção dos níveis mais profundos do Ser que é ele mesmo, sua própria essência. A Bíblia Sagrada reconhece a relação entre quietude e novos estados de entendimento: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46). Pela prática dos métodos da ioga, que não possuem qualquer vínculo com crenças emocionais ou fé cega, o praticante alcança a união com aquela Inteligência, Poder e Alegria, base e essência de si mesmo.

A ioga, portanto, tem muito a dizer aos que se interessam pela pesquisa espiritual profunda, oferecendo muito além da especulação intelectual e da discussão teológica: uma base de saber que pode ser confirmada ou refutada pela experiência, ganhando assim o status de ciência. Para Patânjali, a ciência da ioga é o núcleo central de todas as religiões, pois cumpre o propósito de unir a consciência individual à consciência do Universo de forma metodológica, com resultados conhecidos e precisos.

Para esse tipo de praticante que busca uma experiência de conexão com o Ser, não há um resultado específico para ser alcançado. Seu objetivo não é qualidade de vida, nem saúde, mas a transcendência da condição humana, meta que a Ioga é capaz de atender. O sistema inteiro de Patânjali abrange desde o disciplinamento moral até à contemplação mística da meditação, com possibilidade de reprodução das experiências descritas por santos e místicos de todas as religiões – uma estrada de deliciosos frutos colhidos na caminhada, dentre os quais a saúde física e mental. Um conjunto de técnicas para alcançar o Absoluto - a realização de um sonho para muitos espiritualistas e filósofos não dispostos a repetir os esforços de buscadores desprovidos de metodologia, bem sucedidos somente por meio de sacrifícios ingentes.

Paramahansa Yogananda, o fundador da ioga no Ocidente, apresentou a ioga nesse sentido espiritual mais profundo, de forma científica, não sectária, como uma ciência universal, capaz de abrigar a essência de todas as grandes religiões do mundo. Pela clareza de sua filosofia e pelo método de experiência oferecido, Yogananda tratou a ioga como "a ciência da religião", capaz de estabelecer uma relação de causa e efeito entre as práticas propostas aos buscadores e os resultados obtidos em termos de percepção da essência do ser humano, da natureza e de Deus – o tão sonhado método do conhecimento da Verdade, do Absoluto, uma meta perseguida tanto pela religião quanto pela filosofia. O correspondente espiritual da pedra filosofal, avidamente buscada pelos alquimistas antigos, é encontrada na ioga, pois esta tem a chave para conduzir o ser humano comum à percepção de si mesmo como um Ser divino.

Disse Yogananda: “O iogue conhece a arte científica de se desconectar conscientemente dos nervos sensoriais, para que nenhuma perturbação exterior, proveniente da visão, audição, tato, paladar ou olfato penetre no santuário interior de sua meditação impregnada de paz. Pelo conhecimento e prática das leis definidas e técnicas científicas de concentração, os iogues desligam os sentidos à vontade – indo para além do sono subconsciente e alcançando a bem-aventurada interiorização superconsciente (...)

O iogue, no êxtase da meditação profunda, desliga completamente a força vital e consciência do corpo físico, dirigindo-a à percepção superconsciente da natureza celestial invisível da alma como Beatitude. Esse estado superior traz a percepção da matéria como sendo ideias cristalizadas de Deus - do mesmo modo que, no sono, os sonhos são efêmeras criações de nosso pensamento. Quem sonha não sabe que seu pesadelo é irreal até que desperte. Assim também, é apenas despertando no Espírito – na unidade com Deus em samadhi – que o homem pode banir o sonho cósmico da tela de sua consciência individualizada”.

As estruturas econômicas e sociais criadas pelos ocidentais não colaboram para o despertar de ambições mais elevadas, priorizando a busca de satisfação e felicidade por vias mais fáceis, o esforço de acumular bens, a busca desenfreada pelo sucesso material, os prazeres dos sentidos, o álcool e o vinho, a fama e as aparências, considerando como inevitáveis as doenças e misérias humanas. Calcularam que é melhor deixar de fazer o esforço em direção a metas mais elevadas, trabalhar duro para pagar um plano de saúde, enfrentar as doenças “normais” de cada fase da vida e lamentar-se pela dureza imposta por Deus aos sofredores neste “vale de lágrimas”.

Não é possível obter os benefícios da Ioga sem encarar, inicialmente, certa perda por não participar do festim, aderindo a um processo que parece disciplinado e duro no começo, mas prazeroso e de extremo gozo, alegria e realização, mesmo no curto prazo. A idéia de ter que encarar “20 anos de muito exercício mental, jejum e abstinência” é um ponto de vista equivocado de quem está do lado de fora e que nunca se dispôs a participar de uma prazerosa sessão de ioga e meditação.

Reconhecer como prejudiciais à vida muitos dos vícios considerados até recentemente “deliciosos pecados”, o fumo, a gula, as drogas e a pinga do bebum, demonstra uma relevante tendência ao respeito à ciência, ao esforço dirigido de forma metodológica e à observação sistematizada entre causas e efeitos - portas abertas para compreender, assimilar e adotar a ioga como um caminho eficiente para a solução de muitos dos enormes e complexos desafios da humanidade.

O único ponto em comum entre a ioga e a cachaça é, certamente, a rapidez com que os resultados são alcançados pelos seus seguidores. As enormes diferenças entre as duas práticas podem ser imediatamente conhecidas pedindo aos personagens das figuras acima que se levantem de sua posição. Nos dias seguintes, além disso, o grande “Mano Coquinho” vai curtir a conhecida ressaca, inevitável efeito colateral da “prática alternativa”.

Para uma compreensão exata e profunda sobre Ioga, recomendo a leitura do livro Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda.

terça-feira, 8 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Nos últimos anos, em quase todo o mundo, ganharam destaque as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Depois de milhares de anos em que a mulher permaneceu em posição familiar, social e profissional inferior à do homem, finalmente passara a ser reconhecidas como iguais e parceiras do homem na direção de empresas, da família, e até de países. A mulher deixou de ser valorizada apenas por suas funções de mãe, de responsável pelo lar e pela família, quanto ao conforto dentro de casa: passou a assumir postos de mando e de decisão, o que representa um grande progresso. Infelizmente, em muitos países da África e da Ásia, subsistem condições de desigualdade, e de humilhação, o mesmo acontecendo nas regiões pobres da América Latina, onde a mulher padece o peso de preconceitos, injustiças dentro de casa e das empresas, e sofre violências que começam já na infância. Essa repressão sexual e social ainda é um fato que devemos combater com vigor.


Em Nova Yorque, Estados Unidos, no dia 8 de março de 1857, um grupo de operárias ocupam a fábrica onde trabalham, reivindicando diminuição da jornada de trabalho que era de 14 a 16 horas, condições saudáveis de trabalho e salários menos miseráveis. Depois de serem confinadas em um lugar isolado da fábrica, todas morreram queimadas em um incêndio. Depois, na Dinamarca, em 1910, realiza-se o 1º Congresso Internacional de Mulheres. Em homenagem às 129 operárias mortas, passou-se a comemorar no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.   


Mulheres influentes do Brasil e do Mundo:

 
A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, 
é a primeira mulher a chegar à presidência do Brasil.

A advogada e primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, 
é a primeira negra a assumir o posto no país.


Agnes Gonxha Bojaxhi,conhecida mundialmente por Madre Teresa de Calcutá,  
grande missionária albaneza, considerada a missionária do século XX.


Ficheiro:Fofão Cropped.jpg 
Atual levantadora da seleção brasileira, Hélia Souza, mais conhecida por Fofão, é a atleta mais vitoriosa do vôlei brasileiro, por suas conquistas olímpicas.

sábado, 5 de março de 2011

Vinhetas


         1. REGRAS PARA BEM SERVIR. Gosto de reler o Eclesiástico. No texto grego, seu título é Sabedoria de Jesus, filho de Sirac. Na Igreja latina, tomou o nome de Eclesiástico, ou Livro da Igreja, porque era usado para instruir os fiéis.

Vejam-se algumas normas ali contidas, cheias de sabedoria: 1) Na dor, permanece firme, na humilhação tem paciência, pois pelo fogo são experimentados o ouro e a prata... e põe tua confiança em Deus e ele te salvará. 2) Quem ama o perigo nele perecerá. 3) Escuta com doçura, a fim de compreender. 4) Se tiveres inteligência, responde a outrem, senão põe a mão sobre a tua boca, para não seres surpreendido a dizer  palavra indiscreta e venhas a te envergonhar dela. 5) A honra e a consideração acompanham a linguagem do sábio, mas a língua imprudente é a sua própria ruína. 6) Uma boa palavra multiplica os amigos e apazigua os inimigos. 7) Dá-te bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil. 8) O amigo fiel é poderosa proteção; quem o achou, descobriu um tesouro. 9) Não descuides de orar e dar esmola. 10) Não tenhas desavença com grande falador e não amontoes lenha em sua fogueira. 11) Não prestes fiança a outrem além de tuas  posses. 12) Não lances os olhos sobre mulher leviana, a fim de não caíres em suas ciladas. 13) Mulher entregue à devassidão é como esterco pisado na estrada. 14)  Amar o dinheiro é iniquidade; quem o ama chega até  a vender sua alma. 15) Não censures ninguém antes de estares bem informado, e, quando informado, repreende com equidade; nada respondas antes de ter ouvido, não interrompas ninguém no meio de sua conversa.
         2. UM PSICÓTICO ficava deitado de barriga pra cima, cantando. Os companheiros ouviam-no. Dois deles resolveram virá-lo de barriga pra baixo, e ele passou a cantar outra música. Quando terminou a canção, um colega comentou:
         - Gostei mais o lado A.    
                                                                        
Publicado em: 20 de agosto de 1983  
Jornal O POVO                            Itamar Espíndola                                                                                                                                                                                                                

Patativa do Assaré


O poeta agricultor, poeta, compositor, cantor e até professor Hanoris causa
Pelo nome de batismo, pouca gente o conheceu. Antônio Gonçalves  da Silva gostava de cantarolar versos, que desde cedo ganhava nome de passarinho: Patativa.

Patativa nasceu a 5 de março de 1909, no Sítio de Serra de Santana, município de Assaré/CE.

Menino do sertão, cresceu entre agricultores e apesar ter ido à escola por menos de um ano, descobriu o amor pela poesia. A primeira viola veio de uma troca: aos 16 anos entregou uma cabra pelas cordas que fariam dele um violeiro. Os versos escritos por ele ultrapassaram fronteiras, ganharam o mundo.

Seu primeiro livro Inspiração Nordestina foi publicado em 1956. Em 1964, Luiz Gonzaga ao vê-lo recitar A Triste Partida, decidiu musicá-lo tornando-o conhecido em todo o país.

Poeta, popular, compositor e até professor Honoris causa. Patativa foi tudo isso. Mas quando perguntado sobre sua profissão dizia com simplicidade: "o que eu sou mesmo é agricultor, vivo é da minha roça. 

A história de Patativa, já foi narrada em livros, filmes e documentários. A voz do poeta, aos 93 anos foi emudecida pala morte, em 8 de julho de 2002. Além da saudade ficaram as lembranças de homem simples que nem sabia que era um gênio.


Patativa do Assaré projetou  para o mundo a realidade sertaneja, beleza simples do agricultor

Memorial Patativa do Assaré, em Assaré-CE . Se vivo fosse faria hoje 102 anos

Casa que morou Patativa do Assaré, restaurada por ocasião de seu centenário
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

sexta-feira, 4 de março de 2011

REDES DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE FORTALEZA


          A Rede de Bibliotecas é uma demanda do Orçamento Participativo de 2006. Desde então, a cada ano, a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) vem cumprindo ações para sua afetivação. Atualmente, oito bibliotecas estão abertas ao público nas Secretarias Executivas Regionais 1,2,3,4 e 5. As unidades da rede de Bibliotecas Públicas Municipais estão sempre de portas abertas para a visitação de grupos e escolas. É um momento de troca de ideias e experiências, tendo como medidor o livro e toda a sua carga de conhecimento.

Biblioteca Pública Dolor Barreira
Gibiteca Municipal
Av. da Universidade, 2572 – Benfica Informações: 3105.1299

CUCA Che Guevara
Av. Castelo Branco, 6417 – Barra do Ceará

Casa Brasil Antônio Bezerra
Rua Pio Saraiva, 168 – Antônio Bezerra     
Informação: 3433.5958

Casa Brasil Granja Portugal
Rua Humberto Lommeu, s/n. – Granja Portugal
Informações: 3105.2308                                                                    

 Casa Brasil Vila União
Rua Celso Tinoco, 1374 – Vila União
Informações: 3433.5958

CSU José Walter
Rua 69, 191 – 2ª José Walter
Informações: 3433.4924

Biblioteca do Imparh
Av. João Pessoa, 5609 – Damas
Informações: 3433.2980

Acervo Vila das Artes
Rua General Sampaio, 1632 – Centro
Informações: 3253.7052
                                            
LEI DE DEPÓSITO LEGAL

Deste 2008, foi implantado no município de Fortaleza a Lei de Depósito Legal. Esta lei obriga as editoras de Fortaleza a depositarem dois exemplares de cada título publicado na Biblioteca de Fortaleza Dolor Barreira. Para colaborar com o disposto na lei, basta enviar os títulos de sua editora para a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), aos cuidados da Supervisão de Literatura, que fará o registro dos livros e encaminhará para a Biblioteca. Participe você também e divulgue essa ação. Endereço para doações: Rua Pereira Filgueiras, 4 - Centro.