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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Religiões Antigas

Os primeiros indícios de atividade religiosa datam de 30 000 a 10 000 a.C. Pinturas rupestres encontradas na França, datadas de 20 000 a 11 000 a.C. mostram rituais aparentemente ligados à caça, e estatuetas que remontam 25 000 a. C. sugerem uma deusa mãe ou figura ligada à fertilidade. O desenvolvimento da escrita no Oriente Médio antigo, por volta de 3000 a.C., revela a existência de grande variedade de crenças e práticas religiosas.

Os cultos da antiguidade, com exceção do zoroatrismo e do judaísmo, eram politeístas e os deuses, organizados em grupos hierárquicos ou familiares.

O Oriente Médio  

Os povo do Levante glorificavam vários deuses sob o comando de El, "Criador das Coisas Criadas", e seu complemento, Asherah (deusa-mãe).Baal (deus da tempestade) é auxiliado pela sua irmã e defensora Anat ( deusa da feritilidade e da guerra) em sua luta como Yam (senhor dos mares) e com Mot ( morte e esterilidade). Uma terceira deusa associada à fertilidade é Astarte, a versão cananeia de Ishtar, deusa-mãe semítica. As práticas religiosas parecem ter consistido, em grande parte, de sacrifícios animais e ocasionalmente humanos, encenaçao de mitos e decretação de casamentos sagrados. Os reais eram considerados seres divinos.

Na Mesopotâmia, cada cidade suméria tinha suas próprias divindadaes, embora muitas tenham sido incorporadsa aos tipos dominantes.( Nanna- Lua, Utu- Sol, Anu-céu, Ea-tempestade, Enki - Terra, Inanna- a deusa-mãe, equivalente à Ishtar semítica). As religiões dos acadianos, babilônios e assírios conservaram muitas das características sumérias, adaptadas às suas culturas. Ligados à natureza, os deuses da Mesopotâmia também simbolizavam valores morais e sociais. Os cultos consistiam em oferendas de sacrifícios a imagens divinas. Nos templos ( blocos empilhados, conhecidos como zigurates) era narrado o mito da criação, proclamando a vitória de Marduk ( Babilônia) ou Assur (Assíria) sobre Tiamat (águas primordiais).

Cornunnos, o "senhor dos animais" dos celtos. Este relevo é um detalhe do Gundestrup Cauldron,
uma obra-prima do trabalho em metal da Idade do Fero, que data de aproximadamente 100 a.C
Na Anatólia (atual Turquia), o império hitita do segundo milênio antes de Cristo deixou poucas informações sobre assuntos religiosos. Muitos de seus mitos eram traduzidos de textos semíticos ou outros. O reinado frígio, que sucedeu os hititas, era o centro do culto a Cibele - deusa da Terra, cujos sacerdotes eram eunucos. Mais tarde,  este culto se disseminou pela Grécia e por Roma. No segundo milênio antes de Cristo, formou-se o grande império mitânico na Síria e no norte da Mesopotâmia, cuja religião incorporava diversas características encontradas nos vedas da Índia. Uma religião semelhante à dos vedas era praticada na antiga Pérsia.

Egito

Os faraós do Egito antigo eram vistos como seres divinos e chamados de "Horus" e "Filho de Ra". Ra era o deus Sol e senhor dos deuses. Como "Filho de Ra", o faraó incorporava o poder solar de dar a vida. Horus era filho de Ísis, a Mãe Divina, e Osíris, o deus da inundação, vegetação e dos mortos. Como Horus, o faraó personificava a renovação da vida e da fertilidade trazidas pela inundação anual da terra pelo Nilo. Para aumentar seus poderes, as divindades locais eram frequentemente unidas às oficiais; a mais importante era Amon, deus da invisibilidade que, por volta de 2000 a.C., foi associado a Ra e tornou-se Amon-Ra, cujo templo em Tebas tornou-se o mais rico do Egito. A efêmera "Revolução de Amarna" ( c. 1350 a. C) sob o reinado de Akhenaton promoveu o culto de Aton ( a divindade única representada pelo disco solar) em oposição a Amon-Ra.

Como os egípcios não conseguiam imaginar que a morte fosse diferente da vida no Egito, a preservação do corpo era essencial para a sobrevivência na vida após a morte. Alimentos, roupas e artigos de luxo acompanhavam  o corpo ao túmulo. Os mortos eram julgados pelos deuses do mundo subterrâneo, mas, munidos da Confissão Negativa, a negação de 49 possíveis ofensas contidas no livro dos Mortos - uma coleção de palavras mágicas e orações - garantiam uma vida após a morte segura e próspera.

Zoroatrismo

No Nordeste da Pérsia, no final do segundo milênio( por volta de 1200 a.C), um reformador religioso chamado Zaratustra (Zoroastro) pregava uma simplificação da antiga cosmologia politeísta. A vida pressupunha uma escolha entre Aura Masda ("espírito sábio") e Angra Mainyu (" espírito destruidor"), personificando o bem e o mal. Aura Masda era assistido por anjos, os amesha spentas ("espíritos bons"). O destino da pessoa após sua morte ( céu ou inferno) era determinado por sua própria escolha. O zoroatrismo, aparentemente a mais antiga " religião da salvação", tornou-se a religião nacional do império aquemênida. O dualísmo masdeísta (visão do mundo como uma luta entre o bem e o mal) pode ter influenciado o pensamento  grego e judaico antigo e ainda sobrevive na religião dos parses da Índia.



Grécia

Os textos na escrita Linear B da civilização micênica, primeiros escritos religiosos na Europa, mostram a importância de  Poseidon, deus dos mares, e da "Senhora" (presumidamente uma deusa-mãe ). Outras divindades, como Zeus e Hera, são citadas. Na poesia épica de Homero, os deuses eram imortais e imutáveis e viviam no Monte Olimpo, embora se portasseim como seres humanos, nem sempre bem-comportados. Podiam mudar de forma, intervir na vida dos homens e até alterar o destino destes (mas não sua natureza) em troca de presentes e orações. Os deuses do Olimpo foram imcorporados ao trabalho das sociedades secretas e aos cultos de cura e advinhação ( por exemplo, o
 oráculo de Delfos). Por volta do séc. VI a.C., faziam parte dos cultos oficiais das cidades-estados gregas. No entanto, a religião da Grécia antiga tinha pouca relação com a moralidade, e as considerações morais, metafísicas e científicas dos filósofos de Atenas dos séculos V e IV a.C. desafiavam a religião popular com ideias diferentes sobre Deus. As conquistsa de Alexandre, o Grande disseminaram o idioma e as ideias dos gregos por todo o Oriente Médio. A civilização helenística realizou uma fusão entre as culturas gregas e oriental. O culto aos deuses do Olimpo se disseminou, assim como a adoração de Ísis, do Egito, e de Cibele, da Frígia.

Templo de Atena na ilha de Lindos, Mar Egeu. O templo grego era basicamente uma casa para a divindade, representada por uma estátua. O foco da adoração era um altar, geralmente localizado na parte leste do edifício. A planta alongada do templo e a colunata externa sustentada por pilares eram características que distinguiam as residências divinas das seculares.

Roma



A religião romana baseuou-se provavelmente na etrusca e se relacionava ao calendário agrícola, dando origam a duas formas de manifestação religiosa: a devoção doméstica reconhecia os deuses do lar (lares e penates), enquanto o culto do Estado, comandado pelo sumo- sacerdote ( o pontifex maximus) e outras autoridades, assegurava o bem-estar da coletividade. Quando Roma se deparou co a cultura grega, as divindade do Estado foram identificadas com seus equivalentes do Olimpo. À medida que o império se expandia, seus exércitos traziam religiões estrangeiras para Roma. A mais importante, até a adoção do cristianismo no séc. IV. foi o mitraísmo, baseado na adoração de Mitra ou Mitras (o deus persa da luz, verdade e justiça), cujo sacrifício de um touro cósmico era aclamado por seus devotos em sacrifícios ritualísticos. Um culto de mistérios exclusivamente masculinos, o mitraísmo chegou a Roma no século I a.C. se tornou muit popular no exército.



A religião oficial resistia às inovações ou admitia sua existência apenas quando comprovadamente importantes. Homenagens divinas póstumas foram prestadas a Júlio César, a Augusto, a muitos de seus sucessores e a vários membros de família imperial. Nas províncias orientais do Império Romano, os imperadores vivos eram saudados como deuses.


Fonte: Enciclopédia Compacta de Conhecimentos Gerais, Istoé Guiness, Editora Três, 1995.


5 comentários:

  1. Uma pesquisa que nos traz muito ensinamento, discernimento e possível escolha. Excelente!
    Abraço.

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  2. Um tratado!
    Eu estudei isto em História Universal, quando ainda era menina,
    mas não esqueci, apesar de não ter seguido letras.
    Gostei de recordar.
    Abraço, Érika.
    ~~~

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  3. Um tema que me fascina...
    Mais um post notável! Parabéns, pela escolha do conteúdo!
    Beijinhos
    Ana

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