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segunda-feira, 29 de abril de 2013

O OBJETIVO DA VIDA É ENCONTRAR DEUS


Templo da Self-Realization Fellowship,

Hollywood, Califórnia, 8 de outubro de 1944

Trabalho só para Deus. A terra não tem ilusões para mim; consegui desmascarar todas. Você também deve compreender que está visitando a terra só temporariamente; está aqui apenas para aprender as lições necessárias e ajudar todos os que cruzarem seu caminho. Você não sabe por que foi designado para determinado papel, portanto deve descobrir o que Deus espera de você. Não alimente desejos pessoais; seu único desejo deve ser cumprir a vontade do Senhor, e viver e trabalhar para Ele.

Hoje estamos aqui, amanhã teremos partido: meras sombras em um sonho cósmico. No entanto, por trás da irrealidade dessas imagens fugazes, está a realidade imortal do Espírito. A vida na terra parece fútil e caótica enquanto não estivermos ancorados no Divino.

Por isso, como sempre tenho dito, estou aqui para dar testemunho da suprema importância do Espírito. Não se concentre em efêmeros objetivos mundanos e apegos humanos. Tal fanatismo afasta a mente do Senhor e do seu eterno Ser Nele. “Quem superou o apego aos objetos dos sentidos e às ações, e está livre de manipulações instigadas pelo ego – diz-se que esse homem alcançou a firme união da alma com o Espírito.”

Você está aqui pela vontade de Deus, mas Ele lhe deu liberdade para que viva como achar melhor. Agora você deve aprender a obedecer à vontade do Onipotente. É o que tento fazer. Todas as manhãs, peço- Lhe que diga o que quer que eu faça; então, vejo – O trabalhando por meio de minhas mãos e de meu cérebro, e tudo sai como Ele deseja.

Esse é o poder em que você deve confiar, o Poder por intermédio do qual você poderá encontrar orientação, felicidade, força e liberdade. Esse é o poder que lhe dará emancipação.

Nenhum outro dever é importante, se desviar nosso pensamento e nossa vontade do dever para com Deus; o resto é ilusão. Para estabelecer-me nesta verdade tive que remover todas as alucinações mundanas do cérebro, por meio da meditação e da companhia de grandes mestres. Quero inculcar isto em seu coração: enquanto não compreender que Deus é mais importante que qualquer outra coisa e enquanto não passar a vida procurando agradá-Lo, você não evoluirá espiritualmente.


Ignorar Deus não é sensato

Não é sinal de verdadeira sabedoria fazer a vontade Dele e ser diretamente útil, fazendo com que outros retornem a Ele? Minha maior alegria é lembrar como é importante e necessário recordar-se de Deus. A terra é um exílio; não estamos em nossa própria Casa. A qualquer momento, você pode ser obrigado a deixar o mundo; terá de cancelar todos os compromissos. Então por que dar mais importância a qualquer outra atividade, se resultar em não ter tempo para Deus? Isso não é sensato. É por causa de maya , a rede de ilusão cósmica lançada sobre nós , que nos emaranhamos em interesses mundanos e esquecemos o Senhor. Jesus disse: “Se teu olho direito te ofender, arranca-o, e atira-o longe de ti: pois é preferível perderes um dos teus membros do que teres o corpo inteiro lançado no inferno.”

Ele não estava falando literalmente, mas por metáforas; pois só quando a mente se envolve com desejos errôneos é que algum dos sentidos pode ofender a alma, a imagem divina no homem. Cristo quis dizer que, enquanto os desejos errôneos desvirtuarem os sentidos, nós continuaremos esquecidos de Deus, em Quem reside nossa real felicidade. Portanto, é melhor ser privado dos sentidos do que abusar deles. Cristo falou de modo dramático para salientar que nada na vida, nem mesmo o corpo, tem qualquer valor, se permanecermos ignorantes de Deus. Sem conhece- Lo , a vida se torna um “inferno” – uma casa de maribondos de problemas. Não há segurança no mundo; nunca se sabe de onde pode vir o desastre.

Um homem com câncer está no hospital. “Bem”, você diz, “não sou eu; é outra pessoa.” Mas eu me pus mentalmente em tais corpos e sei como essas pessoas se sentem desamparadas. Enquanto você está saudável e forte, não desperdice o tempo em bobagens. Deus compreende tudo; Ele sabe que nos mandou a este lugar horrível. Em Seu coração, ele sofre com nossos sofrimentos. Nada O fere mais do que nos ver chafurdar no lodaçal da ilusão. Ele quer que voltemos para Casa. E aos que fazem o esfoço de conhecê- Lo, Ele responde: “Tomado de pura compaixão, Eu, o Morador Divino, acendo neles a lâmpada radiante da sabedoria, que expulsa a escuridão da ignorância.”

Sempre que um homem retoma seus passos para Deus, ocorre uma grande comemoração entre os anjos. Eles realmente aparecem e recebem com grande alegria a alma que retorna.

Não haverá caminho de volta se você tecer uma rede de desejos mundanos ao seu redor. Você veio representar uma parte no palco do tempo, desempenhar o papel atribuído no drama divino; mas a parte essencial do papel e pensar Nele e fazer a vontade Dele, nada mais. Todo pensamento e ação que não colocarem Deus em primeiro lugar, serão ilusórios. As escrituras hindus dizem: “Tão logo sintas o desejo por
Deus, muda imediatamente de vida e mergulha Nele.”

Cada alma deve encontrar, sozinha, o caminho de regresso. Só você é responsável por seus enganos e hábitos. Encontrando na alma o seu verdadeiro Ser, estará livre. Mas enquanto não for livre, haverá perigo; terá de voltar à terra e exaurir todos os desejos que ficaram insatisfeitos. O corpo é mortal, mas a alma sobrevive ao corpo. Se morrer querendo um Cadillac, terá de voltar aqui para consegui-lo; não poderá obtê- lo no céu, onde não se utilizam carros.

Embora a força dos desejos seja grande, a potência da Vontade Divina é maior. Essa Vontade está em você e agirá por seu intermédio se você deixar, e se impedir que motivações mundanas teçam redes de encarnações à sua volta.

Busque Deus enquanto é jovem e forte, porque na velhice e na doença talvez não possa busca-lo. Quando a maioria das pessoas começa a entender o verdadeiro significado da vida, o corpo está mais fraco; elas têm que passar o tempo cuidando da frágil máquina física, em vez de prosseguir na busca da Realidade.

O único propósito da vida é encontrar Deus. Se é casado, você e seu cônjugue devem buscar o Divino juntos. Mas, se é solteiro, obedeça logo à ordem de Cristo: “Buscai primeiro o reino de Deus.” Quando O conhecer, Ele lhe dirá o que fazer. Do contrário, você não sabe que destino pode aguardá-lo no casamento. As histórias trágicas que chegam a meus ouvidos são inacreditáveis! Casos terríveis de incompatibilidade humana. As pessoas deveriam aprender, na juventude, a controlar as emoções. Penso que ninguém deveria se casar sem antes aprender a governar os impulsos. Enquanto não for emocionalmente estável, ninguém está preparado para constituir família. O principal é possuir autocontrole; então, se quiser casar-se, a pessoa certa será magneticamente atraída para sua vida.


A ignorância é como um poderoso veneno no organismo. Por causa dela não percebemos nossa verdadeira natureza, feita à imagem de Deus. Antes de mais nada, descubra, pela oração incessante, o que o Senhor deseja de você. Nada é maior que obedecer à vontade Dele. São os desejos que o escravizam e o fazem pensar: “Quero isso” ou “quero aquilo”. Não obedeça as ordens do inimigo, o ego; é a melhor fazer a
vontade do Pai Celestial, seu único Amigo.

Enquanto permanecer a ignorância, você não poderá dizer quantas encarnações de sofrimento estarão à sua frente. Elimine a ignorância, pela meditação. Quanto mais meditar, mais você cauterizará as perniciosas bactérias mentais que o infectam há séculos. Por exemplo, algumas pessoas são propensas à raiva; não compreendem que têm cultivado o hábito da ira durante muitas vidas. Outras são escravas do instinto sexual, em consequência de maus hábitos de muitas encarnações. Melhor é lutar para livrar-se dos maus hábitos agora. “ A quem vencer, eu farei coluna no templo de meu Deus, e de lá ele não mais sairá( não mais reencarnará).” Assim como eu, diga diariamente ao Senhor: “Estou trabalhando para Ti. Quando quiseres me levar, estarei pronto. Sou Teu filho." Ele lhe dará a mesma liberdade que me deu. Assumo mais e mais trabalhos e nunca me sinto sobrecarregado, pois faço tudo para Ele. Eu O amo. Essa entrega a Deus destruiu em mim o carma da ignorância. Enquanto houver um irmão chorando à beira do caminho, voltarei ao meu mundo para enxugar suas lágrimas. Por que deveria contentar-me em gozar as bênçãos do céu, enquanto outros estão sofrendo?

O romance do amor divino

Reforme sua vida. Comungue com Ele todas as noites; fale, reze a Ele com sinceridade. Abandone a imitação grosseira da prece distraída. Diga: “Senhor, eu sei que estás aqui. Tens que falar comigo! Saia da gruta do silêncio.” Esta oração está expressa em um cântico que escrevi à Mãe Divina, quando visitei o deserto perto de Palm Springs.

Mãe, minh’alma clama por ti!

Não podes mais Te esconder de mim.

Vem do silencioso céu,

Vem do vale das montanhas,

Vem do fundo de minh’alma,

De minha gruta de silêncio.

Mal terminara a canção e vi uma forma maravilhosa – a Mãe Divina! - surgir do céu.Em resposta ao chamado de minha alma, contemplei a Mãe Cósmica em tudo, em toda parte. Orei e A adorei. Ela me abençoou e falou comigo.

O romance mais sublime é como o Infinito. Você não faz ideia de como a vida pode ser bela. “Sem sentir-se atraído para o mundo sensório, o iogue experimenta a alegria sempre nova, inerente a Ser. Absorto na união divina da alma com o Espírito, ele alcança a bem- aventurança indestrutível.” ( Bhagavad Gita V:21). Quando, de repente você

descobre Deus em toda a parte, quando Ele vem, fala com você e o guia,  romance do amor divino começou.

Retirado do livro A ETERNA BUSCA DO HOMEM- Self- Realization Fellowship-2008-3ª
Edição. Escrito por Paramahansa Yogananda. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Se você

Se você já parou para admirar o incrível e interminável trabalho de uma simples formiga...


Se você já parou  espantado e tentou compreender a beleza admirável de uma casa de abelhas...


Se você já parou e procurou acompanhar a extraordinária velocidade e a maravilha espantosa do voo de um beija-flor...
Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura)


Se você já parou sentado no chão, e ofereceu suas mãos para seu cão lambê-las...



Se você  já parou e procurou sentir o perfume mágico do cheiro humilde das flores...
Papel de Parede Flores Vermelhas


Se você já parou e se dispôs mansamente a escutar o barulho eterno das ondas do mar...


Se você já parou e sentiu em seus lábios o mesmo sorriso que você viu naquela criança...


Se você já parou e sentiu derramar em seu rosto as mesmas lágrimas que você viu descerem tristes pela face enrugada daquele pobre velho...


Se você sentiu tudo isto, se você conseguiu compreender e observar isto tudo, na verdade você não parou um segundo sequer, você viveu de maneira mais intensa cada instante de sua vida, você encheu de beleza a sua alma e de amor o seu coração.
Saiba  que você chegou bem perto de Deus...

Autoria de Flávio Ernani Barbizan. 
Imagens: cópias do Google.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Movidos pela fé

A mesma fé que move montanhas arrasta multidões. São irmãos e irmãs que se despem de rótulos e títulos para unificar uma vibração em comum. Uma montanha de gente. 
Subjetiva, a fé responde questionamentos  em cânticos e orações feitas de joelho.
 É simbolizada em objetos, cultivada em tradições e cortejada em festejos que aglomeram Interior e Capital sob o mesmo sol. 
Movida a multidões, perpetua suas raízes e conquista novos
 adeptos, como se fosse um combustível, que move as vidas e vice-versa.



Olhares e mãos que se tocam sem ao menos saber o nome ou o endereço.
 Personalidades que se relacionam tão bem entre si que nem parecem desconhecidos.

Deivyson Teixeira  -  http://www.opovo.com.br

terça-feira, 16 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Mulheres

O universo feminino é uma inspiração de criações musicais de famosos compositores brasileiros
Reais ou imaginárias, elas são fontes de inspiração de canções clássicas da Música Popular Brasileira. Marina, Rosa, Dora, Madalena, Amélia, Dinorah, Anna Júlia, entre outras, são personagens e protagonistas de letras compostas por consagrados nomes da MPB como Tom Jobim, Chico Buarque, Dorival Caymmi, e Ivan Lins.

Dentre elas, algumas representam mulheres marcantes de uma cena da vida dos compositores, umas foram amores impossíveis ou desfeitos, enquanto outras simplesmente fizeram parte do universo afetivo ou familiar deles. Entre todas, o que se nota é a forte influência do mundo feminino até mesmo nas criações musicais.
Fonte: Diário do Nordeste.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Um olhar para dentro de mim

    Mas uma vez estamos diante de nós mesmos. É sempre uma oportunidade de olhar para dentro, mergulhar em nossos mistérios, sonhos, lembranças.

    Retomar a vida e a luta nas mãos, as coisas que têm para nós tão profundo significado e aquelas que ainda estão por vir.

    Descoberta. De nós mesmos? Dos outros? Da vida?

    Nos caminhos pelos quais passamos e naqueles que ainda estão por vir, sempre ficará uma marca do que deixamos...


a-deriva1

sábado, 30 de março de 2013

Costumes funerários em Fortaleza no início do século XX

Já não havia carpideiras no século passado; isto é, as mulheres mercenárias que acompanhavam os funerais sem choramingas, mas com moderados carpidos

Os velórios eram feitos na própria casa, com a participação da família, parentes e amigos, que, prostrados diante do féretro, compungidos, rezavam as mais fúnebres orações com expressões de clamor e evocações aos santos da Corte Celestial.

Todo esse ato de piedade se desenrolava com a chegada dos parentes e amigos; estes, ao tomarem conhecimento do fato, se acorriam para prestar solidariedade à familiar enlutada. Os defuntos eram enterrados na conformidade das posses (condições) econômicas da família daí o velho adágio "cada um enterra o seu pai como pode".


A encomendação

Após a defunção, antes do sepultamento, o contrato celebrado com a empresa funerária, logo chegava à casa do morto.

O pessoal conduzindo a "essa", castiçais, crucifixo, tapete para colocar a "essa", cortinas com detalhes no tecido gorgorão de cor preta e guirlandas prateadas em redor das janelas e bandeirolas, mesa para crucifixo e caderno de anotações com endereços e assinaturas dos que compareciam, para posterior agradecimento.

À distancia sabia-se da existência do velório; o pranto se fazia ouvir mesmo longe da casa do de cujus. Era também sinal da despedida dos parentes e amigos e do ultimo adeus.

Dos ritos

Alguns sepultados eram levados (carregados) à mão. Dependia do grau de merecimento de cada defunto, da posição social e econômica. As saudades e tristezas se traduziam sob as mais variadas formas cobrindo de luto as famílias, parentes e amigos com copiosas tristezas.

Nas residências se colocavam cortinas nas portas, janelas, varandas denunciando a existência no local de um sepultamento. As cortinas ricamente confeccionadas com guirlandas de cor preta e tecido prateado davam as conotações do evento que envolvia em muitas lágrimas o triste episódio.

O cortejo

Eram poucos os postos dos automóveis de aluguer de luxo, previamente contratados para o enterro. A empresa funerária se encarregava de contratar os mais luxuosos carros; assim, sob as expensas da família enlutada, conduzia pessoas, parentes e amigos até o cemitério São João Batista (já em pleno funcionamento).

O carro fúnebre ostentava a altura da situação econômica, estilo de fabricação e classe na condição financeira de cada família. Quanto maior o poder aquisitivo do féretro maior ostentação. Os carros fúnebres que conduziam pessoas de alta estirpe eram de cor preta, com luxuosos penachos em redor dos carros, abertos nas laterais, caixão posicionado no centro da carroceria, cercado com várias coroas de flores diversas dependuradas todas e sobre o ataúde.

Ao chegar ao Cemitério São João Batista, as coroas eram retiradas do carro, juntamente com as fitas de seda tafetá, preto e prateado e cor ouro em fitas lilás com inscrições pregadas nas mesmas; tudo dava um tom sóbrio mencionando o último adeus.

No cemitério

No portão de entrada do Cemitério, o ataúde era retirado pelos amigos e familiares ou autoridades constituídas pelo Estado para dar inicio ao cortejo. O carro com penachos pretos anunciava a chegada do ente querido aguçando mais ainda as emoções..

O féretro inerte aguardava a encomendação do corpo pelo pároco, água benta que o sacerdote espargia sobre o defunto e também nos presentes. A sobriedade e tristeza tomavam conta de todos que ali se prostravam, para as despedidas dos restos mortais. Os sepultamentos saiam da própria residência, pois ainda não havia local para velório na Cidade. (A recuperação do passado sempre ergue uma ponte em direção ao presente).

A natureza da morte

Variava ainda o tipo de enterro diante da doença que o vitimara. Nos casos de doenças infectuosas, os moradores deixavam a casa, fechando-a para proceder uma limpeza geral. Por isso lavavam todas as dependências com poderosos desinfetantes, sendo a "creolina" de grande eficácia pelo teor sobre os micróbios e outras bactérias. Daí para frente, todos da família se cobriam de luto mais severo que se podia apresentar durante certo e determinado tempo.

As mulheres, vestidos ao rigor da dor, além das vestes, chorões, chapéus com véus, sapatos, meias, luvas transpiravam as saudades; os homens, vestidos a caráter de roupa preta, recolhiam-se até aguardar o tempo do "nojo" autorizado pelos órgãos públicos, quando funcionários, ou, na própria residência pessoas, parentes e amigos que, por algum motivo, não puderam comparecer ao enterro.

Os homens botavam na manga ou lapela do paletó ou camisa de colarinho, o indefectível "fumo preto" em sinal de respeito ao falecido; a tarja usava-se durante três, sei meses ou um ano, dependendo do grau de parentesco: viúvas ou viúvos, um ano; filhos seis meses; tios e irmãos três meses; primos um mês. Assim todos compungidos entre abraços tinham as mesmas emoções e falavam a mesma língua de condolência.

A cena social

Algumas viúvas, além do vestido preto, portavam chapéu chorão acoplado ao fichu. As viúvas resguardavam-se na alcova e ao fundo da casa, para não serem vistas por outras pessoas, a não ser pros parentes mais próximos, ficando durante um ano de "luto fechado", sem participar de nenhuma festa ou reunião social.

Só depois poderia começar "aliviar" o penoso luto fechado por mais de um ano, vestindo roupas cujas cores invariavelmente seriam preto e branco, numa, assim, demonstração de respeito e amor ao de cujus.

A partir daí, com o espaço de sete dias, eram todos convidados a participar da missa e, em seguida a visitação à cova no cemitério, encerrando com missa os funerais de sétimo dia, rogando a Deus que conduzisse o de cujus ao Reino dos Céus, perdoando-lhe, então, os pecados.

FIQUE POR DENTRO

A cerca das mulheres carpideiras

As carpideiras prestavam seus relevantes serviços às antigas famílias fortalezenses, quando compareciam aos velórios chorando copiosamente nos recintos fúnebres rogando piedade e salvação para os falecidos, sem sequer conhecê-los. O número de carpideiras dependia das condições econômicas da família do morto. A profissão de carpideira é feminina, cuja função através de acordo monetário consiste em chorar para um defunto alheio, mostrando seus prantos, mas sem nenhum sentimento, amizade ou grau de parentesco. Tudo com o mais profundo clamar cujo olhar dava dó. Era um negócio qualquer entre as partes. No Brasil, a profissão de carpideira veio junto com a colonização portuguesa, onde a carpideira recebia da família do de cujus, "bens moveis" em vez de dinheiro, diante da escassez monetária da época. 

Itha Rocha disse que foi entrevistada várias vezes por Clodovil, quando ele era apresentador de TV Foto: Vagner Magalhães / Terra
Itha Rocha
A carpideira mais conhecida do Brasil chama-se Itha Rocha.
 Com seu trabalho chega ganhar até R$ 300,00 (trezentos reais) por cada velório. Já trabalhou em velórios como Lady Diana, Clodovil Hernandes, dentre outros famosos.