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segunda-feira, 12 de março de 2018

O RELÓGIO
João Cabral de Melo Neto

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade.

Imagem: Hall Groat II



7 comentários:

  1. Linda escolha do poema, a "prisão" de nossas vidas, os relógios marcam as horas, com elas vamos indo, nem sempre nos dando conta disso!
    Abraços apertados querida Érika!

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  2. Ao ver a foto do Relógio, que aqui designamos de Algibeira,pareceu-me ver um que me foi oferecido há uns 25 anos e agora no Natal ofereci a Meu Neto mais velho, Continuarei a Ouvir o Seu TIC-TAC ainda que á distãncia. Beijinhos
    Alberto

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  3. Bonito poema.
    Adoro esses relógios de algibeira.
    Abraço

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  4. Um dos melhores poemas de João Cabral de Melo Neto! Demais! ;)

    beijos!!

    https://ludantasmusica.blogspot.com.br

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  5. E cada vez mais... somos prisioneiros do tempo... que nos enclausura, com as suas solicitações...
    Um belíssimo poema, que adorei descobrir por aqui!
    Beijinho!
    Ana

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