sexta-feira, 6 de outubro de 2017

HOJE DESAPRENDO O QUE TINHA APRENDIDO ATÉ ONTEM

Hoje desaprendo o que tinha aprendido até ontem
e que amanhã recomeçarei a aprender.
Todos os dias desfaleço e desfaço-me em cinza efêmera:
todos os dias reconstruo minhas edificações, em sonho eternas.

Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência
dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo.
E do alto avisto os que folgam e assaltam, donos de risos e de pedras.

Cada um de nós tem sua verdade, pela qual deve morrer.
De um lugar que não se alcança, e que é, no entanto, claro,
minha verdade, sem troca, sem equivalência nem desengano
permanece constante, obrigatória e livre:
enquanto aprendo, desaprendendo e torno a reaprender.

Cecília Meireles (1961)
Imagem: Charles West Cope
                       

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