quarta-feira, 23 de março de 2016

Bairro Jardim América


Em meados da década de 1940, o mundo acompanhava os últimos horrores da Segunda Guerra Mundial. Quem comandou os Estados Unidos durante quase todo o conflito foi o presidente Franklin Delano Roosevelt. Em Fortaleza, uma praça em homenagem a ele foi oficialmente inaugurada em maio de 1945, segundo o livro “Cronologia ilustrada de Fortaleza”, do memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez.

Essa praça tem importância vital para os moradores do Jardim América, já que é considerada o “marco zero” do bairro, de acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Jardim América e Bairros Vizinhos (Aaja), Márcio Martins.

Ainda segundo o livro de Nirez, o bairro já teve como nomes Dom Bosco, Barro Preto, Barreiras e Tauape. Márcio complementa e diz que a região também já foi conhecida por Laguna. De início, aquela era uma conhecida região pantanosa da Capital, pouco habitada, onde prevaleciam os sítios.

Márcio Martins destaca que o nome Jardim América faz, sim, uma referência aos Estados Unidos da América. “O governador do Estado, na época, conseguiu uma verba, ajudada pelos americanos, para fazer a terraplanagem dessa área toda, que era muito alagada. E (o governador) fez uma referência: ‘aqui vai nascer um pedaço da América. Ao redor de tanto verde, aqui vai ser o Jardim das Américas’”, narra Márcio que, atualmente, produz o livro “American Garden: um pedacinho dos Estados Unidos no Ceará”, sobre o bairro.

A realidade daquela época, porém, já não é mais tão condizente com a situação atual do bairro. Segundo o Mapeamento das Áreas Verdes de Fortaleza, realizado pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), o Jardim América é o que menos possui cobertura vegetal na Cidade, com 0,008 quilômetros quadrados. Neste sábado, dia 21, será realizado o “Dia D do Jardim América”, que vai distribuir mudas de plantas para tentar reverter esse quadro. Também serão apresentados os projetos esportivos, sociais e culturais existente no bairro.

Outra preocupação da associação de moradores é com a identidade dos habitantes do Jardim América. “Começamos a sofrer certa influência do crescimento do Montese. Hoje, somos um dos poucos bairros que luta, de maneira aguerrida, para não ser confundido com o Montese. Isso é crucial para a história cultural do povo. Somos muito bairristas”, orgulha-se Márcio Martins.

Uma característica interessante que pode ser notada ao circular pelas ruas do Jardim América é a presença de moradores antigos. Uma delas é a pensionista Germana Coelho de Sousa, 87, provavelmente a última “rezadeira” do bairro. Ela mora há 37 anos no Jardim América. A conversa corre na calçada, onde a senhora fica sentada quase o dia todo. Ela garante que não há perigo. “Pode ficar na calçada até umas 22 horas”, afirma. “Tem mais de 40 anos que eu rezo. Aprendi com uma tia minha”, conta. Dona Germana diz que chega a atender mais de 40 pessoas em um dia. 
Outra característica marcante do Jardim América é a presença dos canais da rua Waldery Uchoa e da avenida Eduardo Girão. Segundo matérias publicadas pelo O POVO, a construção deles remete à década de 1950. “É a nossa maior referência. Ele corta o bairro todo, passa na praça e vai para as laterais (do bairro). Pega praticamente o bairro todo. Já virou até marchinha de Carnaval”, conta Márcio Martins.

Um comentário:

  1. Olá!
    Acho bonito resgatar a história dos bairros e ruas, como você tem feito.

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