terça-feira, 28 de junho de 2011

Livro revive histórias das ferrovias




Livro conta histórias das ferrovias no Ceará. Resultado da luta pela reativação do Museu do Trem, pesquisa de ex-ferroviário e historiador trata do surgimento e da decadência das locomotivas no País.


Estação de Sobral é ponto importante na história das ferrovias (BANCO DE DADOS
)
Estação de Sobral

Não é preciso ter sido “menino criado em beira de linha”, como escreveu Rachel de Queiroz, para o barulho de trem provocar as mais diversas paixões. Antigas estações, maquinistas, marias-fumaça, chegadas e partidas povoam a literatura, a música e a memória de muita gente.

Para contar muitas dessas histórias, os pesquisadores José Hamilton Pereira e Túlio Muniz lançam nesta quinta-feira (30) o livro Os Descaminhos de Ferro do Brasil, verdadeiro passeio pela trajetória e problemas da ferrovia no país, com destaque para a história da estrada de ferro no Ceará.


A pesquisa surgiu no ano passado, do encontro do jornalista e historiador Túlio com o engenheiro aposentado e memorialista de ferrovias José Hamilton, autor de Estradas de Ferro do Ceará, em parceria com Francisco Assis Lima.


O livro lançado nesta semana é resultado da luta de Túlio e Hamilton pela reativação do Centro de Preservação da História Ferroviária do Ceará, em funcionamento na avenida Francisco Sá de 1982 a 2000. O museu foi desativado com a privatização da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) e permanece fechado por indefinições jurídicas.


TRILHOS PERDIDOS
Túlio Muniz explica que Os Descaminhos de Ferro do Brasil trata do surgimento e decadência das ferrovias no País. “O Brasil perdeu 10 mil km de linha de ferro. Tínhamos quase 40 mil há 30 anos”, contabiliza. Ele cita que, roteiros turísticos à parte, só restaram duas linhas de maior porte: Vitória (ES)-Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA)-Carajás (PA).
José Hamilton, ex-diretor do Museu do Trem, comenta da importância dos trilhos para o desenvolvimento. “As duas ferrovias (de Sobral e Baturité) foram de grande valia para o Estado. Foi assim com Ipu, Sobral, Quixeramobim, Quixadá”, enumera.


O rico acervo fotográfico e as referências musicais e literárias fazem da obra um oportuno convite à leitura de histórias trilhadas por locomotivas. E em tempos de Veículo Leve sobre Trilho (VLT), fica a lembrança nostálgica de Rachel de Queiroz: “Trem mesmo é com maquinista, foguista, condutor e os guarda-freios correndo por cima dos carros, torcendo aquelas rodas de frear, enquanto os postes do telégrafo desfilam e o apito de repente grita meio histérico, porque há rês na linha”.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA
O livro Os Descaminhos de Ferro do Brasil é o resultado provisório da luta de José Hamilton e Túlio Muniz pela reativação do Museu do Trem, na Estação Ferroviária João Felipe. Indefinição jurídica compromete o projeto

SERVIÇO

Lançamento do livro
Os Descaminhos de Ferro do Brasil
Dia e Horário: 30 de junho (quinta-feira), a partir das 17h
Onde: Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51 – Centro)
Preço de lançamento: R$20 
Thiago Mendes
thiagomendes@opovo.com.br
Fonte: Jornal O POVO

sábado, 25 de junho de 2011

Vinhetas

1. "Um lobo achou uma galinha, e resolveu matá-la. Comendo-a apressadamente, atravessou-se-lhe um osso na garganta. Vendo uma cegonha, rogou-lhe extraísse o corpo estranho, sob a promessa de dar boa compensação à 'doutora'.
Executando o trabalho, a cegonha cobrou o prometido. Mas o lobo respondeu: 'O favor a ti foi muito maior em relação ao feito a mim. Poderia haver-te cortado o pescoço quando estavas com ele em minha boca, porém não te quis matar. Fica um obséquio pelo outro.' "
A história demonstra não se dever esperar benefício prestado.
Às vezes a ingratidão seca a fonte da piedade, se a pessoa não tiver o espírito de Cristo.

Publicado em 16 de novembro de 1985
Jornal O POVO                                       Itamar Espíndola

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Lenda Viva

Mário Gomes, o grande poeta cearense, tido havido, como uma das inteligências privilegiadas da Terra de José de Alencar.


Autor de vários livros, e que chegou até a ser biografado pelo embaixador Mário Catunda. Vive perambulando palas ruas de Fortaleza, falando sozinho, o corpo curvado para frente, como um mendigo embriagado. O poeta, pelo que se vê,  pagou caro por assumir um compromisso radical com a máxima liberdade possível, por querer gozar as maravilhas da vida ignorando os ponteiros do relógio. Antigos amigos sumiram todos. Devem ser considerados normais e se afastam dizendo: "Quem quer conversar com doido?"


Mário Ferreira Gomes nasceu em Fortaleza em julho de 1947. Antes de assumir-se poeta boêmio convicto, foi professor do antigo Curso de Admissão ao Ginásio, na escola Albaniza Sarasate. Iniciou, sem concluir o curso de Arte Dramática na Universidade Federal do Ceará. No final da década de 1960 fez parte do Clube dos Poetas Cearenses, agremiação dirigida pelo Carneiro Portela que se reunia na Casa de Juvenal Galeno.
Foi internado diversas vezes e conta suas mirabolantes fugas dos tratamentos com choque elétrico. 
Entre suas principais obras estão: Lamentos do Ego, Emoção Poética, Termo de Poesias com (Alcides Pinto e Márcio Catunda) e Uma Violenta Orgia Universal (Antologia Poética).

 
Mário Gomes e Márcio Catunda


Poema de Mário Gomes

O GRITO DA LIBERDADE
"Um dia, / meu grito ultrapassará / o infinito. / explodindo o universo, / despertando o Senhor. / Rasgarei meu peito / e meu coração pulará / avermelhado, brilhoso e lindo / para ser devorado pelos Deuses / e se transformar em centenas de outros Mários. / Aí sim, serei livre e eterno."

O escritor Raymundo Metto reconhece Mário Gomes como patrimônio imaterial da cidade de Fortaleza.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Museu da UFC completa 50 anos em mostra histórica

A exposição de cinquentenário do MAUC abre hoje (22) e segue até novembro, com parte do acervo próprio com obras de artistas locais e internacionais.

Entre as coleções do museu, destaca-se a sala dedicada ao artista plástico Aldemir Martins (FOTO RODRIGO CARVALHO, 8/7/2008)
Entre as coleções do museu, destaca-se a sala dedicada ao artista plástico Ademir Martins. (Foto de Rodrigo Carvalho, 8/7/20088 

“O Museu de Arte terá, sem dúvida, uma grande missão em nossa terra, devendo abranger um campo que se estende desde a pintura clássica até a arte mais tosca de nossos artistas nordestinos”. Assim, dias antes da inauguração, que aconteceu no dia 25 de junho de 1961, do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), O POVO previa a importância do equipamento para o Estado. De lá pra cá já se passaram 50 anos e hoje (20), o Mauc abre a programação em comemoração ao aniversário com uma exposição de peças do acervo que pretende ser um passeio pela história do local.


Fundado a partir de uma iniciativa do então reitor Martins Filho, o Mauc foi inaugurado no mesmo dia do aniversário de seis anos da UFC e instalado em uma chácara que antes sediava o Colégio Santa Cecília. Só em 1965 ganhou a sede própria que hoje fica no campus do Benfica, em frente à Reitoria, no cruzamento das avenidas da Universidade e 13 de Maio. Em 1949, quando de uma visita que fez ao Museu del Prado em Madrid e a museus parisienses em que foi guiado por Antônio Banderas, Martins Filho já alimentava a ideia da fundação do Museu.


“Compreendi, igualmente, que teria tido maior rendimento nas minhas esporádicas visitas aos museus da Europa, se estivesse mais familiarizado com o mundo maravilhoso das artes plásticas. Concluí então que deveríamos iniciar o movimento pró-fundação do Museu de Arte da Universidade”, explica em texto da época publicado atualmente nos site do Mauc. Ele cita nomes como o de Heloísa Juaçaba e dos pintores Zenon Barreto, Antônio Bandeira e Floriano Teixeira como apoiadores da ideia embrionária.

A exposição de instalação foi uma coletiva que reunia arte sacra e popular de artistas locais, como Francisco Silva, Raymundo Cela e Sérvulo Esmeraldo, que contribuíram com doações e empréstimos ao incipiente acervo, que vinha sendo coletado desde 1958.

Sobre essa primeira exposição, o escritor cearense Fran Martins disse à época: “Museu que vai começando da estaca zero, com quadros e imagens emprestadas, com arte popular pela primeira vez apresentada como cousa de valor, para grande surpresa de mestre Chico Santeiro, e Francisco Silva, que jamais pensaram que os bonecos que faziam e as serpentes que pintavam um dia seriam admirados por generais e doutores, todos neles reconhecendo valores que os seus próprios autores ignoravam completamente”.

Há 24 anos, sendo dirigido pelo professor Pedro Eymar, o Mauc abre hoje a exposição que fará uma recorte do acervo atual de cinco mil obras. “Nunca estivemos em momento melhor. A exposição conta um pouco dessa história em que a nossa principal vocação, o nosso endereço é a tensão entre a arte clássica e a moderna, o surgimento das vanguardas”, explica.

A mostra traçará a trajetória do equipamento desde a fase pré-museu, passando pela evolução do acervo, a formação das coleções e mudanças na estrutura física do prédio. Para isso reúne fotos, reproduções de documentos, painéis, textos explicativos e obras dos chamados artistas fundadores, como Barrica, Aldemir Martins, Floriano Teixeira, Estrigas e Nice Firmeza, Barbosa Leite, Vicente Leite e daqueles que ganharam salas permanentes. “Resgatando a tradição dos ateliês coletivos, a exposição será montada no salão principal, reunindo todos os artistas em um único espaço”, adianta o diretor.

Além da mostra, as comemorações seguem com o retorno das oficinas de gravura, desenho e pintura, das homenagens a artistas, ex-diretores, funcionários e ex-funcionários do Museu. “Além da digitalização de todo o acervo, que começará pela coleção do artista suíço Jean-Pierre Chabloz”, revela.

SERVIÇO

EXPOSIÇÃO EM COMEMORAÇÃO AO CINQUENTENÁRIO DO MAUC
Onde: Mauc (avenida da Universidade, 2854, Benfica)
Quando: de hoje (22) até 12 novembro
Horário de visitação: de 8h às 12h e de 14h às 18h, de segunda a sexta
Acesso gratuito
Outras info: (85) 3366 7481
 Fonte: jornal Diário do Nordeste

sábado, 18 de junho de 2011

Vinhetas

1. Em geral o prestígio está na dependência do cargo ou da posição social, econômica ou política de cada um. Quando falta pouco tempo para o Juiz aposentar-se, sua influência social quase desaparece. Com o militar na reserva ou reformado dá-se o mesmo. De modo igual acontece com os governantes, nos últimos meses do mandato.
O evento relatado na carta da estimada leitora acha-se dentro de área semelhante. Em virtude do cargo de Chefa, você podia fazer favores, e por isso era cortejada. Agora os beneficiados lhe voltam as costas. Então homenageando o sucessor.
Há muitos anos, meu pai foi apresentado a uma exercente de cargo de manda na Secretaria da Fazenda: "Este é o Dr. José Eduardo Espíndola, Diretor da Recebedoria do Estado." A Chefa ergueu-se atenciosamente, estirou-lhe a mão e ficou em pé, sinal de apreço. Porém Espíndola, muito autêntico, esclareceu: "Diretor, mas aposentado." Foi o bastante para a senhora sentar-se de pronto, e dizer com desdenho: "Ah, bem, aposentado..." E  cortesia inicial foi-se ligeira.
Neste mundo cão, infelizmente o interesse é a regra das ações.
Contente-se. Viva com os próprios méritos. A gratidão é como cabelo na minha cabeça e na do Cel. Burlamaqui, dente na boca de velho ou dinheiro no bolso de pobre.

Publicado em 16 de novembro de 1985
Jornal O POVO                                         Itamar Espíndola

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MAR PORTUGUÊS

Fernando Pessoa, português e poeta modernista


MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

sábado, 11 de junho de 2011

Vinhetas

1. A primeira greve noticiada no mundo ocorreu no Egito, mil e quinhentos anos antes de Cristo, feita pelos escravos construtores dos monumentos do Faraó. A segunda foi em Huang-ho (China), novecentos anos mais tarde, deflagada por cerca de oitenta mil trabalhadores na construção de diques. Por ordem do Imperador, foram degolados perto de setecentos líderes responsáveis por esta greve.

  2. Somente quem foi enfermo grave, carente ou muito necessitado, sofreu injustiça, ingratidão ou calúnia ou então perdeu um grande amor sabe compreender o enorme sofrimento da vítima de qualquer destes eventos, e perdoar-lhe os momentos de grosseria, impaciência ou agressão. Irritar-se com ela seria negar-lheamor cristão.

Publicado em 9 de novembro de 1995
Jornal O POVO                                            Itamar Espíndula

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A tradução na religião

O leitor já sabe que somente co século XVI apareceram os primeiros dicionários bilíngues - 158, francês - inglês; 1591, espanhol - inglês; 1596, francês - alemão, 1598, italiano - inglês, etc. -, daí não se saber ao certo como foram traduzidos os textos bíblicos antes deste período para o inglês, por exemplo. Os famosos 72 eruditos se reuniram em Alexandria, no Egito, para  traduzir O Antigo Testamento para o grego, dando origem à versão da bíblia conhecida como Septuaginta. Na Europa moderna, até 1699, a Bíblia já havia sido traduzida para 51línguas e os erros de tradução e adaptação ficaram mais visíveis com o auxílio dos dicionários bilíngues. A maioria dos livros traduzidos em toda a história é de cunho religioso, assim, dos 450 textos traduzidos pelos jesuítas até 1.700 para o chinês, 330 eram religiosos.

Traduções mudaram boa parte da história da Bíblia, exemplo: Iñigo era um nobre basco e foi ferido com uma bala de canhão, em 1521, na Batalha de Pamplona. Iñigo coordenava a festa de San Fermin que se dá no mês de julho; e gostava mais de corrida de cavalos do que das missas na Igreja Católica. O fato éque Iñigo durante sua convalescência leu dois textos devocionais: a Legenda áurea, de Jacob Voragine e A Vida de Cristo, de Ludolfo da Saxônia. Na montagem da história e nas traduções sobre o soldado Iñigo, benevolentemente ele foi transformado em Santo Inácio de Loyola. Se não fosse essa "mãozinha" dada na interpretação e na tradução de Iñigo, é difícil acreditar que ele seria hoje Santo Inácio de Loyola.

Os jesuítas, quando foram à China converter os chineses ao Cristianismo, tiveram muita dificuldade na tradução para o mandarim e algumas palavras foram adaptadas à cultura chinesa para que houvesse a compreensão - no Japão, por exemplo, a palavra Deus ficou como intraduzível, pois não havia similar na escrita nipônica.

As adaptações  nas traduções não se restringiram somente as da Bíblia, pois os clássicos também foram alcançados, exemplo: Arte della guerra, de Maquiavel, transferiram na tradução o diálogo que se deu na Itália para a Espanha e converteram os personagens italianos em espanhóis. Galileu também penou com as traduções de seus livros, pois queria universalizá-los traduzindo para diversas línguas, inclusive resistiu, mas autorizou a tradução da obra para o latim sob sua supervisão para evitar "interpretações" diversas. A Bíblia é o livro mais vendido do planeta, mas tem mais ouvintes do que leitores em suas diversas traduções e interpretações.
Luís Olímpio Ferraz Melo - psicanalista
publicado no Jornal O POVO, 04/06/2011, página 36.

sábado, 4 de junho de 2011

Nosso Teatro Municipal


Nosso teatro municipal

Bem tombado desde 1988, o Teatro São José foi desapropriado em março do ano passado e vai ser o primeiro teatro municipal de Fortaleza.  À Prefeitura, já foi imitido o termo de posse, que abre caminho para a reforma.

O Teatro São José, de 1915, deve passar por reformas em sua estrutura interna, preservando sua fachada original (DÁRIO GABRIEL, EM 17/3/2010)
O Teatro São José de 1915, deve passar por reformas em sua estrutura interna preservando sua fachada original. (ADRIANO GABRIEL. EM 17/03/2011).
            
Parte de nossa paisagem urbana desde 1915, o Teatro São José, hoje um tanto debilitado, vai passar por mudanças. Como noticiou a coluna Vertical, do O POVO, na última segunda-feira, o lugar está a um passo de se tornar o primeiro teatro municipal da Cidade. A desapropriação aconteceu ano passado, em março (pelo decreto número 12.623, de 30 de dezembro de 2009). A reforma já foi desenhada e precisa apenas de ajustes. O dinheiro, proveniente dos cofres do Governo do Estado, também já está disponível – num total de R$ 900 mil. O que falta? Desde 31 de maio, já não falta nada.


Na data, foi imitida a posse provisória do prédio para a Prefeitura, segundo a assessoria do Fórum Clóvis Beviláqua. O governo municipal assume no lugar da Federação dos Trabalhadores Cristãos do Ceará, até então responsável pelo lugar. Pela transação, à federação foram destinados, em 13 de dezembro, R$ 944,770 mil, segundo a 3ª. Vara da Fazenda Pública, onde está agora o processo. “Estamos conversando com a Prefeitura, a última vez que estive lá foi maio. Mas esse valor ainda não foi repassado”, contou Dulce Maria Roberto de Lima, atual presidente da federação.


A última reforma pela qual passou o São José foi em 1994, quando a Funcet era presidida por Cláudio Pereira – o teatro já tinha sido tombado, em julho de 1988 (pela lei N° 6318), na gestão de Maria Luiza Fontenele. Desde então, ele segue com algumas atividades. “O teatro necessita de melhorias estruturais gerais, em aspectos como iluminação, hidráulica, parte elétrica e sonorização”, detalhou Fátima Mesquita, secretária da Cultura de Fortaleza, em entrevista por e-mail. Nem a fachada nem as áreas internas podem ser modificadas, o tombamento não permite. Resguardada de modificações feitas pelo homem: porque ao tempo não se pode impor tantas exigências.


Em jogo, uma outra organização, o Círculo Operário de Trabalhadores Cristãos, que promove atividades no lugar – as mais conhecidas são referentes a trabalho com idosos (tem dança, um tipo de seguro para funeral, entre outras iniciativas). “Até o momento, eu não fui comunicado de nada. Há muito tempo, nós tivemos uma reunião, ano passado, mas não sei nada”, reclama José Couto, presidente do círculo. Durante anos, quem coordenava as ações era dona Lyrisse Porto. Foi ela, também, a responsável pelo Museu do Maracatu, hoje desarticulado. “Ficou meio abandonado. Alguma coisa está lá, mas pouca coisa”, lamenta Dulce.


História

“O São José era um teatro paroquial. Nos anos 1920, 1930, 1940, cada igreja tinha seu salão paroquial, com uma atividade muito grande. Cada bairro da Cidade tinha dois outro três deles, com peças religiosas, comédias leves”, conta Ricardo Guilherme, ator e pesquisador do teatro em Fortaleza. Naquela época, ressalta Guilherme, tudo passava pelo controle dos padres, e o São José não era diferente. Mas vieram os anos 1960, e com ele mudanças no entorno. “As prostituas saíram dos Centro, das chamadas pensões alegres, e muitas ficaram por ali”.


Em 1974, exatamente, Guilherme tentou reerguer um São José já meio decadente. “Foi lá que fiquei trabalhando, ele foi a sede do meu grupo Conversa Teatralizada. Também fazia os espetáculos lá, mas sempre de forma acanhada, periférica. Fiquei dois anos lá. Depois, a Lyrisse continuou fazendo trabalhos sociais”. O pesquisador lembra ainda da torrinha, a mais irreverente da Cidade. “Em todos os teatros, a torrinha sempre era irreverente, mais participativa. Mas no São José era um grande desafio você trabalhar porque tinha que enfrentar uma torrinha muito gaiata”.


E agora

ENTENDA A NOTÍCIA


Fundado em 1915, o Teatro São José será centenário em alguns anos. Já está desapropriado desde 2010, e a um termo de posse provisório já foi imitido para a Prefeitura. Só com ele, as obras podem ter início. A reforma será custeada com recursos do Governo do Estado no valor de R$900 mil.

SAIBA MAIS 

As obras vão ser tocadas pela Secretaria Especial do Centro e fiscalizadas pelo Governo do Estado através da Secretaria de Cultura (Secult). “Nós temos que fazer um acompanhamento técnico da reforma do prédio, em função do prédio ser tombado”, lembrou Otávio Menezes, da Secult.

NÚMEROS

944,7

MIL REAIS

Este foi o valor pago pela Prefeitura para a desapropriação do Teatro São José, e atualmente está à disposição da Federação dos Trabalhadores Cristãos do Ceará por depósito em juízo.

Júlia Lopes
julialopes@opovo.com.br
Jornal O Povo, 04/06/2011 

Vinhetas

       Inúteis os queixunbres contra a ingratidão. Quem é favorecido sempre procura fugir do benfeitor, para não serem lembradas as mercês recebidas, o emprego, o dinheiro emprestado, a boa orientação da qual resultou bom sucesso na vida do ingrato. Instala-se no beneficiado espécie de complexo de inferioridade. Não quer assumir a posição de devedor, e esta lhe parece a melhor estratégia. As pessoas em geral têm história símile meste campo. Nem Cristo escapou, apesar de sua união hipostática, Deus-homem. Negado três vezes por Pedro; traído por Judas; esquecido, à exceção de um, pelos leprosos curados; episodicamente vulnerado pela incredulidade de Tomé.
      Certa vez consegui bom emprego para um amigo, em cuja nova função passou a ganhar vinte vezes mais. Um dia pedi-lhe levasse uma carta ao Correio. Respondeu-me displicentemente: "Hoje não vou pra aquelas bandas". Outro, para quem obtive cargo efetivo de boa renumeração, deixou de trocar-me cinco mil cruzeiros, sob a alegativa de já haver fechado o "caixa" do órgão no qual servia.
      Ante a ingratidão, cabe lembrar o ensino de autor desconhecido, cujo trecho não decorei. Guardo-lhe porém as ideias centrais. Manda semear em qualquer circunstância, seja o solo áspero ou a chuva frequente, pois não é função do homem julgar a terra nem o tempo. Sementes existem a mancheias, o sorriso, a palavre de estímulo, de conforto, de aconselhamento, a dádiva, a saudação com a desejo da boa sorte, o beijo de afeto ou de amor, o emprego constante.
     Sem pedir recompensa, você a terá na alegria de ter espalhado o bem. Sem pleitar colheita, seus haveres multiplicar-se-ão, porque o trabalho se faz num reino onde dar é receber, perder a vida é ganhá-la, ajudar é construir para a comunidade.

Publicado em 05 de outubro de 1985
Jornal O POVO                                                     Itamar Espíndola

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Victória Pozzan

Entre 8 e 15 de junho de 2011 realizar-se-á a 21° edição do Cine Ceará, onde o filme "Homens Com Cheiro de Flor", sob direção de Joe Pimente  será exibido. O festival ocorrerá no Theatro José de Alencar e terá como tema "Religião e Religiosidade no Cinema".
Neste filme, a atriz e modelo teen Victória Pozzan participa, interpretando a patricinha "Raquel". Victória começou a carreira com apenas 9 anos fazendo peças de teatro na Escola Viva Música Viva e foi convidada para participar do Grupo Abre Alas. Tem experiência com comerciais, vídeos e passarela.


Conheça um pouco do trabalho desta jovem talentosa. 


























                                         


Saiba mais sobre o filme: