quarta-feira, 18 de maio de 2016

Bairro Conjunto Ceará

Construído para que as famílias pudessem morar “muito melhor”, como convidava um anúncio no O POVO de 1977 - ano de inauguração do que hoje é bairro, o Conjunto Ceará cresceu, mas não deixou de lado seu espírito de conjunto - no melhor sentido que a expressão pode ter. Por ali há serviços que dispensam viagens ao distante Centro da cidade, há convivência nas calçadas, há comunidades.
Mas, talvez pela lonjura da região mais visada de Fortaleza, os moradores reclamem de certo descuido do poder público com a região - especialmente quando o assunto é segurança pública. “O clima por aqui não tá muito bom não por causa da questão da segurança. Na minha rua, à tarde, o pessoal não sai nem pra fazer compra com medo”, lamenta a professora Antônia Pereira de Sales, de 60 anos. Antônia mora na terceira etapa do bairro desde 1979. “Fui assaltada em frente à delegacia”, comentou a gerente financeira Cecília Matias, 19.

Apesar dos percalços e da insegurança “que tem em toda etapa”, a professora aposentada Vilani Vasconcelos, 59, diz que os avanços não afastaram as pessoas do convívio. “Aqui o clima é maravilhoso. Continua quase todo mundo na rua, no campo tem atividades, torneio”, conta, mostrando o campo de futebol na frente de casa. Moradora do Conjunto Ceará há 30 anos, Vilani lembra que foram muitas as transformações do bairro. “Era bem mais precário. Tinha dificuldade de ônibus, poucas farmácias. Mas antes a gente ia dormir às 2h da manhã. Agora dá 11h (da noite) e tem que entrar”, diz.

Moradora da segunda etapa, a dona de casa Branca da Costa Leite, 67, também se recorda dos percalços vividos pelos primeiros moradores. “Era um deserto, sem conforto. A gente sofreu muito no início”. O tempo passou e dona Branca avalia que as promessas nos tempos da construção do conjunto ainda não foram totalmente cumpridas. “Não tá bom ainda. Tem muito a crescer. E tá demorando, viu”. Mesmo assim, a tranquilidade é apontada como ponto muito positivo do Conjunto Ceará.

O radialista comunitário Valdeci Martins, 54, morador do bairro há 33 anos, lamenta a infraestrutura atual e define o Conjunto Ceará: “somos uma cidade dentro da cidade”.



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