domingo, 8 de julho de 2012

O sal na história do Ceará

Entre as paisagens do litoral cearense, as salinas já tiveram um papel de destaque. Mas ainda hoje há pessoas que trabalham na extração do sal e várias famílias tiram seu sustento dessa atividade.

Salinas em Icapuí

Monopólio do sal
No século XVII, o litoral da capitania do Ceará reunia condições muito favoráveis para extração do sal marinho: pouca chuva durante seis meses do ano, sol forte e ventos constantes. Só que o rei de Portugal não permitia a produção e a comercialização de sal na colônia. Era das salinas da Europa que vinha todo o sal consumido aqui. Assim, apesar de o sal surgir quase naturalmente sobre a areia das praias, as pessoas eram obrigadas a comprar sal de Portugal. Era o monopólio do sal.
 
Fort Frederif Hendrik (1960), óleo sobre tela de Frans Post.
Nesta tela do pintor holandês podemos ver uma salina explorada no século XVII pelo portugueses.

O fim das salinas
O Ceará foi o segundo maior produtor de sal do Brasil, superado apenas pelo vizinho Rio Grande do Norte. Nos bons tempos, o Ceará vendia para o país e para o exterior cerca de 100 mil toneladas de sal por ano. Todo esse volume garantia trabalho e sustento para muitas famílias. Mas, com a entrada de grandes empresas estrangeiras, as pequenas salinas acabaram desparecendo. Hoje, resta menos de uma dezena delas.

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O sal é essencial para o processo digestivo, pois estimula a produção de saliva e contribui para a absorção de nutrientes. Há várias crenças em torno do sal e de sua eficácia na purificação de pessoas, objetos e ambientes. Essa função do sal é valorizada pelos xintoístas, pelos budistas e também pela tradição judaico-cristã. Na Bíblia  o sal é citado no Velho Testamento, quando a esposa de Ló é punida, por desobedecer a Deus, transformando-se numa estátua de sal. Na obra A última ceia, de Leonardo da Vinci, pode-se observar um saleiro derrubado diante de Judas.
O sal também pode ser usado para restauração de cores em tapetes, em lareiras, para retirar manchas em mesas e carpetes, além de ser um importante componente do soro caseiro.
A ilha de Noirmourtier, localizada no litoral atlântico francês, é famosa pelo sal marinho que se produz ali, colhido artesanalmente há mais de 1500 anos.

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