sexta-feira, 25 de maio de 2012

Herança africana

Vila Curiaú.
Quem visita a Vila de Curiaú, a 12 quilômetros de Macapá no Amapá, tem a sensação de que o tempo não passou. A história da vila começa no século XVIII, quando escravos africanos foram trazidos para construir a Fortaleza de São José (1764-1782), edificação que garantia o domínio português no extremo norte do país. Formaram pequenos núcleos familiares que originaram a vila.
Hoje a população de Curiaú, formada por descendentes dos escravos, luta para preservar as belezas naturais da região e procura manter vivas a memória e as tradições culturais de seus ancestrais. O marabaixo, por exemplo, é uma das maiores manifestações folclóricas do Amapá herdada dos escravos africanos. É uma expressão cultural pela qual a comunidade louva o Divino Espírito Santo. Seus festejos começam na quaresma e duram dois meses. 
Ao batuque de tambores chamados "caixas", os participantes dançam em círculo. A dança tem uma coreografia que imita os passos dos escravos com os pés presos por correntes. 
A gengibirra, bebida feita de gengibre ralado, cachaça e açúcar, anima a festa. O ponto alto é o encontro dos tambores, quando os grupos exibem seus mastros decorados com flores e uma bandeira do Espírito Santo. 

No marabaixo, o batuque é marcado por tambores e o canto lembra o lamento daqueles que viviam na senzala nutrindo a esperança de voltar para o continente africano.

Lago Curiaú, uma área de preservação ambiental criada em 1992 por decreto estadual. Por sua cultura popular e festas tradicionais, o Curiaú constitui uma parte do complexo cultural do Amapá.

Fonte: AURICCHIO Elizabeth, Igor Moreira. CONSTRUINDO O ESPAÇO BRASILEIRO. 3ª edição, 2ª impressão. São Paulo: Editora Ática, 2008.

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