domingo, 7 de agosto de 2016

Livro A casa dos Espíritos, de Isabel Allende

Quero compartilhar com vocês um pouco do que li no livro Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, uma parente de Salvador Allende, ex-presidente Chileno. A história tem um pouco de realidade fantástica (algo injustamente criticado por outros leitores) e retrata o que aconteceu politicamente/economicamente com o Chile, perpassando pelo período socialista até chegar na fase ditatorial, no período do golpe militar. O livro retratou o caos e como a sociedade chilena lidou com tudo isso, apesar de em nenhum momento ter sido dito que a história se passa no Chile.

Capa da edição lida.
 Já li esse livro outras vezes e por ser tão especial para mim, quero compartilhar dois trechos relativos à excentricidade da família Del Valle, protagonista do livro. Estes trechos fazem parte do que considero "parte mágica" do livro. É  bem interessante e fica como indicação para nossos leitores.

Há um filme produzido em 1994 baseado nessa obra,com Antonio Bandeiras e Meryl Streep,  considerado muito bom, mas não gostei nem um pouco. Tirou várias partes importantes e pulou muitos detalhes cruciais. Sugiro que leiam o livro e depois assistam ao filme, mas para curtir mesmo a história, o livro por si só é suficiente. 

Os trechos que gostaria de destacar são:

" Pousou os olhos em Rosa, a mais velha das filhas vivas, e, como sempre, ficou surpreendida. A sua estranha beleza de uma qualidade perturbadora, à qual nem ela escapava, parecia fabricada de material diferente do da raça humana. Nívea soube que ela não era deste mundo ainda antes de a dar à luz porque a vira em sonhos, por isso não se surpreendeu quando a parteira deu um grito ao vê-la. Ao nascer, Rosa era branca, lisa, sem rugas, como uma boneca de louça, com o cabelo verde e os olhos amarelos, a criatura mais formosa que tinha nascido na terra desde os tempos do pecado original, como disse a parteira benzendo-se. Desde o primeiro banho, a Nana lavou-lhe o cabelo com infusão de camomila, que lhe enfraqueceu a cor, dando-lhe tonalidades de bronze velho, e punha-a nua ao sol, para fortalecer a pele, translúcida nas zonas mais delicadas do ventre e das axilas, onde se adivinhavam as veias e a textura secreta dos músculos. Aqueles passes de cigana, no entanto, não foram suficientes e depressa correu o boato que tinha nascido um anjo. " página 12, da 44ª edição.

A escritora, Isabel Allende.
" Clara passou a infância e entrou na juventude dentro das paredes de sua casa, num mundo de histórias assombrosas, de silêncios tranquilos, onde o tempo não se marcava com relógios nem com calendários e onde os objetos tinham vida própria, as aparições se sentavam à mesa e falavam com os humanos, o passado e o futuro faziam parte da mesma coisa e a realidade do presente era um caleidoscópio de espelhos desordenados onde tudo podia acontecer. É uma delicia para mim ler os cadernos dessa época, onde se descreve um mundo mágico que acabou. Clara habitava um universo inventado por ela, protegida das inclemências da vida, onde se confundiam a verdade prosaica das coisas materiais e a verdade tumultuosa dos sonhos, onde nem sempre funcionavam as leis da física ou da lógica. Clara viveu esse período ocupada nas suas fantasias, acompanhada pelos espíritos do ar, da água e da terra, tão feliz que não sentiu a necessidade de falar durante nove anos. Todos tinham perdido a esperança de tornar a ouvir-lhe a voz quando, no dia do seu aniversário, depois de soprar as dezenove velas do bolo de chocolate, estreou uma voz que tinha estado guardada durante todo aquele tempo e que tinha ressonância de instrumento desafinado." página 93, da 44ª edição.


E você leitor, já leu algum livro dessa escritora? Alguma indicação de livro/autor para nos propor?


Beijinhos!

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