quinta-feira, 21 de julho de 2016

Casa Raquel de Queiroz

Adquirida pelo pai de Rachel de Queiroz, Daniel de Queiroz, em 1927, para facilitar o acesso dos filhos aos estudos, o Sítio Pici ficava perto da lagoa de Parangaba, que nesse tempo pronunciava-se “Porangaba”, e também do Rio Pici ou “Picy”. Pertencera à família do padre Rodolfo Ferreira Gomes e foi vendido depois a um industrial, José Guedes, de quem Daniel comprou o imóvel e fez uma nova casa para atender suas necessidades. Assim, Raquel de Queiroz ingressa no curso Normal do Colégio Imaculada Conceição, aos 10 anos, e tempo depois ajuda seu irmão Flávio no exame de admissão do Colégio Militar.

Casa de Raquel de Queiroz

O Sr. José Odacy Natalense Lemos, dono do Bar Avião, na Avenida João Pessoa, diz que via Raquel de Queiroz voltando do colégio, ao saltar do trem (a linha do trem ficava no cruzamento da João pessoa com Carneiro de Mendonça) para a charrete estacionada no antigo asilo de “Porangaba” (o asilo abriga o Hospital São Vicente). Segundo Lemos, de lá, o transporte seguia por uma estrada vicinal (hoje a Avenida Carneiro de Mendonça) que desembocava em uma propriedade de limites extensos, o Sitio Pici.

A Casa do Pici, onde Raquel escreveu, aos 20 anos, o seu primeiro livro, O Quinze (1930), casou com José Auto (1932) e teve sua filha Clotildinha (1933), que falece dois anos depois, quando morre também seu irmão Flávio, aos pouco se transforma na Casa de Raquel de Queiroz ou Casa dos Benjamins.

A casa do Pici foi o refúgio para a dor da perda de sua filha e do seu irmão, momento que escreve Caminho de Pedras (1937). Mas, em 1939, já separada de Auto, volta ao Rio de Janeiro, em 1945 Raquel e Oyama, seu novo companheiro, residem na Ilha do Governador/RJ. E, após a morte de sua mãe, 1954, os filhos fizeram à partilha das terras da família e venderam a casa do Pici.

Ainda que um pouco deteriorada, a edificação preserva vestígios da arquitetura original da época da construção, ou seja, as colunas, os mesmos armadores de ferro fundidos á parede e os três pés de Benjamins plantados pela mãe de Raquel, a Sra. Clotilde. Tais árvores dão o tom de um tempo e espaço definidos pelo predomínio da relação amistosa entre homem, natureza e ordem urbana.

A Casa de Raquel de Queiroz (Casa dos Benjamins ou Sítio do Pici) expressa, portanto, para toda sociedade as razões de seu cotidiano, o resultado dos conhecimentos experimentados na sua infância vivida no sertão do Ceará, através da escrita do “O Quinze“, obra que inaugura discurso crítico e politizado sobre a seca, em especial a que assola os cearenses em 1915.

Cúmplice dos sentimentos, da indignação e dos lances de inspiração da nossa querida escritora, essa Casa é como um livro sem censura que deve ser lido, com certeza, admirado, soletrado, apalpado e guardado, melhor, preservado como elemento de materialidade para o patrimônio histórico e cultural da nossa cidade.

Localização

Rua Antônio Ivo, 290
Henrique Jorge

Fonte: http://mapa.cultura.ce.gov.br/espaco/id:217

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