segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bairro Montese

Ano: 1944. A Segunda Guerra Mundial chega ao momento decisivo. Tendo declarado guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em 1942, só quase dois anos depois o Brasil enviava as primeiras tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Europa.

Aos 21 anos de idade, o então agricultor Raimundo Nonato Ximenes teve de deixar o município de Groaíras, após ser recrutado para a guerra. Na terra natal, ficaram a família e a noiva Lili - com quem é casado até hoje. Incorporado à FEB em 1945, Raimundo Ximenes ficou sediado em Fortaleza, na expectativa de embarcar para o continente europeu.

                             

Combatendo no norte da Itália, as tropas brasileiras e os aliados conseguiram importantes vitórias. As mais conhecidas foram as batalhas de monte Castello, Castelnuevo e Montese. “No 14 de abril de 1945, houve a batalha do Montese. (Depois dela) a Alemanha começou a enfraquecer e, 26 dias depois, soube que não ia mais para a guerra. Eu fiquei livre”, relembra seu Ximenes, como é mais conhecido.

O primeiro ímpeto foi o de retornar para Groaíras. Porém, logo em seguida, um conterrâneo ofereceu um terreno no antigo bairro Pirocaia, nas margens da antiga estrada do Gado (hoje avenida Gomes de Matos). O nome remetia ao fato dos rebanhos seguirem pela via rumo ao abatedouro localizado no bairro Jardim América..

Pois bem. Aos poucos, Ximenes e Lili estabeleceram-se no bairro, mas a memória da guerra não se esvaecia. “Pensei nos companheiros que morreram em batalha”, relembra Ximenes. Por isso, ele sugeriu a mudança do nome de Pirocaia para Montese. “Foi um ato de gratidão aos companheiros da FEB”, diz ele. A data convencionada para o nascimento do Montese é 14 de abril de 1946. Raimundo Ximenes, hoje com 90 anos, passou a ser considerado o fundador do bairro.

Nascido no Montese, o comerciante Caubi Rodrigues, 43, guarda na lembrança um bairro ocupado por sítios. “Tinham muitas árvores. Era o bairro mais arborizado de Fortaleza”, diz ele. Com a instalação dos calçamentos nas avenidas e do saneamento básico, o bairro foi sendo povoado aos poucos, principalmente na década de 70. “Aqui era bom aos domingos. A gente tinha nossas tradições populares - como quermesses, reisados, festas”, conta Raimundo Ximenes, destacando a intensa vida social que existia no bairro.

Só que isso foi perdendo espaço com a chegada do comércio nos anos de 1980. “Foi quando descobriram o mapa da mina”, salienta o aposentado. De acordo com Ximenes, o Montese chegou a ter 60 mil habitantes. Hoje, só possui quase 26 mil moradores. “Em dia de feriado, quando não abre as lojas, é um deserto danado”, lamenta.

Um comentário:

  1. Uma bela história de vidas que lutaram por seus ideais, principalmente os familiares!
    Abraço.

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