domingo, 6 de março de 2016

Aerolandia

Aerolândia preserva a tradição de distribuir água em carroças

O cearense, principalmente em tempos de seca, já está acostumado com a figura do caminhão-pipa, responsável por transportar água para as localidades sem abastecimento. Porém, só nas ruas da Aerolândia você vai encontrar a “carroça-pipa”, um método tradicional de distribuição de água no bairro.

Seu Luís da Costa, 59, está no ramo desde 1974. Em uma manhã de trabalho, ele estima vender “uns 50 garrafões (de 20 litros)”. E não tem tempo para muita conversa. Ele segue com o passo apressado, para dar conta do máximo de ruas possível.

O vigia Adriano Mota, 42, utiliza a água para abastecer a casa onde mora. “Ela é muito boa”, comenta. Para ele, a tradição das carroças se mantém devido ao baixo preço cobrado: em média, R$ 2 por galão de 20 litros. “É a metade do preço da que você compra no supermercado”, diz. Porém, ele confessa sentir “pena dos animais” utilizados no serviço. Já a aposentada Adelaide Rodrigues, 79, deixou de comprar a água das carroças já há um bom tempo. “Uns dizem que é mineral, mas eu acho que é do Lagamar”, brinca.

                         

A água é retirada de poços artesanais existentes do bairro. Um deles foi perfurado pela família do comerciante Henrique Lima, 20, há mais de 25 anos. Mesmo em tempos de seca, ele garante que o poço nunca secou. “Só falta água quando o motor pifa”.

Campo de Aviação

A relação da Aerolândia com a Base Aérea de Fortaleza é quase umbilical. Inclusive, antigamente, o bairro atendia pelo nome de Campo de Aviação. Muitas ruas no bairro levam o nome de militares. “Os reformados moravam aqui e, por tradição, colocaram o nome (nas ruas). É rua Tenente Wilson, Tenente Roma... Tudo é assim”, explica o aposentado Cristovão Gomes, 70.

A proximidade com a base da Aeronáutica também rendeu muitos sustos, registrados pelo O POVO. Em 3 de abril de 1973, um avião “paulistinha” precisou fazer um pouso forçado na rua São Borges, próximo ao Lagamar.

Em dezembro de 1975, outro avião, com três passageiros e dois tripulantes, caiu sobre uma casa do bairro. Situação semelhante aconteceu mais recentemente, em 2002, quando um bimotor caiu sobre residências da Aerolândia. “Caiu muito avião aqui no bairro. Normalmente, eles iam pousar num descampado perto do (rio) Cocó (quando a aeronave sofria pane)”, relembra o aposentado Evilázio Bezerra, 70.

Mercado da Aerolândia

Certamente, nenhum outro equipamento marca tanto o bairro como o Mercado da Aerolândia, inaugurado em março de 1968. Nos tempos áureos, era onde os moradores compravam carnes, frutas e verduras. “Em 70 e 80, funcionava tudo direitinho. Hoje, não tem mais nada”, lamenta seu Cristovão.

Porém, a história do mercado é bem mais antiga. Segundo o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, a estrutura original foi instalada em 1896 na antiga praça Carolina - localizada próximo ao atual Museu do Ceará. “Quando foi inaugurado, ficou conhecido como ’Mercado de Ferro’”, explica Nirez. Isso se deve à arquitetura do mercado, formada, predominantemente, por peças de ferro importadas da Inglaterra. Em 1937, o mercado foi desmontado. Parte da estrutura deu origem ao atual Mercado dos Pinhões, no Centro. O restante do material foi levado para onde hoje funciona o Mercado São Sebastião. Em 1968, uma reforma no local desmontou a estrutura, que foi usada para construir o Mercado da Aerolândia.


Um comentário:

  1. Olá amigas já estava com saudade de vir aqui, estou muito ausente , não só com as visitas mas com as actualizações nas pastagens dos meus blogs. Problema de saúde na família e agora minha mãe precisa muito das filhas e todas temos que da as mãos e cuidar de quem cuidou de nós a vida toda. Quando tudo passar e voltar ao normal voltarei, se Deus quiser.
    Grata pelo carinho e por não esquecer o meu cantinho. Abraço fiquem na paz de Deus com muita saúde. Lourdes Duarte

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