sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Bairro Álvaro Weyne


Nem só com o nome de famosos, autoridades ou heróis são batizadas as ruas e praças de Fortaleza. Pessoas comuns podem deixar marcas profundas na comunidade onde viveram. Por isso, também merecem ser homenageadas.


Esse é o caso de José Ribamar dos Santos, que hoje dá nome a uma praça na rua Morumbi, no bairro Álvaro Weyne. Graças ao trabalho e insistência dele, os moradores podem usufruir do espaço para conversar, brincar com as crianças e, até mesmo, estender roupas no varal.

No fim da década de 1960, a pequena rua Morumbi era habitada por poucas casas. Um riacho passava aos fundos. O mato e areia tomavam conta de um terreno localizado no centro da via.

Mais ou menos nesse período, José Ribamar deixou a cidade de Paraipaba (a 93 km de Fortlaeza) para tentar a vida na Capital. Em 1973, ele casa-se com Maria Aguiar - companheira de toda a vida. É ela quem narra toda a trajetória de vida do marido.

José começou a cuidar do terreno. Tinha cismado que ali deveria ser uma praça. Com os colegas, arranjou um trator e fez um descampado. Até que uma invasão tomou conta do local. Depois de muita luta, os barracos foram retirados e a população voltou a construir a praça. Aos poucos, os moradores plantaram árvores, colocaram bancos, improvisaram um meio-fio.

Até que a Prefeitura de Fortaleza construiu, de fato, a praça - em formato triangular. Hoje, os moradores queixam-se do abandono. “Quando ninguém sabia da praça era muito bom. Ela era linda”, afirma dona Maria.

Ribamar faleceu em 2001, aos 53 anos. Morou por mais de 30 anos no bairro Álvaro Weyne. Recebeu uma homenagem mais do que justa dos demais moradores pois, sem o esforço dele, provavelmente a praça não existiria.

O nome do bairro é inspirado no ex-prefeito de Fortaleza Álvaro Weyne, que comandou a cidade entre 1928 e 1930 e, depois, entre 1934 e 1936. Em matéria publicada no O POVO nos Bairros, que visitou o bairro em 1994, é informado que Álvaro Weyne era conhecido como “o prefeito das flores”. Segundo o texto de Ivonilo Praciano, a fama é justificada pela preocupação do ex-prefeito “com a arborização da cidade e de construir nas praças públicas verdadeiros jardins floridos”.

Segundo o presidente da Associação dos Moradores do Fim da Linha do Álvaro Weyne (Amflaw), Gevacir Ferreira, o projeto O POVO nos Bairros foi um marco importante para a comunidade. Nele, os moradores puderam resgatar a própria história e comemorar, pela primeira vez, o aniversário do bairro. “Hoje é uma festa tradicional, que reúne cerca de 15 mil pessoas”, afirma o presidente. A comemoração acontece, sempre, no último sábado de agosto.

Em 1994, as matérias chamavam a atenção para a desigualdade existente no Álvaro Weyne. Enquanto grandes indústrias existiam no bairro, 70% população era considerada carente. Hoje, boa parte dessas empresas fechou as portas. “Foi um tempo de prosperidade. Mas as indústrias saíram e ficou muita gente desempregada”, recorda dona Maria Aguiar. Hoje, pode-se dizer que o Álvaro Weyne tem um perfil mais residencial e comercial.



2 comentários:

  1. Linda homenagem ao antigo morador do bairro, gostei de ver a foto da praça.
    Amei ler meninas Barbara e Érika!
    Abraços apertados!

    ResponderExcluir
  2. Parece ser um lugar onde o tempo passa mais devagar...

    ResponderExcluir

Agradeço pelo seu comentário!