quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cidades do Ceará e seus nomes em português


As denominações são várias. Logo que os portugueses chegaram aqui, no Ceará, os lugares por onde andaram já tinham nome. Alguns deles se chamavam “Apuiarés” porque era ali que esta tribo habitava ou “Canindé” porque, tal como a região de Apuiarés, era habitada por esta tribo de índios. Havia outros nomes, no entanto, que indicavam acidentes geográficos ou abundância de pássaros, por exemplo, como é o caso de “Aratuba”


Modificando alguns nomes e mantendo outros ao longo do tempo, o Ceará possui, atualmente, 184 municípios dos quais pelo menos 107 são nomes indígenas: Camocim, Crateús, Crato, Itatira e assim por diante. Para quem gostaria de saber o que alguns destes nomes significam, em português, aqui vão algumas versões.

Aquiraz, município que fica perto de Fortaleza e, segundo a História, foi a primeira capital do estado, quer dizer “gente de terra”. Não se sabe exatamente por que mas, se se levar em consideração que fica perto do mar dá a impressão de que tal denominação foi dada por índios pescadores em relação àqueles que ficavam em terra enquanto se aventuravam em alto mar. Aracati, por sua vez, se refere a um vento. Diferente de todos os outros, no entanto, o “vento aracati” tem uma particularidade. Ele não só refresca o ambiente por onde passa. Ele também perfuma estes lugares.

Aracoiaba, por outro lado, se refere ao lugar onde as aves cantam enquanto Beberibe indica o lugar onde a cana cresce. Banabuiú é o rio que dá muitas voltas. Assaré, a terra que fica entre dois rios. Guaiuba é o vale que possui muitas águas e Coreaú indica o nome de um pássaro, curiá, e de um rio porque era para ali que estes pássaros costumavam se dirigir quando tinham sede. Coreaú, portanto, significa “água dos curiás”. O mesmo acontece com Ipaporanga que, se não tem nome de pássaro em sua etimologia tem, pelo menos, o nome de um rio ou lagoa que, de tão bonito, os indígenas chamaram de “águas belas”. Irauçuba é “amizade”. Itapajé, “pedra do pajé”. Itapipoca, “pedra-lascada” e Itarema, tal como Aracati, também exala perfume em suas sílabas. “Ita” identifica “pedra” e “ema”, “perfume”. Itarema, portanto, quer dizer “a pedra que perfuma”. De onde os índios tiraram tal nome, fica difícil dizer mas, se se levar em conta que, além das pedras e ventanias que perfumam o interior do Ceará ainda há o “lugar das flores”, Potiretama, e do “senhor das canoas”, Ubajara, dá para entender por que outros lugares da terra de Iracema se chamam “rio das onças”, Jaguaribe, “onças pretas”, Jaguaretama e “buraco das tartarugas”, Jericoacoara.

Tianguá, em tupi-guarani, quer dizer “espectro de águas” e Quixeramobim, segundo uma lenda, “Ah que saudades que eu tenho”. Conta a lenda que um velho índio, tendo voltado à terra onde nasceu depois de muito tempo, se emocionou tanto diante do que viu que exclamou: “Quixeramobim” que, em português, quer dizer “Ah que saudades que eu tenho”.

Com a Independência do Brasil em 1822, muitas destas cidades ou povoados passaram a se chamar Independência, Imperatriz ou Pedro II. Logo após a Proclamação da República, os nomes indígenas retornaram. Itapipoca, por exemplo, que se chamava Imperatriz em homenagem à Dona Leopoldina, mulher de D. Pedro I, voltou a se chamar Itapipoca e D. Pedro II, atual Abaiara, passou a ter este último nome em 1938, trinta e nove anos depois da Proclamação da República, é verdade. Abaiara, no entanto, quer dizer “homem ilustre” em tupi-guarani. Como D. Pedro II é, de fato, uma pessoa ilustre, há quem diga que tal nome, quando foi escolhido pela população, tinha, como objetivo, homenagear o velho imperador novamente. Desta vez em língua indígena.

Outras Curiosidades

Praça da igreja matriz de Independência (Foto: Agência Diário)

Independência, que fica a 310 quilômetro de Fortaleza, só passou a ter este nome em 1857. Antes disso se chamava Pelo Sinal. E por uma razão muito simples. Havia passado pelo lugar, em fins do século XVIII, o Frei Vidal da Penha e pediu a um fazendeiro, José Ferreira de Melo, para levantar uma capela em suas terras. O fazendeiro atendeu à sugestão do frei e, com o tempo, surgiu um povoado em torno da capela que, por falta de nome melhor, passou a se chamar Pelo Sinal e como tal permaneceu até meados do século XIX.

Entrada de Acarape -  Visão esquerda da cidade. Foto 2011.

Acarape, que fica nas imediações de Redenção, tinha outro nome. Chamava-se “Cala a Boca”. Segundo a tradição, tal denominação foi dada pelos fieis que frequentavam a igreja nas imediações. Como os índios faziam muito barulho em torno dela, os fieis saíam para fora e gritavam “cala a boca” para eles. De tanto repetir esta admoestação, o nome pegou e, antes de Acarape, o município se chamava “Cala a Boca”.  “Vai para onde?” “Cala a Boca”.

Fonte:  Jornal  O Estado

2 comentários:

  1. Olá , como vão as Meninas ?
    De entre todos os nomes de cidades do Ceará uma particularmente me chamou a atenção por ter nome de um lugar aqui da minha terra . Águas Belas e é atribuído a uma expressão da Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis que na passagem por aquele lugar e para se dessedentar bebeu da água que ali corria no rio e a sua manifestação foi essa : ÁGUAS BELAS !
    Beijinhos. Alberto.

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  2. Que coincidência, não é Sr. Alberto? Bem curioso, não sabíamos disso, agradecemos por compartilhar conosco. Beijos das meninas.

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