sábado, 29 de março de 2014

Manhãs sertanejas

Sucedem-se manhãs sem par, em que o irradiar do levante incendido retinge a púrpura das eritrinas  e destaca melhor, engrinaldando as umburanas de casca arroxeada, os festões multicores das bignônias. Animam-se os ares numa palpitação de asas, célebres, ruflando. - Sulcam-nos as notas de clarins estranhos. Num tumultuar de desencontrados voos passam, em bandos, as pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... enquanto feliz, deslembrado de mágoas, segue o campeiro pelos arrastadores, tangendo a boiada farta e entoando a cantiga predileta...
Assim se vão os dias.

Passam-se um, dois, seis meses venturosos, derivados da exuberância da terra, até que surdamente, imperceptivelmente, num ritmo maldito, se despeguem, a pouco e pouco, e caíam, as folhas e as flores, e a seca se desenhe outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas...

Euclides da Cunha - Os Sertões

6 comentários:

  1. Que lindo aqui! beijos,ótimo domingo e semana! chica

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    1. Gratas Chica.
      Para você também, um ótimo domingo e semana!
      Abraços das meninas.

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  2. Euclides da Cunha já profetizava o que hoje passamos praticamente em todas as regiões do nosso Brasil. O homem destruiu a natureza. Usufruiu e não a contemplou de bens retirados.
    Abraços.

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    1. Somente quando o homem conhecer a natureza ele a protegerá.
      Beijos e ótimo fim de semana!

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  3. A forma escrita em Manhãs sertanejas é de uma "para mim" invulgaridade que me faz fazer esse reparo no bom sentido, Lindo.
    Ás meninas Érika e Bárbara. Um beijo.
    Alberto Santos.

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    1. É verdade, Sr. Alberto.
      Euclides da Cunha, em seu livro, descreve muito bem as características do meio sertanejo.

      Abraços das meninas.

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