segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Vida Em Equilíbrio!

Vivemos numa era em que os desafios são muitos. No entanto, se simplificarmos a vida e a encararmos como uma oportunidade de evolução espiritual, podemos transformar a nossa existência em uma bênção.

Swami Achalananda, da Self Realization Fellowship

               Os antigos chineses tinham um ditado que serve de maldição: “Que você viva em épocas interessantes.” Bem... cá estamos em uma! Vivemos em uma época na qual toda a estrutura da civilização está sofrendo uma enorme transformação.

             
               Paramahansa Yogananda e seu guru, Swami Sri Yukteswar, explicaram que estamos no alvorecer de uma era inteiramente nova, no ciclo vital de nosso planeta – uma era ascendente de compreensão e progresso, tanto espiritual quanto tecnológico. Contudo, a transição desde a era material inferior ainda se está realizando.

Swami Sri Yukteswar
                Os velhos modos de pensar trazidos dessa era inferior estão profundamente entranhados em nossa sociedade e em suas instituições; é uma consciência que tenta permanecer com grande determinação. À medida que a nova era progride, tal modo de pensar fica cada vez mais destoante, cada vez mais conflitante com a consciência da humanidade em sua evolução para o alto. Isto se manifesta como grande tensão e estresse em nossa sociedade.

                  Vemos isso em toda a parte – no tecido cambiante de nossas vidas individuais, nas estruturas econômicas e comerciais, no governo, na vida familiar. É um tempo de enorme progresso, mas, também, especialmente durante o período de transição que estamos experimentando agora, um tempo de desafios extraordinários.

             Então, não há dúvida de que estamos vivendo em uma “época interessante”! Entretanto, por meio da compreensão correta, podemos reverter a “maldição” e torná-la uma bênção. Esses tempos conturbados oferecem grande oportunidade e grande incentivo para o progresso espiritual.

                   Em que consiste o equilíbrio? Os ensinamentos de Paramahansa Yogananda nos mostram um ideal que abrange os aspectos material, psicológico, emocional e espiritual da vida – ideal enormemente motivador e inspirador. Todos queremos um corpo saudável, livre de problemas e fraquezas; não queremos que ele seja um obstáculo.Queremos que a mente esteja alerta e que as emoções e sentimentos funcionem a nosso favor, e não contra nós; queremos que contribuam para relações harmoniosas e satisfatórias com os que convivem conosco. E, acima de tudo, queremos e necessitamos muito estar ligados ao lado espiritual de nosso ser, à parte de nós que é mais intrínseca e que tudo satisfaz – nossa alma.

                         Contudo, nesta época extremamente exigente, sujeitos a tantas pressões e a tanto estresse, temos de investir um pouco de energia, atenção e tempo para alcançar o equilíbrio. O equilíbrio não vem apenas porque temos a esperança de que ele virá. Temos de fazê-lo acontecer por meio de um plano e de um esforço definidos.

Paramahansa Yogananda
                            Há numerosas partes de nossa vida que precisamos pôr em equilíbrio, muitas delas parecendo conflitar entre si: responsabilidades familiares, ganho da subsistência, manutenção da saúde, atenção à vida espiritual, estar a par do dilúvio de informações necessárias para viver no mundo de hoje, deveres para com as atividades da comunidade ou da igreja e miríades de outras exigências de tempo e energia.

                      Para equilibrar todos esses aspectos da vida, precisamos de algo que os equilibre, de um ponto de equilíbrio. Quanto mais complexa nossa vida se torna, mais precisamos perceber que o único ponto de equilíbrio confiável é a consciência divina universal, que permeia todas as coisas e está subjacente a todas as atividades materiais e espirituais da vida. Temos de aprender a torná-la nosso ponto de equilíbrio. Não há outra resposta.

CONCENTRAÇÃO E ENTUSIASMO: FUNDAMENTAIS PARA A MEDITAÇÃO PROFUNDA

                 Disse Paramahansa Yogananda: “Todos os homens e mulheres devem lembrar-se de que sua vida no mundo pode livrar-se de males sem fim, físicos e mentais, se, à rotina da vida diária, acrescentarem a meditação profunda.” Observem que ele não disse apenas meditação, mas meditação profunda. Para aprofundar-se na meditação, é necessário concentração, focalização da mente.

                  É por isso que a primeira técnica que Yogananda ensina nas suas Lições da Self-Realization Fellowship é uma antiga técnica iogue de concentração. Sua prática aumenta nossa capacidade de focalizar a mente e, desse modo, nossa capacidade de meditar de maneira eficaz. Na quietude e tranqüilidade que resultam, nos interiorizamos cada vez mais profundamente. Todos aqueles de nós que fizemos esse esforço sabemos como a vida parece maravilhosa quando praticamos uma meditação profunda. Mas se fizemos uma meditação superficial, depois nos levantamos e ficamos pensando: “Bem, o que estava fazendo? Não parece ter adiantado nada.”


                    No começo de nossa busca espiritual, costumávamos estar cheios de entusiasmo. Fizemos um esforço real em nossas meditações e, freqüentemente, tivemos resultados muito bons por isso. Mas, à medida que passam os anos, há uma tendência a relaxar um pouco e apenas seguir o curso das coisas. Vocês se sentam para meditar e a mente diz: “Oh! que dia difícil!” E dez minutos mais tarde, ainda estão pensando como o dia foi difícil; nem sequer começaram a meditar. Em minha própria experiência, lutando contra isso, descobri que podia superar o problema fazendo o esforço de preparar-me para meditar tendo comigo mesmo uma conversa estimulante: “Tudo bem, mente, vamos meditar. Não quero que me responda. Concentre-se na técnica de meditação e nem pense em divagar!” Convoquem a intensidade e descobrirão que a mente obedece e vocês se aprofundam rapidamente.

MANTENHAM UMA VIDA SIMPLES

                    A vida equilibrada (o modo de viver realmente espiritual), dizia Yogananda, “consiste em buscar primeiro o conforto da meditação e, em seguida, tornar muito simples a vida material. Uma vida material complexa agrada os sentidos, mas poucas pessoas percebem ‘o preço do bem-estar material’. Escravidão econômica, preocupações de negócios, falta de liberdade, competição desonesta, guerras, nervosismo, doença, velhice precoce, infelicidade e morte são a safra de uma vida materialmente ocupada, se estiver desprovida da apreciação da beleza, da natureza e de Deus.

              “Por que passar todo o seu valioso tempo em busca de coisas perecíveis? Por que não utilizar seu tempo buscando Deus primeiro, por meio da meditação profunda, até ter o contato real com Ele? Quando comungar com Ele, você receberá os tesouros imperecíveis do céu e tudo que necessitar dos benefícios materiais perecíveis desta vida.”

                Todos nós sofremos muitas exigências relativas ao nosso tempo. Para ter tempo de buscar Deus, temos de simplificar nossas vidas; não há outro meio de contornar esse problema. Desperdiça-se muito tempo na busca sem fim de objetos materiais “mais novos e melhores”. Qual é o resultado da obsessão por aquisições materiais típica de nossa cultura? O Senhor Buda tratou disso de maneira bem sucinta: “Aqueles que possuem vacas possuem a tarefa de cuidar de vacas.” Analisem suas vidas. Quanto tempo dedicam a cuidar de “necessidades” desnecessárias – os “brinquedos” sem os quais os meios de comunicação e os anúncios lhes fizeram crer que é impossível viver?



Time. Time. Time.
                  É uma ironia que com tantas bugigangas que, por assim dizer, “poupam tempo”, as pessoas tenham menos tempo livre do que já tiveram. Uma economista de Harvard, Juliet B. Schor, pesquisou esse assunto e chegou a resultados interessantes. Um relato de sua pesquisa na revista Self-Realization diz: “Os americanos modernos estão trabalhando mais horas do que as pessoas trabalharam em qualquer outro momento da história, a não ser na Revolução Industrial – gastando mais tempo no trabalho do que os servos medievais.


                   Os acréscimos na eficiência ou na produção podem resultar tanto em maiores ganhos quanto em mais tempo de lazer”, afirma Schor. “Desde que Henry Ford e outros industriais revolucionaram os hábitos da força de trabalho, os Estados Unidos, no geral, optaram caracteristicamente por mais dinheiro.” Neste momento em especial, o americano médio trabalha o equivalente a um mês mais do que trabalhava há 20 anos. Assim, a pressão está aumentando e a exigência é de renda maior. Mas por que não optar por um pouco mais de tempo a ser gasto com Deus e uma vida mais simples?

                       Quero contar-lhes a história narrada por John e Elizabeth Sherrill, autores que visitaram o jornalista e comentarista de TV britânico Malcolm Muggeridge e sua esposa: “Paramos diante de uma casa simples de tijolos. Um homem de rosto rosado e cabelos brancos ergueu-se do jardim que estava tratando. ‘Na hora certa’, exclamou ele. ‘Kitty está aquecendo a sopa.’ Na cozinha, uma mulher de bela aparência, com cabelos grisalhos amarrados em um coque, estava colocando tigelas em uma mesa de madeira sem toalha. ‘Quer partir o pão?’, pediu-me ela enquanto tirava da geladeira um prato de queijo.Este era o almoço deles todos os dias da semana: sopa de vegetais, pão de trigo integral, queijo e iogurte. As duas outras refeições também eram padronizadas. ‘Quando penso no tempo que gastava preparando comida’, disse ela, ‘procurando receitas, preocupando-me com o que servir aos hóspedes...’ Nenhuma visita pode ter tido uma refeição melhor do que a que tivemos. Eles simplificaram seus cardápios para poupar tempo? ‘Sim, tempo e dinheiro.’ Quando olhamos com ar de surpresa (Malcolm Muggeridge tem sido um dos autores mais vendidos durante décadas), falaram a respeito de regiões subalimentadas do mundo, que eles haviam visitado pessoalmente, lugares em que o dinheiro que eles economizavam fazia diferença.

                   
                Um casal que, podendo viver luxuosamente, vivia simplesmente, simplesmente para que outros vivessem. Entretanto, o bem que eles faziam não era o motivo principal. Disseram que a principal razão da simplificação era recobrar um sentido de alegria na vida cotidiana.

                       “Não foram só as refeições sofisticadas que eles eliminaram. Os Muggeridge analisaram todo o seu estilo de vida e começaram a apará-lo sistematicamente. (...) O tipo de vida resultante foi, de longe, muito mais pleno, em todos os sentidos. O tempo e a energia antes consumidos pela mecânica da vida, a escravidão diária ininterrupta às coisas foram eliminados em grande medida. O resultado foi terem mais tempo em suas vidas ocupadas para ler, orar, estar um com o outro, saborear os minutos que passam.



                           " E isto nos recorda que passar sem algumas coisas cria espaço para algumas outras coisas. (...) Recorda-nos que abandonar um prazer abre espaço para a alegria em nossa vida.” (Excertos de “The Joy of Doing Without”, Elizabeth Sherrill, revista Guideposts, março de 1994).

                             Descubram maneiras de introduzir Deus cotidianamente em suas vidas, o máximo que seja possível. Reservem um momento para que a mente se interiorize e, embora possam estar muito ocupados com o trabalho, repitam: “É para Ti, é para Ti.” Então, continuem com suas obrigações. Essa lembrança constante, esse trazer a mente de volta ao ponto focal ajuda-nos a manter o equilíbrio interior.

“LEMBRA-TE DO SÁBADO”

                       
                Arranjar tempo para recreação e para atividades saudáveis que lhes agradem é um componente necessário do equilíbrio espiritual e psicológico. A longo prazo, vocês conseguirão muito mais no trabalho e na vida espiritual – e serão fisicamente mais saudáveis – se lembrarem isso. O ideal é que a semana consista de cinco dias de trabalho regular, um sexto dia para descontração, recreação e para cuidar da casa, e o sétimo dia para aprofundar sua relação com Deus.


                         O mundo seria enormemente diferente hoje se as pessoas reconhecessem a profunda sabedoria do mandamento das escrituras: “Santifica o sábado.” De sete dias na semana, um deveria ser reservado para meditar, ler livros inspiradores, exercer o máximo possível de esforço espiritual, tendo, se possível, uma longa meditação de diversas horas. É um erro sentirem que estão ocupados demais para ter tempo para essas coisas. Tentem fazê-lo; a vida de vocês vai mudar. Pode ser difícil no começo, até que criem o hábito, mas todos os que “se lembram do sábado” descobrem que estão levando uma vida muito mais saudável e equilibrada – física, mental e espiritualmente.

                          No fim das contas, o segredo do equilíbrio é dar prioridade ao que tem prioridade, e isso significa colocar em primeiro lugar nossa vida espiritual. Quão freqüente é que coloquemos nossa vida espiritual em segundo, terceiro, oitavo, décimo lugar, porque achamos que algo mais tem importância! É uma falha da natureza humana. Continuamente nos iludimos achando que “Não, tenho que fazer isto; não posso deixar de fazer isto” – e assim acabamos adiando a meditação ou deixando-a completamente de lado. Temos de disciplinar-nos para superar isso. Agendem suas vidas. Planejem uma rotina equilibrada, de modo a darem-se certo período de tempo para a meditação todos os dias, e sigam o plano. Se falharem alguma vez, apenas tentem de novo. Não desistam. Quando tomarem a resolução de que “eu farei, não importa o que aconteça”, verão uma transformação maravilhosa em suas vidas.

CONTINUEM A CONTINUAR


                       Este é todo o segredo do êxito espiritual. Não desistam! Vocês são almas divinas, e a pressão e o estresse que sentem jamais poderão obscurecer essa centelha radiante da divindade em vocês. São apenas desafios a serem enfrentados e vencidos alegremente! Vocês já têm em seu interior tudo o que necessitam. Só precisam fazer isso aparecer. Assim, continuem a descobrir-se. Continuem a simplificar. Continuem, e ficarão cada vez mais jubilosos e livres.

Liberdade! Ahhh!


Este texto foi publicado na Revista Planeta.

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