terça-feira, 23 de julho de 2013

Vale Sagrado: o espelho do céu


Esta região que fica em território peruano, entre Machu Picchu e Cuzco, ganhou das antigas civilizações a qualificação de próspera. A terra era fértil - e ainda é - e, de acordo com a crença de seu povo, a presença dos deuses é grande.

File:Ollantaytambo granaries Stevage.jpg
Em Ollantaytambo, as ruínas estão encravadas nas montanhas.

Olhar para o céu e enxergar a Terra. Estar na Terra e se sentir no céu. Os incas acreditavam que tudo o que fosse sagrado sobre a Terra possuía um reflexo no céu.  Os encantos dessa antiga civilização vão além dos mitos e mistérios de Machu Pichu, no Peru, e se estendem pelos numerosos povoados que se espalham por mais de 100 km entre Cuzco e a cidade perdida. 
A área, denominada Vale Sagrado, é uma região de grande riqueza e paisagística, onde as ruínas e os santuários testemunham uma ocupação milenar. A simetria do vale revelava, de acordo com a crença antiga, que o local era o espelho da Via Láctea, encarregado de gerar a fertilidade e a abundância por estas terras.
De fato, até hoje se trata do solo mais rico do Peru - as qualidades geográficas e climáticas ajudam - e onde se produz o melhor grão de milho no país. E, assim como no passado, em comunidades agrícolas, como Ollantaytambo, Pisac e Chinchero, acredita-se que as forças interferem e muito na vida diária.


Uma indígena do vilarejo de Huilloc nas ruínas de Ollantaytambo. Atrás o Vale Sagrado e sua magia natural.


As gêmeas  com espigas secas do milho branco.


Em Chinchero, uma das atrações são as construções católicas, que marcam a presença espanhola na região.


Pisac
No vilarejo de Pisac, um passeio interessante é sair e observar as plataformas de cultivo desenvolvidas pelos incas.


A bandeira inca é um ícone da região.Foto: Raul García/EFE

Os incas também achavam que as estrelas eram guardiões celestiais. Confiavam no poder da natureza e veneravam Inti, o deus Sol, que proporcionava luz e regia as estações do ano e a agricultura. As pessoas eram consideradas os Filhos do Sol e tinham o compromisso de se unificar com as forças femininas da Pachamama, a Mãe Terra, e com as masculinas de Viracocha, o Grande Criador. A Lua era Manaquilla, irmã e esposa do Sol.

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A Festa do Sol, ou Inti Raymi, celebrada no dia 24 de junho

A área comandada pelo império foi extensa: eles habitavam a região atualmente ocupada por Equador. Peru, norte do Chile, oeste da Bolívia e noroeste da Argentina. Mais de 10 milhões de índios haviam se fundido nessa unidade política e cultural, que durou cerca de 300 anos, desde 1200 até a invasão dos espanhóis, em 1533.
O mais interessante é que, ainda nos dias atuais, nesses vilarejos os descendentes dos povos andinos convivem em um mundo à parte da rotina das cidades: vivem da agricultura e, nas feiras populares, é muito comum o escambo (a troa de mercadoria). Detalhe: são sempre cordiais e falam o quíchua, a mesma língua com que os incas se comunicavam.


Rua de Ollantaytambo


Povoado de Chinchero


Feira de artesanato na frente do complexo de Ollantaytambo



Agricultores

Andar pelas ruas desses pequenos povoados é também vivenciar uma experiência cósmica e sentir o Universo como ciclo contínuo. A sensação  é a de que não existe mesmo limite entre o céu e a Terra.

Revista  BONS  FLUIDOS - 06/2007

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