quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Esperança


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma loucura chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos
Atira-se
E
- ó delicioso vôo! 
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é E-S-P-E-R-A-N-Ç-A...

Mário Quintana

Extraído do livro "Nova Antologia Poética". Editora Globo - São Paulo, 1988. 

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