sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Engenhos de açúcar no Ceará

Nas primeiras décadas da colonização do atual Ceará, alguns engenhos de açúcar foram instalados no litoral. Assim como nas capitanias de Pernambuco e Bahia, os engenhos ocupavam grandes extensões de terra, doadas a colonos portugueses. Essas propriedades eram fazendas enormes, com áreas de mata, plantações de cana-de-açúcar, pastos para os animais e várias construções.


O açúcar foi a base da economia colonial durante o século XIV e a primeira metade do século XVII,  quando a exportação do açúcar brasileiro foi diminuindo gradativamente em razão da concorrência com o açúcar produzido nas Antilhas. O sistema utilizado era o de plantation, incentivado por Portugal, no qual as grandes fazendas produzem um único produto, controladas por um único proprietário (o senhor de engenho) e utilizam mão de obra escrava. O engenho era o centro da produção açucareira.

Depois de plantada e crescida, a cana era cortada e levada ao engenho em carroças puxadas por bois, chamadas de carros de boi.
Uma vez chegada no engenho, os escravos moíam a cana para extrair o caldo, conhecido como garapa. A garapa era levada ao fogo para ser cozida e purificada, transformando-se em um caldo grosso, o melaço. O melaço era colocado em formas de barro para esfriar. Por último, o açúcar era branqueado na casa de purgar.


Os engenhos de açúcar estabeleceram-se nas grandes propriedades, chamadas latifúndios. Lá, encontravam-se a casa de engenho, a casa-grande, a capela e a senzala. Com o tempo, toda a fazenda passou a se chamar engenho, e seus proprietários ficaram como senhores de engenho.
O funcionamento de um engenho dependia totalmente de mão de obra escrava. Como disse o padre jesuíta André João Antonil, "os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho". Quantos escravos havia em cada engenho? Em média eram oitenta cativos, mas nos engenhos mais ricos esse número chegava a duzentos.
Os escravos mais antigos cuidavam da produção e os novatos do plantio, do corte e do transporte. Esses escravos eram comandados pelo feitor, um homem de confiança do senhor de engenho que organizava e controlava o trabalho de todos. Os africamos recém-chegados eram chamados de "cativos novos" ou "boçais", enquanto aqueles que já estavam acostumados com a terra, a língua e o trabalho diário foram chamados de "ladinos" e eram mais valorizados.


Ficheiro:Casa José de Alencar (by Tom Junior).jpg
- Casa de Cultura José de Alencar -
A Casa de Cultura José de Alencar, no distrito de Messejana, em Fortaleza, é um marco do passado colonial cearense. A casa foi sede de um antigo engenho de açúcar, o Sítio Alagadiço. No século XIX, a área pertenceu à família do escritor José de Alencar e foi o primeiro engenho do Ceará a utilizar energia a vapor.

Fonte: Aprendendo História e Geografia - Conteúdos essenciais para o Ensino Fundamental, de César Coll e Ana Teberosky. São Paulo: Ática, 2000, p.177-178.

3 comentários:

  1. Parabéns, meninas, um belo e bem cuidado blog e, que realmente faz jus ao nome: Encontrei posts sobre arte, sobre cultura e sobre espiritualidade. Como dizem os portugueses "Gostei imenso!".
    Neste post sobre engenhos de açúcar pode-se deduzir que o sistema de produção seria uma maravilha se não fosse o regime escravagista, que tratava seres humanos de modo pior do que tratava animais domésticos. Pouquinho, pouquinho, mas vamos evoluindo, né?
    Meninas, como não encontrei email de vocês, deixoo recado aqui mesmo:
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    1. Olá tesco! Que bom que você gostou do nosso espaço de arte, cultura e espiritualidade. Seu comentário foi de grande importância para nós. Amamos seu blog, é um blog riquíssimo em conteúdo, interessantíssimo! O próximo sortesco participaremos sem dúvida. O livro é um mundo incrível de conhecimento, independente de suas primaveras.

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  2. Boas informações! Gostaria de saber, sobre os antigos engenhos do Ceará. Se ooderem complementar esse belo contexto, será uma fonte de pesquisa importante! Estou pesquisando esses locais, para Expedições.

    Att,
    Cicero Lima

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