sábado, 9 de junho de 2012

Os santos de junho

Não são poucos os Santos venerados no mês de junho. Rende-se culto a Santo Ovídio, Santa Clotilde, São Norberto, Santa Cândida, Santo Edmundo, Santa Margarida, São Barnabé, Santa Flora, Santo Agostinho, Santa Marina, São Protásio, Santa Juliana, São Luís Gonzaga e Santa Lúcia.

Mas, todos esses santos, cujos nomes figuram no calendário litúrgico do mês de junho, destaca-se quatro, pelo prestígio que desfrutam entre os devidos brasileiros e, cuja veneração constitui uma bela tradição da nossa gente. São eles: Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo, venerados, respectivamente, nos dias 13, 24 e 29 de junho. A fé religiosa, que move até montanhas, faz até com que os devotos dos santos passem descalços sobre as brasas das fogueiras.

São José 
O ciclo junino está ligado à colheita do milho que é plantado no dia 19 de março, dia de São José. Mesmo não fazendo parte dos santos comemorados no mês de junho, São José pode ser considerado um anfitrião dos festejos juninos, com o plantio do milho, os ensaios das quadrilhas e dos casamentos matutos, é aberto em março os movimentos e organizações para as festas juninas.
Responsabilizado pela benção do plantio do milho, São José aparece como a primeira presença religiosa do Ciclo Junino. É protetor dos lares e da agricultura na cultura popular, pois, se chove no dia de São José, o inverno é certo.

Santo Antônio
Os portugueses trouxeram para o Brasil, a devoção de Santo Antônio. A devoção a Santo Antônio de Lisboa, foi introduzida em Pernambuco, em 1550, quando foi erguida uma capela em louvor ao santo lisboeta, que deu origem ao primeiro convento carmelita no Brasil: Convento de Santo Antônio do Carmo, em Olinda. É o santo dos nichos e barraquinha, e, também, o oráculo das povoações, soldados, o santo familiar, o desvendador de pedidos e protetor de casamento.

Festejado no dia 13 de junho, foi esse dia, por muito tempo, feriado no Brasil, por ser data de preceito em toda a América, por determinação da bula de 1722, do Papa Inocêncio XVIII. Protetor dos louceiros em Portugal, aparece entre nós como protetor dos taverneiros, dos varejistas em geral.

Antigamente era rara a casa comercial que não exibia num nicho rústico, no alto das prateleiras, fronteiro à entrada, a figura ou vulto de Santo Antônio, iluminado pela melancólica vela de sebo ou pela lamparina de azeite.

Nos primeiro treze dias de junho, realiza-se as trezenas, rezadas com fé, para a imploração dos milagres ou fervorosos agradecimentos. 

No ano de 1995, foi comemorado os 800 anos de nascimento de Santo Antônio, com grande comemorações pelos seus devotos. Durante sua trezena há a tradição da distribuição de pães aos pobres e a comercialização de lírios, que é o simbolo externo da pureza das intenções de Santo Antônio.

São João
É preciso que não se confunda João, o Batista com João, o Evangelista, autor do Quarto Evangelho e dos Atos dos Apóstolos. O Evangelista era filho de Maria e de Zebedeu, o Batista era filho de Isabel e Zacarias.

É o único santo, além de Nossa Senhora e Jesus Cristo, festejado no dia em que nasceu, 24 de junho. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel. Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus, nasceu na cidade de Judá.

Na circuncisão recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Iniciou sua pregação, à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar inicio à sua própria missão.
Chamaram-no Batista pela importância que, em seu ministério, emprestou ao batismo. E também o precursor porque pregou antes de Cristo, anunciando-o.

Segundo os evangelhos, João alertava o povo para a aproximação da vinda do Messias e insistia na preparação pela penitência para essa vinda. Praticava um ritual de purificação corporal por meio de imersão na água, significando mudança de vida.

Sua missão termina com o encarceramento na fortaleza de maquerunte, onde foi degolado por ordem de Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé. Sua figura está ligada ao sacramento do batismo.

São João Batista, também é conhecido como São João do Carneirinho por estar sua imagem arrodeada de carneiros. Os carneirinhos representam o próprio Jesus Cristo, apontado por João Batista como o verdadeiro cordeiro de Deus, segundo o Evangelho de João.

A Antiguidade das comemorações juninas no Brasil é registrada pelo frei Vicente de Salvador, o primeiro brasileiro que escreveu histórias da nossa terra, que informa que já no ano de 1603, os índios participavam de todos os festejos portugueses "com muita vontade, porque são muito amigos de novidades, como no dia de São João, por causa das fogueiras e capelas".
Dos três santos festejados do mês de junho, São João teve o poder de dar ao mês o nome e qualificar de "juninas" as festas realizadas no decorrer dos seus trinta dias.

São Pedro

São Pedro, nasceu na Galileia, onde exerceu o ofício de pescador em sociedade com o irmão André. Sempre em evidência nos evangelhos, Pedro, um dos doze apóstolos de Cristo, também é conhecido por Simão, Simão Pedro e Simão Barjona.

São Pedro foi denominado o fundador da Igreja Católica, pelas sábias confissões, relativas ao poder do Mestre durante o Ministério de Cristo, apesar da negação que o torna parecido conosco.

De acordo com a narrativa evangélica, era espontâneo, leal e generoso, de iniciativas ardentes e raciocínio rápido, ao mesmo tempo em que era precipitado e um tanto medroso.

Reconheceu a divindade de Jesus, junto aos apóstolos, mas, depois negou três vezes que o conhecia aos soldados que acabavam de prendê-lo.

É incontestável sua liderança no início da vida cristã. Tanto é assim que é mencionado 23 vezes no Evangelho de Marcos, seu discípulo, 24 no Evangelho de Mateus, que o exalta mais do que qualquer outro, 27 no evangelho de Lucas e 39 no evangelho de João. No Novo Testamento é citado 182 vezes.

Quando chefe da comunidade cristã em Jerusalém, após a morte de Cristo, Pedro foi preso inúmeras vezes. Num dia de junho, provavelmente em 67 d.c., os apóstolos Pedro e Paulo foram arrastados ao tribunal militar, ouviram a enumeração de seus crimes e foram condenados. Paulo foi levado para um campo bem distante dos muros da cidade e ali, como cidadão romano, decapitado por uma espada.

Pedro foi arrastado, sua cruz à frente, para um lugar no alto perto da colina Vaticano e ali pregado na cruz. Persiste a tradição de que foi crucificado, a seu pedido, de cabeça para baixo, sob a alegação de que era digno de morrer como Cristo morreu.

Sendo São Pedro protetor dos pescadores, várias homenagens lhes são rendidas através de procissões terrestre-fluvial.

Em Recife, há mais de cinquenta anos a tradição se repete. Os pescadores da Colônia Z1, do Pina, organizam dezenas de embarcações enfeitadas com bandeirinhas de papel e saem da bacia do Pina em direção à barra do Porto do Recife. Durante o percurso, o padroeiro  é saudado pelos devotos com fogos de artifício e muitas palmas.

No final da travessia, a imagem retorna à capela da Colônia do Z1 e as homenagens terminarãm com uma festa profana, com feirinha típica, coco de roda, ciranda, quadrilhas e outras atrações.

São Paulo

São Paulo, cidadão romano, iniciou a sua vida como perseguidor dos cristãos, sendo um dos mandantes do apedrejamento de Estevão, o primeiro mártir.

Paulo de Tarso foi um dos grandes perseguidores do cristianismo nascente. Combateu o quanto pode a missão salvífica de Cristo, contribuindo para a prisão, o martírio e a morte dos adeptos do novo credo, até o dia em que o Senhor o surpreendeu na estrada de Damasco, com uma voz que dizia: "Saulo, Saulo, porque me persegues? E ele disse: - Que és Senhor? E disse o Senhor: - Eu sou Jesus a quem tu persegues".
A partir daquela hora, Saulo passou a ser chamado Paulo, e começou a seu ministério, falando ousadamente em nome de Jesus, em muitas viagens que realizou, sofrendo perseguições e prisões, até chegar o momento  em que na companhia de São Pedro, conheceu a morte, no mesmo dia 29 de junho.

São Paulo, além das suas viagens, escreveu treze epístolas, que se encontram na Bíblia Sagrada, no Novo Testamento. Paulo viajou muito, pregou muito e escreveu muito, numa gigantesca missão em prol do Cristianismo.

Foi fiel ao seu ministério até a morte, e morte por dedicação e fidelidade ao Evangelho. Em vista disso, São Pedro e São Paulo, companheiros de ministério na vida e na morte, são lembrados no dia 29 de junho como santos juninos.

Com São Pedro e São Paulo, encerra-se o ciclo das celebrações juninas, que os pernambucanos conservam como de suas mais puras e mais belas tradições religiosas.

Fonte: LIMA, Claudia. Revista Junina. Edição Especial. Recife: Editora Raízes Brasileiras, junho, 1997.

2 comentários:

  1. Gostei das imagens e da descrição á cerca dos Santos " Que em Portugal designamos de Santos Populares" S.António -S.João e S.Pedro sendo que embora S. Paulo seja do mesmo dia...não entra nos nossos festejos,porquê ? não sei.
    Aqueles outros são marcantes pois no dia de S.António todos os Bairros de Lisboa desfilam pela Avenida com a Marcha de letra e Música desse Bairro. O S.João é mais festejado no Porto cidade ao Norte que tem como tradição nessa noite toda a gente traz um martelo de plástico e ao passar pelas pessoas bate-lhe na cabeça.

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    1. É bem interessante a cultura de sua terra, chega até ser engraçada a tradição do martelo. Gostamos muito de seus comentários, pois aprendemos muito. Saiba que será sempre bem vindo em nosso blog!

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