sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Contando o Tempo

Vários relógios foram criados pelos povos antigos com base no sol e no suposto movimento em torno do nossa planeta. Embora, no século XVI, o astrônomo Nicolau Copérnico tenha provado que não é o Sol que gira em torno da Terra e, sem, o contrário, isso não o comprometeu o funcionamento dos relógios. Entre os chamados relógios de Sol,o  mais antigo que se conhece é o nerkhet ou relógio egípcio, construído em madeira na forma de "L"e usado  por sacerdotes por volta do ano 1500 antes de Cristo.
 Sobre a superfície da haste mais longa do "L" há seis traços, marcados em intervalos crescente, correspondendo às seis horas da metade de um dia solar. Em cima da haste de madeira formando um "T", projeta sua sombra nas marnas da haste maior. Ao nascer do Sol, a peça, virada para o Leste, marcava as seis horas da parte da manhã até o meio-dia, momento em que o Sol se posiciona exatamente em cima da haste e a sombra desaparece. Depois do meio-dia, a peça era virada para o Oeste e a sombra passava a marcar as seis horas da tarde até o pôr-do-sol.
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Relógio merkhet ou relógio egípcio.
Os gregos utilizavam o gnômon, palavra que significa "instrumento para dar conhecimento do tempo". No seu formato mais simples, ele é um bastão colocado no meio de um plano em forma de círculo. Neste plano, como em um relógio redondo de ponteiros, está gravada uma escala dividida em doze partes,. Durante o dia, o Sol projetava  a sombra nessa escala e indicava as horas. Para iniciar a marcação, era preciso observar primeiro o meio-dia - momento do dia em que a sombra do bastão tinha o menor comprimento - e só então fazer as demais marcações. É este o mais tradicional relógio de Sol.

Gnômon, relógio de Sol
O Analemma, tratado de astronomia escrito pelo grego Cláudio Ptolomeu, que viveu no século II, deu origem ao relógio analemático. A obra trata de construção de escalas para relógios de Sol baseando-se no Planisfério, ou seja, na representação da Terra em uma superfície plana, que tem a forma de uma elipse. Esta forma foi utilizada no relógio analemático.
Sobre a linha que corta o elipse ao meio eram gravados os dias e os meses do ano. O eixo ficava orientado na direção Norte-Sul. Ao redor da elipse era feita a marcação das horas. Bastava fixar um bastão na escala de dias e meses e andar com outro pela elipse até que as sombras dos dois bastões se alinhassem, para ler a hora correta para aquele dia do mês.
O Sol não era o único astro utilizado para a contagem do tempo. Até hoje, muitas pessoas se orientam pelas constelações e por algumas estrelas principais em noites claras. No hemisférico norte utiliza-se a Estrela Polar; no hemisférico sul, a constelação do Cruzeiro do Sul ou a Estrela d'Alva. Estas estrelas servem de guia para o nocturlábio, um instrumento semelhante a um telescópio com escalas gravadas em dois discos que deslizavam. Quando focaliza-se uma dessas estrelas através da lente, as duas escalas coincidem, indicando a hora exata durante a noite, de acordo com a posição da estrela no céu naquele instante.

Constelações
Antes de os astros serem usados para contar as horas do dia e da noite, existiam objetos para marcar frações do tempo. A ampulheta, também chamada relógio de areia, é um deles. Trata-se de dois recipientes, que contêm uma certa quantidade de areia fina e bem seca, ligados a um canal. Ao se colocar o recipiente cheio para cima, a areia começa a cair para o recipiente vazio que está de baixo.
Relógio de areia
Ampulheta ou relógio de areia
A água também foi usada em instrumento de contagem do tempo. Os gregos e os romanos limitavam os discursos nas cortes de justiça com um jarro de água que tinha pequenos furos no fundo, por onde a água escapava. Este "cronômetro" chama-se clepsidra, que em grego quer dizer "roubar água". Muitas vezes, a clepsidra não era usada de maneira muito honesta, pois quando as cortes de justiça queriam prejudicar o acusado era feito um furo maior no jarro para que a água acabasse mais rápido e a defesa tivesse menos tempo.

Clepsidra ou relógio d'água
A clepsidra foi aperfeiçoada pelos chineses e transformada no relógio de água, que, apesar do nome, não marcava as horas, mas também, frações de tempo. Trata-se de tanques, colocados em alturas diferentes e ligados por um sifão - que é um tubo de "S". A água, então, passava de um tanque para outro, através desse tubos, numa mesma velocidade, marcando a passagem do tempo.

A criação mais significativa, porém, foi a clepsidra mecânica, também projetada pelos chineses. Ela possuía, no tubo de ligação entre dois tanques, uma roda d'água, que por sua vez estava a uma roda com dentes (engrenagem) e um escapo, que era uma peça em forma de "T" presa à engrenagem e que tinha um pêndulo ma ponta. Com o movimento do pêndulo de um lado a outro, a ponta do escapo prendia os dentes da engrenagem, que era girada pelo fluxo da água, e permitia apenas um dente "escapasse" de cada vez, marcando intervalos regulares. Hoje, esta peça é fundamental para os relógios mecânicos. É ela que marca cada segundo. A água, que dava impulso à engrenagem, foi substituída pela corda, um mecanismo que também faz funcionar alguns brinquedos.



 Mas o pêndulo continua ditando o ritmo das horas naqueles grandes relógios da casa da vovó.

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