terça-feira, 6 de setembro de 2011

Perfumes

Mais que simples instrumentos das vaidades feminina e masculina, os perfumes constituem um importante dado cultural e histórico.
                                                
Para dar mais vida a nossa rotina diária, toda uma escala de fragrâncias está presente em quase tudo que nos rodeia: lenços de papel, fraldas de bebê, batom, xampus, sabonetes, tintas, esmaltes, ceras, purificadores de ar, além dos aromatizantes empregados nos alimentos e até no vestuário. Trata-se de uma indústria sofisticada em plena expansão, sensível à evolução dos gostos e da tecnologia. No metrô de Paris, por exemplo, o ar viciado foi encoberto por um suave perfume de violetas, o que, segundo pesquisas, serviu para aumentar o conceito de eficiência do serviço.
Cientistas japoneses descobriram, que aromas agradáveis melhoram o humor, reduzem a tensão e aumentam o rendimento no trabalho. A ideia da básica da aromatologia é simples: assim como a música pode acalmar as pessoas ou provocar-lhes agitação, os odores também têm um impacto positivo ou negativo sobre a mente.
A invenção dos perfumes é atribuída aos deuses do Olimpo, que emanavam aroma de ambrosia quando visitavam os mortais, um sinal evidente da sua natureza divina. Assim, os simples mortais também se utilizavam de perfumes para obter a clemência dos deuses. Uma das obras mais antigas da literatura mundial, a Epopeia de Gilgamesch, conta que Noé, em sinal de gratidão pela sua salvação do dilúvio, queimou madeira de cedro e mirra.

Segundo registros históricos, a Babilônia queimava 26 mil quilos de incenso para apaziguar a fúria dos deuses.
No antigo Egito o uso de essências perfumadas estava ligado ao ritual de embalsamento.
Os gregos foram grandes perfumistas que se valiam das essências de plantas também para cuidar de doenças.

Carregadas de simbolismos, as essências aromatizantes também estão entre os presentes oferecidos ao menino Jesus pelos Reis Magos: ouro, porque o recém-nascido era um rei; incenso, porque era um Deus; e mirra, porque era um homem.

                          Adoração dos Magos, de Hans Mamling


Contam-se que a rainha egípcia Cleópatra acolheu Marco Antônio na sua galera com as velas perfumadas, e o Bálsamo da Judeia teria lançado o Rei Salomão nos braços da Rainha de Sabá. Nas grutas de Qumram - o mesmo local onde foram descobertos os preciosos Manuscritos do Mar Morto - os arqueólogos encontraram 50 mililitros de uma substância avermelhada e de consistência semelhante à do mel, cuidadosamente guardada num frasco de argila da época do Rei Herodes.

Festim de Antônio e Cleópatra, de Francesco Trevisani

Assim, com o correr dos séculos, o caráter religioso dos perfumes deu lugar ao profano, mais ligado aos jogos de sedução. O protocolo do Rei Luís XV impunha um perfume diferente para cada dia da semana, e mais tarde a Imperatriz Josefina cercou-se dos maiores parfumeurs do século XIX. E a Imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III, colocou o perfume definitivamente em moda na França.

As pétalas de Jasmim são picadas após a colheita e colocadas em grandes galpões para secar


Plantação de jasmim, na França

Prensagem de alfazema na região de Grasse, na França, um dos vários processos para a extração de aromas naturais à base de flores.


                           Destilação a vapor de pétalas de jasmim


                                   Envasamento de essência de lavanda na Provença.


Outras matérias-primas provenientes do mundo animal. Como o âmbar, que é uma secreção do cachalote, um cetáceo comum nas costas de Madagáscar. O castoréum  provém do castor macho da Rússia, da Sibéria e do Canadá.  Já o almíscar é a secreção do cio do almiscareiro, ou gato-de-algália, um animal que vive no Himalaia e nas montanhas da Índia, Birmânia, China e Mongólia. A matéria-prima encontram-se numa bolsa, do tamanho de uma noz, na barriga do animal. Mas os amigos da natureza podem ficar tranquilos: ninguém mais caça esses animais por causa desses ingredientes. O âmbar e o almíscar naturais não têm mais nenhuma importância na industria atual, pois para eles existem excelentes substitutos sintéticos.

Os laboratórios tornaram-se grandes aliados da industria de perfumes, sintetizando mais de quatro mil aromas da natureza para os mais diversos fins, da cosmetologia à alimentação e ao vestuário.


Controle de qualidade das essências, decantação em tonéis de metal e armazenamento da fábrica Cristian Dior, no Rio, responsáveis por dezenas de perfumes famosos.



A ciência é hoje uma forte aliada para se tentar reproduzir em laboratórios as impressões da natureza, os ambientes e as recordações que nos vêm à mente através do olfato, assim como uma melodia ou uma bela imagem são captadas através da audição ou da visão.

2 comentários:

  1. Haha, agora vou pensar duas vezes antes de comprar um perfume!!! :) Amei o blog de vocês meninas!!! Um abraço da Roberta.

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