sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Além dos sentidos

Marcel Duchamp - Roda de bicicleta, 1913. Readymade, madeira e metal, 126 cm de altura.

Se você está achando tudo isso uma grande maluquice, não se preocupe. Marcel Duchamp (1887-1968), o autor dessa obra, provoca grandes questionamentos até hoje entre os estudiosos da Arte. Tudo porque ele foi um dos maiores revolucionários do mundo artístico no século XX, contestando o que se chamava de arte até então.  Segundo Duchamp, dizer se algo é, ou não, arte é uma questão de gosto, de hábitos que adquirimos com o tempo.

Para provocar o mundo artístico do seu tempo, e ao mesmo tempo demostrar o que pensava, Duchamp criou o que chamou de readymades, que significa, em inglês, algo como "já feito". Ele utilizava objetos comuns, como a roda da bicicleta, e mudava seus significados originais ao colocá-los em outra situação. Seu primeiro readymade foi a Roda de bicicleta, feito em 1913.

Para Duchamp, o que importava era a intenção do artista, a ideia contida numa obra, e não o trabalho manual envolvido, como numa pintura, por exemplo. Por isso, ele fez outras versões da Roda de bicicleta após perder a primeira, pois o que importava para ele eram as ideias que o trabalho poderia despertar. Como consequência de sua atitude provocativa e, muitas vezes, também, cheia de humor (Duchamp costuma colocar jogos e trocadilhos de palavras no título de suas obras), com o tempo ele tornou-se um dos personagens mais importantes da Arte do século XX.

Depois de Duchamp, a Arte deixou de estar ligada somente ao que era feito manualmente. Aos poucos, os artistas passaram a utilizar também objetos e diversas outras coisas e criar novos arranjos para eles. A ideia transformou-se num importante componente de uma obra. A leitura que se faz de uma obra deixou de estar somente no que se vê por meio da união dos elementos visuais para também considerar o que está além do olhar, aquilo que o objeto pode conter de significados, gerando reflexão. Dessa forma, o observador de uma obra de arte ganhou uma importância muito maior. O que importa não é só a ideia que o artista teve ao fazer seu trabalho; é importante também a ideia que esse trabalho irá gerar em quem observá-lo. 

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