sábado, 4 de junho de 2011

Nosso Teatro Municipal


Nosso teatro municipal

Bem tombado desde 1988, o Teatro São José foi desapropriado em março do ano passado e vai ser o primeiro teatro municipal de Fortaleza.  À Prefeitura, já foi imitido o termo de posse, que abre caminho para a reforma.

O Teatro São José, de 1915, deve passar por reformas em sua estrutura interna, preservando sua fachada original (DÁRIO GABRIEL, EM 17/3/2010)
O Teatro São José de 1915, deve passar por reformas em sua estrutura interna preservando sua fachada original. (ADRIANO GABRIEL. EM 17/03/2011).
            
Parte de nossa paisagem urbana desde 1915, o Teatro São José, hoje um tanto debilitado, vai passar por mudanças. Como noticiou a coluna Vertical, do O POVO, na última segunda-feira, o lugar está a um passo de se tornar o primeiro teatro municipal da Cidade. A desapropriação aconteceu ano passado, em março (pelo decreto número 12.623, de 30 de dezembro de 2009). A reforma já foi desenhada e precisa apenas de ajustes. O dinheiro, proveniente dos cofres do Governo do Estado, também já está disponível – num total de R$ 900 mil. O que falta? Desde 31 de maio, já não falta nada.


Na data, foi imitida a posse provisória do prédio para a Prefeitura, segundo a assessoria do Fórum Clóvis Beviláqua. O governo municipal assume no lugar da Federação dos Trabalhadores Cristãos do Ceará, até então responsável pelo lugar. Pela transação, à federação foram destinados, em 13 de dezembro, R$ 944,770 mil, segundo a 3ª. Vara da Fazenda Pública, onde está agora o processo. “Estamos conversando com a Prefeitura, a última vez que estive lá foi maio. Mas esse valor ainda não foi repassado”, contou Dulce Maria Roberto de Lima, atual presidente da federação.


A última reforma pela qual passou o São José foi em 1994, quando a Funcet era presidida por Cláudio Pereira – o teatro já tinha sido tombado, em julho de 1988 (pela lei N° 6318), na gestão de Maria Luiza Fontenele. Desde então, ele segue com algumas atividades. “O teatro necessita de melhorias estruturais gerais, em aspectos como iluminação, hidráulica, parte elétrica e sonorização”, detalhou Fátima Mesquita, secretária da Cultura de Fortaleza, em entrevista por e-mail. Nem a fachada nem as áreas internas podem ser modificadas, o tombamento não permite. Resguardada de modificações feitas pelo homem: porque ao tempo não se pode impor tantas exigências.


Em jogo, uma outra organização, o Círculo Operário de Trabalhadores Cristãos, que promove atividades no lugar – as mais conhecidas são referentes a trabalho com idosos (tem dança, um tipo de seguro para funeral, entre outras iniciativas). “Até o momento, eu não fui comunicado de nada. Há muito tempo, nós tivemos uma reunião, ano passado, mas não sei nada”, reclama José Couto, presidente do círculo. Durante anos, quem coordenava as ações era dona Lyrisse Porto. Foi ela, também, a responsável pelo Museu do Maracatu, hoje desarticulado. “Ficou meio abandonado. Alguma coisa está lá, mas pouca coisa”, lamenta Dulce.


História

“O São José era um teatro paroquial. Nos anos 1920, 1930, 1940, cada igreja tinha seu salão paroquial, com uma atividade muito grande. Cada bairro da Cidade tinha dois outro três deles, com peças religiosas, comédias leves”, conta Ricardo Guilherme, ator e pesquisador do teatro em Fortaleza. Naquela época, ressalta Guilherme, tudo passava pelo controle dos padres, e o São José não era diferente. Mas vieram os anos 1960, e com ele mudanças no entorno. “As prostituas saíram dos Centro, das chamadas pensões alegres, e muitas ficaram por ali”.


Em 1974, exatamente, Guilherme tentou reerguer um São José já meio decadente. “Foi lá que fiquei trabalhando, ele foi a sede do meu grupo Conversa Teatralizada. Também fazia os espetáculos lá, mas sempre de forma acanhada, periférica. Fiquei dois anos lá. Depois, a Lyrisse continuou fazendo trabalhos sociais”. O pesquisador lembra ainda da torrinha, a mais irreverente da Cidade. “Em todos os teatros, a torrinha sempre era irreverente, mais participativa. Mas no São José era um grande desafio você trabalhar porque tinha que enfrentar uma torrinha muito gaiata”.


E agora

ENTENDA A NOTÍCIA


Fundado em 1915, o Teatro São José será centenário em alguns anos. Já está desapropriado desde 2010, e a um termo de posse provisório já foi imitido para a Prefeitura. Só com ele, as obras podem ter início. A reforma será custeada com recursos do Governo do Estado no valor de R$900 mil.

SAIBA MAIS 

As obras vão ser tocadas pela Secretaria Especial do Centro e fiscalizadas pelo Governo do Estado através da Secretaria de Cultura (Secult). “Nós temos que fazer um acompanhamento técnico da reforma do prédio, em função do prédio ser tombado”, lembrou Otávio Menezes, da Secult.

NÚMEROS

944,7

MIL REAIS

Este foi o valor pago pela Prefeitura para a desapropriação do Teatro São José, e atualmente está à disposição da Federação dos Trabalhadores Cristãos do Ceará por depósito em juízo.

Júlia Lopes
julialopes@opovo.com.br
Jornal O Povo, 04/06/2011 

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