sábado, 30 de abril de 2011

Vinhetas

1. CONVERSEI com uma amiga , falando-lhe sobre a experiência, a grande mestra da vida. Ela gostou do assunto, e me pediu reduzisse a escrito minha aprendizagem neste setor. Registro então as normas úteis pertinentes. Podem servir de auxílio aos outros.

a) Não insista longo tempo na procura de um objeto perdido. Em virtude da preocupação e do dissabor gerados pela perda ocorrida, você dificilmente o encontrará logo. Passa por ele várias vezes, e não o verá. Peça a outra pessoa para fazer a busca ou realiza essa tarefa mais tarde ou noutro dia. Será então mais fácil encontrá-lo.

b) Quando um objeto pequeno cair de suas mãos, acompanhe-o, olhando o caminho por ele percorrido. Isto leva-lo-á a ver o lugar onde ficou.

c) Tenha sempre a chave dupla de sua casa, carro ou gaveta. A certeza de possuí-la afasta a impaciência e o aborrecimento quando houver perda de uma. Porém mande confeccionar outra, com brevidade no mesmo dia.

d) Não dê conselho, salvo se lhe for solicitado. De regra, as pessoas reagem às orientações não pedidas. Não gostam da interferência alheia, julgam-se capazes de dirigir-se.

e) Não queira saber de segredos. Se o próprio dono dele passou-o a você, fa-lo-á a outras pessoas nas quais confia. Quando o segredo for divulgado, você estará na lista dos suspeitos como inconvenientes, não reservados.

f) Jamais diga a outrem: "Não lhe disse? Você não quis ouvir...e aí está o resultado..."Quem erra nas decisões assumidas não gosta de ser admoestado.

h) Quando telefonar, use expressão desta espécie: Por gentileza, poderia chamar a Dra. Mônica Campos Hanson? Aqui está falando Glauca Ferrer Dias Martins." Em geral, quem atende a telefonema, mesmo estando irritado, abranda quando se lhe pede favor, usando frases amáveis. E evitará e indagação costumará: "Quem quer falar com ele?"

i) Se você não tem vocação para humorista, não conte anedota. É uma decepção para o "anedotista" e para os ouvintes. Mas, caso seja vocacionado para o mister, aproveite um fato/adequado para dizer a anedota. Não relate sem propósito.

j) Na conversa, não procure ser o centro das atenções. Sobretudo falando demasiadamente. Dê oportunidade aos demais participantes.

l) Não seja palmatória do mundo, criticando tudo e apontando as falhas alheias. Examine-se, veja os seus defeitos e os corrija. Tornar-se-á pessoa estimada e servirá de exemplo aos outros, em proveito de um mando melhor.

m) Não discuta assuntos de religião. A opção pelo caminho religioso é problema de cada um, questão de foro íntimo.

n) Não interrompa o interlocutor. É indelicadeza, falta de educação. Ouvindo atenciosamente o outro, você se prepara para as respostas e argumentos adequados.

o) Não se amarre no relato das coisas  já ocorridas. As demais pessoas não se interessam por eventos com outrem, no passado. Goze o presente e anteveja as coisas boas do futuro.

p) Aos primeiros sinais de doença, vá ao médico. É a melhor forma de eliminá-la, menos prejudicial à saúde e o bolso.

q) Se você  teve a iniciativa de fazer a ligação telefônica, cabe-lhe o desligamento respectivo. Quem a recebeu não deve dar por encerrada a conversa. Cometeria ato de desapreço.

r) Não empreste livro, salvo se estiver disposto a perdê-lo. Aires de Monlalbo disse certa vez: "Tal é a sorte mesquinha, de todo livro emprestado: ou para sempre se perde, ou volta deteriorado."

s) Quando estiver  realizando uma tarefa, nela concentre-se, para obter maior rendimento. Pensar em muitas ao mesmo tempo perturba a perfeição do trabalho.

t)Após escrever um trabalho, nunca o leia logo. Faça-o horas depois ou, melhor, no outro dia. A leitura imediata dificulta descobrir os erros cometidos, porque a mente se encontra nas mesmas condições da ocasião da feitura da tarefa.

Publicado em: 18 de março de 1984
Jornal O POVO                                                
                                                                      Itamar Espíndola

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